Desejo a tod@s um Feliz Solstício de Inverno – 22 de dezembro de 2019 – 04H19

Quando os deuses e deusas foram criados à medida dos anseios e medos humanos, eram bem mais variados nas formas e na substância com que eram idealizados em diferentes latitudes e culturas.

Na Idade de Bronze, os patriarcas de tribos nómadas inventaram o deus único para todas as angústias e medos, sonhos e pesadelos, amores e ódios, criado à sua imagem e semelhança, a exigir imolações bárbaras, para acabar resignado às orações e aos óbolos necessários para alimentar a multidão de funcionários que lhe preservaram a memória e a moldaram ao longo da História e ao sabor dos costumes.

Há dois mil e vinte e seis anos, em data ignorada e local diferente do que lhe atribuíram, foi registado na Palestina o único deus verdadeiro, à semelhança de deuses mais antigos, parido de mãe virgem, no solstício de inverno, judeu circuncidado, hábil em pregações e milagres.

A primeira cisão do judaísmo, nascida do golpe de génio de Paulo de Tarso e tornada consistente pela necessidade de Constantino unificar o Império Romano, criou um deus universal, o mais benigno e terno ícone monoteísta. Tornam-se irrelevantes a genealogia do novo deus, os milagres que obrou e as parábolas que lhe adjudicaram.

Na data que lhe deram para o nascimento, é noite de esquecer as tragédias e lembrar, no milagre do parto, o prodígio da vida, e fazer da alegria do ágape a festa da família, e do primeiro dia do ano, no calendário gregoriano, o Dia da Fraternidade Universal.

Feliz Solstício de Inverno e Bom Ano de 2020, car@s amig@s, e exonerem a santidade da ceia de todos os pecados, votos que estendo a tod@s @s crentes de deuses nascidos a 25 de dezembro ou em quaisquer outros dias, e aos que descreem de todos eles. Deixo ainda as minhas saudações republicanas, laicas e democráticas.

P. S. – Façam como eu, não agradeçam, vão para dentro e agasalhem-se. No rescaldo do Temporal Carlos e da Depressão Elsa, vem já aí a moderada Tempestade Fabien, mas as pneumonias espreitam. Em cada solstício de inverno, há outro, de verão, no hemisfério oposto, e variam ao ritmo do movimento de translação da Terra.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Cavaco Silva – O bilioso de Boliqueime

Tunísia – Caminho da democracia ou cemitério da laicidade ?