Luís Neves, o coveiro do XXV Governo Constitucional
Luís Neves, o coveiro do XXV Governo Constitucional
Luís Neves é um caso de estudo, um polícia competente, cidadão
suspeito e político não recomendável que, contra todas as acusações, prolonga a
agonia.
As suspeitas sobre o PM não impediram o regozijo com a sua aceitação
do convite, para ministro da Administração Interna, depois de dois casos clamorosos
de inaptidão para as funções.
Nem pensei que investigara o caso Spinumviva e no interesse do
PM em tê-lo amarrado ao seu Governo, depois de ter um PGR da sua confiança. Tão
desejoso de ver sobraçar a pasta alguém competente, não refleti na insólita transferência
do líder da PJ para chefiar todas as outras forças policiais e de segurança.
Era estimulante ver alguém que preferia basear-se em factos em
vez de perceções e num governo enredado no abraço do Chega, quem fosse
determinado a combater a violência policial e o terrorismo de extrema-direita,
o único de que há conhecimento. Nem pensei no perigo da confusão de funções e
acumulação de tamanho poder por um só homem.
Mas, há sempre um mas, depois de conhecidos factos tão
graves, política e eticamente, a permanência em funções, agravada com a falta
de explicações, não põe apenas em causa o governo, que persiste em usar os padrões
éticos de Luís Montenegro, arrasta consigo a dignidade das instituições.
Passados tantos dias, é legítimo supor que o ministro permanece
para se proteger e que o PM, a quem já falta um mínimo de autoridade moral, é refém
do que o ministro sabe a seu respeito.
O silêncio do Presidente da República não pode manter-se. Sabe-se
que não tem poder para o demitir nem as condições políticas permitem que
dissolva a AR, mas não pode esquecer que é o último responsável pelo normal funcionamento
das instituições e, neste momento, é já o risco da dissolução do regime que se a
vizinha.
O País exige explicações ao Presidente da República. Foi
para isso que dois terços dos eleitores o sufragaram, com a animosidade da
extrema-direita e a ambiguidade do PM.
A semana que hoje começa é demasiado longa para tanto silêncio. Não há uma segunda oportunidade para uma primeira e audível intervenção política.

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