A UE, o rearmamento e o futuro
A UE, o rearmamento e o futuro
Tenho como certo que o futuro de Portugal nunca será melhor
fora da UE ou sem a UE, e aceito a legitimidade dos titulares dos seus órgãos, ainda
que a forma de indigitação se altere na desejável federalização. São a escolha
dos governos que cada país elege.
O que condeno é o desprezo das opiniões públicas nas decisões,
a opacidade e ausência de discussão, quanto às despesas militares e à liderança
da UE num assunto que só lhe caberia se dispusesse de Forças Armadas próprias. Insistir
em gastar 5% do PIB em Defesa é comprometer a saúde, a educação e segurança
social da UE por imposição do seu maior inimigo, Donald Trump, através do respetivo
capataz, Mark Rutte.
O bom-senso da Espanha, hoje o grande ator europeu, com
pensamento próprio, já teve o mérito de fazer refletir outros países em relação
aos EUA cujos interesses divergentes e decisões irrefletidas merecem distanciamento,
mas a corrida armamentista prossegue sem que os cidadãos tenham sido ouvidos
nem o nível de despesa ponderada.
Em Portugal, foi decidido o empréstimo de 5,8 mil milhões de
€, sem que os eleitores se pronunciassem, e dá-se por adquirido vir a gastar 5%
do PIB em despesas militares sem explicar quais são as ameaças e se é para
defender as fronteiras da UE ou da Nato, ou da Geórgia, Arménia ou qualquer outro
país que aguce o apetite de Bruxelas.
A Alemanha tornou-se de novo belicista, e anunciou dos
maiores planos de austeridade de sempre, com um corte de mais de 30 mil milhões
de euros até 2030, na Saúde, para financiar o armamentismo, à semelhança de
outros países da UE, cada um com os seus demónios históricos, e a sua
volubilidade em relação aos inimigos. Tenho boas razões para defender a paz no
tempo que ainda tiver neste continente onde despertam falcões.
Num mundo às avessas onde os EUA surgem como os maiores
perturbadores da livre circulação de bens e serviços e a China, quem diria, na
vanguarda da sua defesa, saúdo a UE pelos esforços na procura de novos mercados,
a fazer esquecer o jogo de golfe na Irlanda de onde Trump saiu a anunciar à
senhora Von de Leyen tarifas unilaterais à UE, depois de a fazer esperar, numa
dupla humilhação para a UE, que abomina.
Dito isto, apraz-me felicitar a UE pelas últimas negociações
comerciais, especialmente
pelo Acordo de Comércio Livre UE-Nova Zelândia, em
vigor desde 1 de maio de 2024, o Acordo com o Mercosul, já provisoriamente em
vigor desde 1 de maio, e com a Índia, os dois últimos assinados já em janeiro
do ano em curso.
Os acordos de comércio livre, todos os acordos, têm
vantagens e inconvenientes e são numerosos os adversários, mas sou dos que veem
neles maiores as vantagens. Talvez porque fiquei farto do «Portugal
orgulhosamente só», sou defensor do multilateralismo e do comércio livre e são
os meus valores que defendo, não os que outros gostariam.
Deu-me particular satisfação o acordo com a Índia, pelo
interesse que lhe adivinho e pelos participantes, Narendra Modi, Ursula von der
Leyen e António Costa.

Comentários
"O que condeno é o desprezo das opiniões públicas nas decisões, a opacidade e ausência de discussão, quanto às despesas militares..."
Com o devido respeito pelas ideias que expende, não consigo compreender como é possível compatibilizar as proposições expostas, especialmente num quadro de Democracia material, bem expressa na nossa Constituição. A não ser que me coloque numa posição de Fé!