À margem da Cimeira da Nato (2)
À margem da Cimeira da Nato
O Parlamento Europeu aprovou, na quarta-feira, a emenda em
que critica a decisão de Zelenskyy de rebatizar uma unidade militar ucraniana
de elite com o nome de Exército Insurgente Ucraniano (UPA), unidade nazi da
Segunda Guerra que chacinou patriotas polacos, desencadeando uma disputa
diplomática com a Polónia, reincidindo na criação de anticorpos contra o seu
nacionalismo. A notícia passou despercebida em Portugal.
Com êxitos militares contra a Rússia, este irritante foi um
revés para Zelensky durante a cimeira em que brilhou, sem integrar a Nato,
enquanto Trump pensava mais em sair da guerra que iniciou no Irão, ao arrepio
da Europa e da Nato, do que em voltar à guerra na Ucrânia, guerra apoiada pelos
EUA, de que ele próprio decidiu sair.
A decisão do Parlamento Europeu beliscou a aura de
referência democrática e herói do Ocidente laboriosamente construída pelos seus
aliados e patrocinadores, nomeadamente pelas senhoras Von der Leyen e Kaja
Kallas que nutrem especial sedução por Zelensky.
Depois da acusação de um tribunal alemão sobre a autoria da
Ucrânia na sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, veias jugulares da
economia alemã, por onde circulava gás barato para a sua indústria, pode
tornar-se difícil justificar os gastos com o apoio à Ucrânia. O eleitorado de
qualquer país democrático é mais sensível ao seu bem-estar do que às questões
geoestratégicas ou ao direito internacional.
Estes revezes recordam que a Ucrânia, há quase cinco anos sob
ataque russo, apoiou há 1 ano, paradoxalmente, os ataques de Israel e EUA ao
Irão.
Não admirará que os países da UE, cujos média já anunciam o
colapso da Rússia, entre a crise económica e o dever de reconstruirem a Ucrânia
sejam menos generosos na sua reconstrução do que têm sido na manutenção da
guerra cujas negociações recusaram.
Na desejada adesão à União Europeia, que se promete para breve, há, aliás o justificado receio da adesão de mais um país que, à semelhança da Hungria, Polónia e Roménia, não seja um modelo de democracia.

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