14 de julho de 2026 – Quero ser marciano!
14 de julho de 2026 – Quero ser marciano!
Ano após ano, neste dia, acordo a julgar que o som da
Marselhesa me convoca para um Viva a França, viva a República, com imagens do
filme Casablanca, às armas, às armas! e gritos de Liberdade, Igualdade e
Fraternidade.
Sou assim, republicano, laico e democrata, com os defeitos e
virtudes da 1.ª República, vagamente burguês no pensamento, com um inabalável
apego à liberdade, francófilo e europeu, e discípulo de Voltaire.
Recordo os Campos Elísios e o Arco do Triunfo e nunca me
lembro das tropas de Hitler a desfilar em Paris. E hoje lembrei-me, da França
Vichy, por mais distante que Macron possa estar, e está, mas belicista e, há
muito, descuidado nas companhias e na conduta.
Um presidente culto e sensível, conservador, é certo, vi-o
hoje, na foto que aqui deixo, a afirmar que “a França e a Europa devem defender
valores”, “mesmo que seja preciso derramar sangue”, e eu a ver a companhia, um
terrorista da Al-Qaeda, com experiência a espalhar terror, agora ao Eixo do Bem
e que há de gostar da democracia e do toucinho com igual entusiasmo.
E eu a pensar, que valores terá Macron em vista, um homem
que se julga com a estatura de De Gaulle e incapaz de ultrapassar a de Napoleão,
sem a grandeza do primeiro nem a bravura do segundo!
Para que raio de valores quererá Macron convocar-nos a
derramar sangue?
Na dúvida, perante tão suspeitos valores europeus, não quero ser europeu, quero ser marciano.

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