Luís Montenegro e a independência de Portugal – silly season

Luís Montenegro e a independência de Portugal – silly season

Depois do aparecimento de Donald Trump na cena mundial como PR dos EUA e do seu regresso a um segundo mandato, qualquer PR ou PM nos parece normal, e Montenegro pode vir a ser citado como um grande líder, inovador e visionário.

Há de até ser celebrado pela capacidade de transformar uma sociedade imobiliária num lucrativo negócio familiar, sem comprar ou vender um só imóvel, e o que a História não apagará é o virtuosismo da Inteligência Artificial com a criação da Amália e com a sua capacidade de consagrar uma nova data da independência de Portugal.

Pode Portugal regressar aos défices, hipotecar as gerações futuras com gastos militares, espoliar os direitos dos trabalhadores por decretos-lei, arruinar a Segurança Social e o SNS, mas ficará a glória do Luís a tornar Portugal Maior e a dilatar a vetustez da Pátria.

Aprendi na escola primária que a independência de Portugal fora obtida em 1143 com o Tratado de Zamora, tornada legal após confirmação pela bula Manifestis Probatum do Papa Alexandre III, quando os Papas tinham o alvará para criar países, hoje reduzidos à criação de bem-aventurados, beatos, santos, bispos e cardeais. E não é pouco.

Ensinei isso aos alunos durante os anos de docência e acabo abalado pela capacidade inovadora do Luís. Nem Salazar foi tão longe, limitou-se a antecipar três anos para as Comemorações Centenárias de 1940, 800 anos da Fundação da Nacionalidade e 300 da Restauração da Independência (1640), o momento mais alto da propaganda do regime e da exaltação nacionalista da História e do orgulho nacional. Nem assim alterou a data da independência. Celebrou a glória da Pátria para despertar o fervor nacionalista que percorria a Europa que acabaria com o nazifascismo no poder.

O Luís não é apenas um génio inovador, é o governante cauto que sabe que não será PM em 2040 e quer celebrar a apoteose dos seus governos antecipando-se ao 4.º Pastorinho, com quem disputa a liderança da extrema-direita, no fervor patriótico.

O Luís foi buscar para si a glória de D. Afonso Henriques, que bateu na mãe e afastou a sua influência ao derrotar na Batalha de São Mamede, em 1128, o amante Fernão Peres de Trava, que governava o Condado Portucalense numa “joint venture, expressão ainda não inventada, com a D. Teresa, senhora sua mãe.

E, como cereja do bolo, o Luís serve-nos como comissário-geral um exitoso facilitador de negócios, Paulo Portas, para as comemorações dos 900 anos.

No 8.º centenário Salazar mandou organizar o evento político-cultural mais marcante do seu Regime, oitenta e oito anos depois Montenegro, se lá chegar PM, terá a sua consagração.


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