O Trump lusitano ou o 4.º Pastorinho do Algueirão

O Trump lusitano ou o 4.º Pastorinho do Algueirão

O 4.º Pastorinho nasceu para a glória há 9 anos.

Trazia do Seminário, das manhãs submersas, o afago e acompanhamento do seu diretor espiritual, que o orientou até aos dias de glória, e que só entrou na penumbra quando a diocese e suspendeu do múnus. Desde então, ignora-se quem é o seu diretor espiritual.

Nessa altura já o 4º Pastorinho brilhava nas televisões e no Parlamento, com o currículo de tonitruante comentador de futebol, condescendente inspetor tributário, luzidio trajeto académico e autodesignado enviado da Providência.

O ponto de partida foi em Loures, há 9 anos, depois de criado na incubadora de Cavaco e Passos Coelho. Foi aí parido, na maternidade do PSD, com a bênção do ex-gestor da Tecnoforma que Marco António e Miguel Relvas empurraram para S. Bento quando era o líder de turno do partido.

As declarações «incendiárias, racistas e xenófobas» contra os ciganos indignaram o País político, com manifestações de repúdio de todos os partidos, incluindo o PSD e o ora defunto CDS, quando este ainda tinha dirigentes democratas. Só Passos Coelho resistiu a retirar o patrocínio à sua cria.

O 4.º Pastorinho viu em Loures, o potencial do ódio como alimento e do ressentimento como combustível, com o País amnésico, maduro para novo Salazar, não o terceiro que diz necessário, mas o 4.º que julga poder vir a ser, mais de acordo com a sua categoria.

Depois, as tropelias do irrequieto Marcelo, residente em Belém, fizeram o resto para a rápida reprodução de devotos do 4.º Pastorinho, com o golpe urdido com a PGR, Lucília Gago, e sucessivas dissoluções da AR.

Foi nas eleições autárquicas de 2017 que o candidato do PSD à Câmara de Loures foi eleito vereador, cargo a que renunciou em 2018 para iniciar a caminhada sombria que o tornou a vedeta da extrema-direita lusitana, com lugar cativo para entrevistas exclusivas diárias multiplicadas por todos os canais.

É a vida.


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