PANtominice – Andam almas penadas de bufos frustrados nos Passos Perdidos

O partido PAN quer que os políticos indiquem se pertencem à Maçonaria e Opus Dei, a bem da transparência e da intrusão na vida privada, para gáudio de quem procura bodes expiatórios para teorias da conspiração.

Há 76 anos, 15 de dezembro de 1943, o regime de Vichy interditou a franco–maçonaria em França. Os regimes nazi/fascistas combateram a maçonaria e os papas excomungaram-na. O Opus Dei apoiou os regimes fascistas, um Papa concedeu à sedição de Franco o carácter de Cruzada, Josemaría Escrivá foi seu apoiante fiel e João Paulo II, que não canonizou Franco, elevou Escrivá aos altares.

Depois do pecado original, descoberto no Paraíso, com Deus à espreita, para expulsar a Eva e o Adão, como se houvesse método diferente para procriar, urge encontrar pecados venais e veniais na instituição cívica, que nem todos honram, e na seita radical da Igreja católica, onde também há gente de bem.

A vocação pidesca está aí, na colaboração premiada, na devassa a instituições cívicas ou religiosas, como se o direito de associação fosse de divulgação obrigatória.

Que maçons e membros do Opus Dei sejam expostos no pelourinho da opinião pública, demonizadas as instituições, não surpreende. Admira é a omissão de Igrejas, clubes de futebol, xadrez e damas, associações de bombeiros, confrarias e clubes recreativos, onde no meio de um jogo de sueca se encomendam submarinos à Alemanha, ogivas nucleares aos EUA, whisky à Escócia e champanhe a França.

Claro que a devassa é destinada a políticos, malandros que merecem andar com pulseira eletrónica, salvam-se industriais, banqueiros, construtores civis e traficantes de droga e pessoas.

Os políticos podem pertencer às tríades chinesas, à máfia italiana, ao ISIS ou à Ku Klux Klan, mas perigoso é ser livre-pensador, com ideais da Revolução Francesa, armado de esquadro e compasso, ou beato que debita orações pias e se contorce com as dores do cilício para remissão dos pecados.

À míngua de ideias e projetos, é preciso animar a malta com dúvidas que visam colocar sob suspeita os políticos, enquanto honrados homens de negócios, no conforto dos seus gabinetes, decidem as políticas.

No condomínio da praia da Coelha não há membros do GOL nem da Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei. Só há santos, amigos da hóstia e do BPN.

O que é preciso é animar a malta e agitar a comunicação social.

Comentários

Jaime Santos disse…
Discordo, Carlos Esperança, a vocação destas organizações (assim como a sua dimensão) é política, não se dedicam apenas à arte do nobre jogo, por exemplo. Está a querer comparar o incomparável. Aliás, os exemplos que cita, positivos e negativos, mais não fazem do que ilustrar exactamente isso.

Não vamos agora assumir a posição pia de que nas reuniões da Opus Dei mais não se faz do que rezar o terço e que as da Maçonaria se resumem à evocação da grandeza do Supremo Arquitecto...

Ou à busca do conhecimento permanente do Relvas, ou lá o que era...

Se eu elejo alguém, faço-o à luz dos valores e políticas defendidas pelo Partido nas listas das quais essa pessoa é eleita. Se ela pertence a uma organização com intervenção política e social, então prefiro sabê-lo... Chame-lhe, se quiser, um registo de incompatibilidades ideológico.

E não se percebe por que a pertença a estas organizações deva ser conservada em segredo, se os fins a que se propõem são nobres e vivemos numa sociedade livre em que as pessoas gozam do Direito de Associação.

Numa sociedade democrática quem não deve, não teme...

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