Divagando 36
Divagando 36
Com a Europa devastada por incêndios, a indústria em crise e a economia mundial em vias de colapso, a guerra é a obsessão que domina as mentes formatadas por perversos algoritmos e pela pulsão suicida que alastra entre os povos.
Que importa a degradação do ambiente, a exaustão da fauna marítima, a devastação das florestas ou a inanição que atinge milhões de pessoas? Que raio de preocupação é essa com o aquecimento global, a exaustão dos solos, as pandemias, a falta de recursos para necessidades básicas quando um mundo maravilhoso está ao nosso alcance com drones inteligentes, robôs, mísseis e toda uma parafernália bélica capaz de destruir o mundo?
Quando faltarem os alimentos e a água, o que ora falta a muitos, já não estaremos cá e o progresso não pode parar, o PIB estagnar e a acumulação do capital ser interrompida.
O que é preciso é derrotar os inimigos, matar os maus, apoiar os bons e fazer o que nos dizem ser o nosso dever.
Condenar o genocídio em Gaza não é pactuar com os crimes do Hamas ou absolver o fascismo islâmico, essa lepra que corrói o Islão político; dizer que a invasão do Irão foi crime, não é aceitar a fanatização nas madraças e convencer crianças a morrer e matar; desejar o fim da guerra na Ucrânia, não é absolver o invasor; condenar o rapto de um ditador ou o assassinato de um Aiatola não é apoiar os seus regimes.
O que repugna é ver as democracias a decidirem quais são as ditaduras boas e as más, a escolherem aquelas com que se pode ou não negociar, as que podem ter representações desportivas ou culturais em eventos internacionais e, finalmente, aquelas a que devem perseguir os cidadãos ou confiscar os bens.
Quando se usam bitolas diferentes, corre-se o risco de soçobrar eticamente na defesa de interesses próprios e de expor a hipocrisia de quem as usa.
O fascínio da farda, a excitação das guerras e a febre de glória extinguem-se à vista de corpos mutilados, caixões com heróis dentro e lágrimas de mães desoladas.
Comentários