Carlos Fino - Um artigo necessário

 Carlos Fino

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Portugal comprou três fragatas a Itália. O que acrescentam à Marinha Portuguesa?
1) O que vai Portugal comprar com cerca de 3,9 mil milhões?
Com um investimento de aproximadamente 3,9 mil milhões de euros, Portugal comprou três fragatas FREMM EVO à italiana Ficantieri que serão comprados no âmbito do empréstimo europeu SAFE (Safe Action for Europe), no qual Portugal garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros.
O acordo entre os dois países foi assinado esta segunda-feira e prevê a aquisição de “três fragatas de última geração, sua sustentação, transferência de tecnologia e demais condições necessária à exploração operacional dos navios, ao longo do seu ciclo de vida, não inferior a 30 anos“, informa o Ministério da Defesa em comunicado.
2) Com quem concorria a Fincantieri?
Portugal tem vindo a preparar a renovação da sua frota naval, atualmente composta por cinco fragatas. Segundo informa a Marinha Portuguesa no seu site, três fragatas entraram ao serviço em 1991, enquanto as outras duas reforçaram a frota em 2009 e 2010.
Em março, o ministro da Defesa Nuno Melo não adiantava se Portugal ia comprar fragatas “italianas, francesas, holandesas ou espanholas” antes da conclusão do processo. Nos meses anteriores, tanto a francesa Naval Group como a italiana Fincantieri intensificaram contactos com Lisboa para promover as suas propostas.
O grupo francês Naval Group apresentou ao Governo uma proposta que previa um retorno industrial de cerca de 20% do valor do contrato para a economia portuguesa, embora não fosse conhecido o valor que pediam pelas fragatas FDI.
A Fincantieri/Marinha Itália trouxeram a fragata “Emilio Bianchi” a Lisboa, no âmbito de um Industry Day com empresas nacionais, para demonstrar as capacidades da plataforma e reforçar o seu posicionamento junto do Ministério da Defesa. Tendo inclusive, os ministérios de Defesa português e italiano assinado em novembro do ano passado declaração de intenções sobre cooperação, sobretudo com incidência na indústria.
Apesar de os franceses terem acreditado que a sua proposta ia superar a concorrência, na reta final da decisão a proposta italiana da Fincantieri acabou por prevalecer sobre a apresentada pelo construtor francês de navios e submarinos militares, detido maioritariamente pelo Estado francês e em mais de 30% pela Thales.
3) O que oferecem as fragatas?
Os navios que Portugal vai adquirir pertencem ao programa FREMM EVO (European Multi-Mission Frigate – Evolution), a versão mais recente da classe FREMM desenvolvida pelo grupo naval italiano Fincantieri, com presença na Europa, América e Ásia, e que opera 18 estaleiros com mais de 20 mil trabalhadores.
Face à versão original, as FREMMEVO incorporam os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos do grupo italiano, incluindo novos sensores, sistemas de combate e capacidades reforçadas para responder às ameaças emergentes. Entre as principais novidades estão sistemas mais avançados de defesa contra drones e mísseis, concebidos para aumentar a sobrevivência dos navios em cenários de elevada intensidade, pode ler-se no site da empresa.
Concebidas para operar tanto em águas costeiras como em mar aberto, as FREMM EVO destinam-se a cumprir um vasto leque de missões, desde vigilância marítima e guerra antissubmarina até operações de defesa aérea, proteção de forças navais e projeção de poder.
4) Quais são as suas características?
As três fragatas que vêm reforçar a Marinha Portuguesa contam com um comprimento total de 144 metros, um comprimento entre perpendiculares (distância horizontal exata entre a proa e a popa) de 132,5 metros e conta com 19,7 metros de largura máxima, refere a empresa no seu site.
Um dos principais atributos destas fragatas é a autonomia. A uma velocidade de cruzeiro de 15 nós (cerca de 28 km/h), conseguem percorrer aproximadamente 6.000 milhas náuticas — o equivalente a cerca de 11 mil quilómetros — sem necessidade de reabastecimento. A embarcação pode permanecer em operação durante até 45 dias consecutivos, permitindo participar em missões de longa duração no Atlântico, Mediterrâneo ou em operações internacionais da NATO e da União Europeia.
A embarcação de origem italiana tem um deslocamento com carga máxima de aproximadamente 6.500 toneladas — corresponde ao peso total da fragata quando está totalmente equipada para operar, incluindo combustível, armamento, tripulação, helicóptero e restantes sistemas a bordo.
Têm um calado de 5,10 metros — a profundidade a que o casco fica submerso —, o que lhes permite entrar em diversos portos e zonas litorais sem comprometer a estabilidade. Em velocidade máxima, conseguem atingir mais de 27 nós (cerca de 50 quilómetros por hora) utilizando as turbinas a gás, enquanto o modo de propulsão elétrica permite navegar a 16 nós, reduzindo o consumo de combustível e a assinatura acústica durante missões de vigilância ou guerra antissubmarina.
Cada fragata opera com uma tripulação base de 145 militares, mas pode acolher até 179. Essa capacidade permite embarcar destacamentos adicionais, como equipas de operações especiais, técnicos de manutenção, pessoal médico, elementos de comando ou militares destacados para missões específicas, conferindo maior flexibilidade operacional em cenários de crise ou operações multinacionais.
Dispõem ainda de um sistema de propulsão auxiliar que lhes permite manter uma velocidade de cerca de 7 nós em situações de emergência.
5) Para quando está prevista a entrega?
As três fragatas FREMM EVO deverão ser entregues à Marinha Portuguesa entre 2029 e 2030, segundo o calendário apresentado pelo Governo, que faz parte do acordo assinado entre Portugal e Itália.
A aquisição integra o programa europeu SAFE e será realizada através da linha de produção já em curso da classe FREMM EVO, permitindo acelerar a incorporação dos navios face ao desenvolvimento de um projeto totalmente novo.
6) Com esta aquisição, Portugal fica com quantas fragatas?
Com a aquisição das três fragatas italianas FREMM EVO, a Marinha Portuguesa passará a dispor de oito fragatas. Atualmente, a frota é composta por cinco navios: NRP Vasco da Gama, NRP Álvares Cabral, NRP Corte-Real, NRP Bartolomeu Dias e NRP D. Francisco de Almeida.
Com esta renovação, Portugal reforça a sua capacidade para cumprir missões de vigilância marítima, defesa antiaérea e antissubmarina, proteção de linhas de comunicação marítima, operações da NATO e da União Europeia e projeção de força em cenários de elevada intensidade.
A incorporação das novas fragatas permitirá ainda aumentar a disponibilidade operacional da Marinha, reduzindo a pressão sobre os navios atualmente em serviço.
7) Que investimento vai ser feito no Arsenal do Alfeite?
Um dos requisitos definidos pelo Governo para a compra das novas fragatas era o reforço da capacidade industrial nacional. Em março, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, revelou que a aquisição estaria condicionada a um investimento entre 150 e 200 milhões de euros no Arsenal do Alfeite, considerando que o retorno para a economia portuguesa seria um dos fatores determinantes na decisão final.
Para já, o Governo ainda não divulgou qual será o montante efetivamente investido no Arsenal do Alfeite ao abrigo do acordo celebrado com a italiana Fincantieri, nem detalhou o impacto económico que o contrato deverá ter para a indústria nacional.
Fonte: Radar



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