Notas Soltas – novembro/2019

Fuga de capitais – O conhecimento de que se encontram domiciliados em offshores 50 mil milhões de euros, desviados de Portugal, e correspondentes à terceira maior soma da UE, é um escândalo que exige descobrir os autores e os cúmplices que o permitiram.

André Ventura – Na tese de doutoramento, 2013, na Universidade de Cork, na Irlanda, criticava a expansão do poder das polícias, a discriminação de minorias e o "populismo penal". Agora, deputado do Chega, racista e xenófobo, é um oportunista sem carácter.

Nuno Melo – O eurodeputado do CDS está de cabeça perdida e reincide nos dislates. A comparação do PR ao deputado fascista André Ventura, de quem está tão próximo, é a leviandade do adolescente que não cresceu e a maldade do reacionário obstinado.

Lula da Silva – Independentemente da matéria de facto que vier a ser provada contra o PR mais amado do Brasil, a sua libertação é a reposição da legalidade contra a sentença em recurso e a censura a um juiz venal, cúmplice do golpe de Estado contra Dilma.

Aeroporto do Montijo – Os problemas ambientais são sérios, e penso que a decisão foi ponderada, mas não vi uma decisão, na OTA, Rio Frio, Montijo ou onde quer que fosse, que não atraísse fanáticos, ansiosos de mediatismo, a refutar qualquer local escolhido.

Filipinas – A justiça pedida para as vítimas de homicídios extrajudiciais é a condenação do PR, em defesa dos que não têm voz. O episcopado acompanhou o apelo papal, contra o déspota Duterte, num ato de coragem que honra a Igreja católica.

Alemanha – Trinta anos após o auspicioso derrube do Muro de Berlim, existem hoje 24 muros da vergonha a separarem o mundo e a impedirem o direito à vida e à liberdade de quem foge à fome, à violência e ao horror de várias regiões do globo.

Espanha – A repetição de eleições não resolveu a dificuldade de constituir um governo, quando pioram os problemas na União Europeia, se extremam posições na Catalunha e a extrema-direita, herdeira do franquismo, se reforça e constitui o 3.º maior partido.

Bolívia – A destituição de Evo Morales não é a luta entre a ditadura e a democracia, é a habitual solução militar sul-americana num país onde os índios são espoliados das terras e recursos naturais, e os descendentes dos colonizadores não prescindem do poder.

Jair Bolsonaro – O execrável PR, com pesado cadastro, recorre à Bíblia para legitimar a política machista, homofóbica e racista. É um teólogo do fascismo cristão brasileiro, inspirado pelo seu líder espiritual, o bispo Edir Macedo.

Donal Trump – O PR da maior potência mundial é um Bolsonaro poderoso, impostor e indigno, capaz das maiores torpezas, e com imensa aptidão para usar a falta de carácter como arma, fazendo do agressor o agredido e do mentiroso o arauto da verdade.

Coletes Amarelos – As manifestações em Paris tiveram um pretexto aceitável, a subida do preço dos combustíveis. Continuaram depois, sem ideias, sem objetivos e sem rumo, numa espiral de violência gratuita, durante um ano, a desafiar a democracia.

Reino Unido – A perigosa aventura em que entrou o País, arrastando consigo a UE, e a estabilidade política, económica e social, dos dois lados do Canal da Mancha, ficará na História como mais um erro trágico a que os nacionalismos conduzem.

CDS – Tem dificuldade em posicionar-se. Para ser o VOX português tem o Chega, para ser neoliberal, puro e duro, deixou chegar a Iniciativa Liberal (IL), e para voltar à matriz conservadora e democrata-cristã, já não tem ninguém.

Honk-Kong – Uma ditadura não admite contestação, nem o risco de o exemplo alastrar a Taiwan. Sem saída, em ambiente de confronto com os EUA, perante o risco de perder a reputação internacional ou consentir a contestação, a China reeditará Tiananmen.

José Mário Branco – A morte não apaga a memória de um dos mais exigentes autores e cantores da sua geração. Deixa na música um património de exceção e, na resistência à ditadura, o exemplo cívico da coerência, honestidade e coragem que o definem.

Israel – A insistência em novos colonatos, decisão corroborada pelos EUA, é o desafio reiterado ao direito internacional e uma provocação que alimenta ódios e impede uma solução de paz no conturbado ambiente do Médio Oriente.

Polícias – O Movimento Zero, agrupamento inorgânico, xenófobo e racista, conseguiu a liderança aparente das reivindicações, com gestos e atitudes simbolicamente fascistas de que o virar as costas à AR foi sintomático. É um grave caso de polícia.

Livre – A chegada de um partido responsável à AR, com agenda ecológica séria, foi a lufada de ar fresco das últimas eleições, mas a deputada, de que tanto se esperava, já se revelou um erro de casting, com posições inaceitáveis e em confronto com o partido.

Violência doméstica – São pavorosos os números da violência machista que, não sendo única, é a mais frequente. É urgente parar quem agride, fere e mata, e reforçar a cultura da igualdade e da convivência doméstica, sem sobressaltos, medos e risco de vida.

Bolívia_2 – O general boliviano que exigiu a renúncia do PR Evo Morales recebeu um milhão de dólares do Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA em La Paz, sr. Bruce Willianson, com o visto de residência permanente nos EUA, para onde foi.

União Europeia – A enorme fatia orçamental destinada à transição para a neutralidade carbónica é uma medida promissora, na emergência climática que sufoca, e a decisão indispensável para evitar que o Planeta se transforme numa câmara de gás a céu aberto.

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