A Cimeira de Ancara de 2026 – Divagações sobre a gloriosa Cimeira

A Cimeira de Ancara de 2026 – Divagações sobre a gloriosa Cimeira

Decorreu nos dias 8 e 9 a empolgante cimeira da Nato, preparada por Mark Rutte para agradar a Trump, com a indignidade de lacaio e a subserviência de que é capaz, e obter a unanimidade, com Trump e os líderes das outras 31 democracias que o aguardaram.

Urgia mostrar a unidade da Organização do Atlântico Norte na defesa comum, no país anfitrião, a Turquia, uma sólida democracia de pendor teocrático cujo líder prendeu os adversários para defesa sua, do seu partido, dos convidados e dos Irmão Muçulmanos que aí encontram guarida, expulsos do Egito. Erdogan até esqueceu as armas que Trump deu aos seus inimigos curdos, para combaterem o Irão e as guardaram para uso futuro.

Temia-se que Donald Trump, a estrela da companhia, não pusesse os pés no evento. E pôs. Todos. Desejava-se o seu compromisso para se juntar aos países da UE e ao RU na defesa das fronteiras da Ucrânia e para imporem a capitulação à Rússia.

Da Ucrânia viera Zelensky, o ideólogo da UE, a dar instruções sobre o que a Nato devia fazer, e para a entrevista, adrede preparada, com Trump. A cúpula da UE, que não falha a presença em assuntos militares, esteve presente.

Erdogan, no poder há 12 anos, com o maior exército da Nato fora dos EUA, recebeu-o com pompa e circunstância, a sonhar com o Califado otomano. Foi ele que o motivou a estar presente, por ser um grande líder e Trump gostar muito dele, dele e de Mark Rutte, sec.-geral da Nato, também grande líder, com excelente trabalho a coletar encomendas de material de guerra para os EUA, pagas pela UE e enviadas para a Ucrânia.

Trump levou com ele Marco Rubio e Pete Hegseth, este com as tatuagens ocultas dentro do fato de fino corte, e numerosos homens de negócios. Foi o rei da Cimeira na Turquia, país asiático banhado pelo Mediterrânio e Mar Negro, bem longe do Atlântico Norte.

Trump, começou por reiterar a decisão de anexar a Gronelândia, admoestar os líderes da Alemanha, França e Itália, e ameaçar com “o corte de todas as relações comerciais com Espanha”, “causa perdida”, e Mark Rutte abanou as orelhas, em assentimento. Só a PM da Dinamarca reagiu, “a Gronelândia não está à venda”, e Rutte não ousou a defesa do PM espanhol. De uma só vez destratou Merz, defensor de Netanyahu, Meloni, sua ex-amiga e Macron, chegado do encontro com Ahmed al-Sharaa, ex-terrorista da Al-Qaeda, visita da Sala Oval, a quem Macron foi chamar fundador da nova democracia na Síria.

Esqueceram que a Nato, criada para se opor ao poder soviético e conter a Alemanha, já cumpriu o seu desígnio com a desintegração da URSS e o fim do Pacto de Varsóvia. A promessa de não avançar para leste foi esquecida para ampliar o poder dos EUA. Agora, a Alemanha rearma-se com a preocupação da França, Polónia e Itália, preocupação que a Rússia atenua, como inimiga comum.

Montenegro, ido dos EUA onde apoiou galhardamente a Seleção Nacional, com viagens extras do Falcon da Força Aérea, solidarizou-se com a Dinamarca e gabou-se de ter ultrapassado os 2% do PIB em Defesa. Portugal, a caminho dos 5%, já gasta 2,1%.

Não vi “rancor” em Trump e não estará em causa “de maneira nenhuma” a integralidade territorial de nenhum estado-membro da Nato, declarou Luís Montenegro.

A Nato uniu-se no apoio à Ucrânia e reforçou-se com um salto dialético, transformou-se em central de compras militares da UE aos EUA e opõe-se à nuclearização do Irão, com a bênção de Trump.


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