O azedume de António Lobo Antunes

António Lobo Antunes é um enorme escritor, grande romancista e admirável cronista, e não sabe conviver com o mérito alheio e, nos últimos tempos, sem a árvore genealógica a cujos ramos regressou.

O sr. Antunes não é obrigado a gostar de Saramago, ninguém é, e veste a pele do Lobo, da família Antunes, com a arrogância pungente do ressentimento.

Li dele algumas das mais deliciosas crónicas, desde Fialho, mas sempre detestei aquela   insolência de quem se julga ungido pelo pedigree aristocrático da família que reivindica na leveza ética.

Estou cansado de ler a mesma crónica semanal na Visão, escrita de várias formas e com a arrogância de quem se julga predestinado. Falta-lhe ainda rogar o perdão das tias, que tão deliciosamente caricaturou.

Na última crónica da Visão, esta semana, após diversas manifestações de desprezo por vários escritores, enalteceu Agustina (Bessa Luís), de facto uma grande escritora, a que Óscar Lopes teceu os maiores encómios. O sr. Antunes refere-a para lhe atribuir, entre outras, esta ‘boutade’:

«– Ó Saramago você devia fumar
Saramago, que não era escritor, era um pregador, respondeu-lhe
- Mas o tabaco faz mal
e ela implacável
- Pois faz mas você assim escrevia menos».

O título da crónica parece uma lúcida autocrítica «De onde menos se espera é que não sai nada de jeito», e é apenas um medíocre exercício de quem retribui favores e destila frustrações, iniciando e finalizando o texto a afirmar que «o livro com que ando agora me está a dar cabo da cabeça». Não precisa de o escrever, a cabeça já não tem arranjo.

Se a longevidade lho permitisse, acabaria mandatário da candidatura de Passos Coelho a PR. Não lhe dava o Nobel, mas imitaria o falecido mano João que, depois de ter sido o mandatário nacional de Jorge Sampaio, acabou mandatário de Cavaco.

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