A rebelião de católicos extremistas contra a autoridade papal de Leão XIV

A rebelião de católicos extremistas contra a autoridade papal de Leão XIV

Os leitores hão de perguntar o que leva um ateu a solidarizar-se com um Papa católico e, sobretudo, a reincidir na solidariedade manifestada ao Papa Francisco.

Reconheço o valor da fé para os crentes e a influência do magistério papal nos católicos, capaz de conduzir multidões de fiéis à violência ou à defesa da paz e da justiça.

Os dois últimos Papas não podem ser acoimados de talibãs romanos ou comparados aos Aiatolas. Conservadores nos costumes, mesmo reacionários, souberam ser progressistas e arautos da fraternidade entre os povos, resistindo à onda de intolerância e xenofobia que varre a Europa e o mundo.

Por isso me preocupa o cisma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) que, não sendo um grande Cisma, de tantos que abalaram a Igreja católica, nem a sua primeira tentativa, tem potencial para enfraquecer a Igreja católica.

A FSSPX ou União Sacerdotal Marcel Lefebvre, desafiou em 1988 o Papa João Paulo II ao ordenar quatro novos bispos à revelia do Vaticano, desafio que João Paulo II, embora ideologicamente próximo, não podia tolerar. Excomungou-os. E não foi a Providência Divina a pôr o sabre na mão do padre espanhol Fernández Krohn, que tentou assassiná-lo em Fátima, em 12 de maio de 1982.

O padre Krohn tinha ligações à FSSPX, embora não haja provas de implicação da seita. Aliás, a proximidade de Lefebvre com João Paulo II levara-o, em 1980, a declarar que demonstrara maior abertura, não tendo dúvidas sobre a legitimidade do novo Papa. Mas viria a sagrar bispos à sua revelia!

A FSSPX, fiel aos rituais e às ideias do Concílio de Trento, recusa as reformas da Cúria Romana, repudiando sobretudo o Concílio Vaticano II. O regresso ao latim por padres católicos, indicia, ainda hoje, sintonia com os bispos da FSSPX, fundada em Êcone, na Suíça, em 1970, como retaliação às reformas do concílio Vaticano II.

Bento XVI reintegrou os seguidores do bispo fascista Lefebvre, apesar das posições antissemitas e antidemocráticas do bando cismático. Propôs-lhes em 2012 uma prelatura pessoal à semelhança da Opus Dei, igualmente reacionária, com a desvantagem de jurar fidelidade ao Papa, qualquer que seja.

D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), foi um caso extremo de iliberalismo, matriz de muitos clérigos romanos. Ser filho de um pai, vítima de um campo de extermínio nazi, por ter ajudado judeus, não o impediu de se aproximar da extrema-direita, da Action française, e de teorias que culpam judeus e maçons pela alegada destruição da Igreja.

A excomunhão do Papa Leão XIV é um ato de higiene da a Igreja católica e um aviso aos crentes de pendor fascista, um grito de revolta contra o fascismo cristão, simétrico do fascismo islâmico.

Boa sorte, Papa Leão XIV! O mundo atual precisa do seu magistério ético.


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