XXV Governo Constitucional – A piscina de Luís Neves e o burburinho mediático
XXV Governo Constitucional – A piscina de Luís Neves e o burburinho mediático
Não sou como o aniversariante que anteontem fez 87 anos, sem
uma notícia, uma missa ou um elogio dos que tanto lhe devem, o que nunca tem
dúvidas e raramente se engana.
Podem os factos vir a desmentir-me, mas as acusações ao
ministro Luís Neves parecem o ataque ad hominem a quem se tem pautado pela
postura democrática e, até à data, com excelente desempenho das funções
ministeriais, uma exceção neste governo.
Não sei se há contas a ajustar, se o conúbio do governo com
o Chega se sente ameaçado pelos principais cúmplices dessa deriva, a caminho da
extrema-direita, por um ministro que defende a democracia sem tibiezas, um caso
raro no executivo de Luís Montenegro.
Após dois anos sem MAI, primeiro com uma senhora que
tropeçava nas palavras e nas decisões e outra depois que fugia dos jornalistas
e dos problemas, Luís Neves foi o primeiro titular da pasta que não envergonhou
o Governo e que tranquilizou os cidadãos quanto aos desmandos das polícias.
Para além de algum desleixo em obras informais numa herdade
herdada pela mulher, há demasiado ruído para tão pouca substância. A alegada
piscina, pela área que a jornalista Sandra Felgueiras referiu, não passa de um
tanque para banhos com azulejos, e as obras parecem de pequena monta. Não estão
em causa as sumptuosas obras e os montantes de certa casa de Espinho de que o
País continua a aguardar esclarecimentos.
Não se nega à comunicação social o direito de escrutinar os
governantes e a obrigação de Luís Neves prestar esclarecimentos, mas o chinfrim
orquestrado pelo 4.º Pastorinho, André Ventura, a quem «de dentro do Governo»
lhe disseram que estava sob ameaça do governante, devia fazer soar as
campainhas de alarme.
Luís Neves não se desculpou com a mulher ou os filhos, não
transferiu a administração do monte, que é mesmo da mulher, para se esconder, e
até assumiu a amizade com o empreiteiro indigno dela e menos recomendável do
que muitos deputados do Chega.
Luís Neves é ministro de um governo pouco estimável e, até prova
em contrário, um cidadão que merece o benefício da dúvida depois de o PM garantir,
na AR, que tudo está melhor desde que chegou ao governo e o que não correu bem
é culpa dos bodes expiatórios do costume, o PS e esse radical de esquerda, José
Luís Carneiro.
Face ao que se sabia, não merecia os ataques que ontem sofreu
no debate do estado da Nação, na AR, no ambiente que a chegada da
extrema-direita degradou.
Temo que os ataques a Luís Neves tenham motivações partidárias
e que a investigação jornalística sirva de pretexto para o agravamento da
infiltração da extrema-direita nas polícias e para descurar a repressão contra
o terrorismo de extrema-direita, o único que em Portugal está ativo.
O País precisa de ser tranquilizado quanto a eventuais conexões partidárias do grupo comandado pelo ex-chefe da polícia municipal de Lisboa, que tinha armas, objetivos e alvos a abater e a respeito das investigações sobre o Movimento Zero dos polícias.

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