Marcelo Rebelo de Sousa e o seu legado para a História
Marcelo Rebelo de Sousa e o seu legado para a História
Marcelo jamais suscitou dúvidas sobre a proveniência dos seus
bens ou a integridade da conduta em relação aos rendimentos. Ninguém duvida de
que o exercício da presidência da República foi ruinoso para quem prescindiu dos
rendimentos de pareceres jurídicos, catedrático, comentador e jornalista e
ficou reduzido ao vencimento da função (PR).
É o habitual na generalidade dos titulares dos mais altos
cargos do Estado, quase todos capazes de obter mais pingues remunerações fora
da política.
Marcelo foi, e é, a esse respeito, irrepreensível. As
dúvidas são de outra natureza, sobre a seriedade política e a ética do árbitro
do regime que se tornou líder de fação partidária. As críticas são dirigidas ao
seu carácter e à militância do opositor à descriminalização da IVG e à
regulamentação da lei da eutanásia.
A censura é ao narcisismo, ao exibicionismo doentio, à
pulsão intriguista e às tropelias de que foi capaz para destruir uma maioria
absoluta e levar o seu partido ao Governo e, por desgraça sua e dos
portugueses, um Governo presidido por Luís Montenegro.
A lamentável ideia de trazer para a praça pública a
exiguidade dos bens de Marcelo não foi para provar a sua honestidade, desse
ponto de vista inabalável, foi pôr em causa, por contraste, a honradez dos
políticos como se fosse uma exceção. Só assim se compreende que fosse o
Observador, o mais sólido promotor de ódio aos políticos, o primeiro a fazê-lo.
Mas o que parecia um elogio, era um anátema.
Como é possível, com tamanhas remunerações, terminar a vida
ativa com o património de 185.000 euros, um automóvel Mercedes com mais de dez
anos, sem casa própria, a viver numa casa arrendada no centro de Cascais?
A receber 157 mil euros brutos por ano, 11.200 mensais, 14
vezes por ano, como PR, ainda dissipou metade do património! Como vai agora
viver com uma pensão de 6.450 euros, 90.300 euros anuais quando, por
exibicionismo, prescindiu da pensão de PR?
Neste país, com cidadãos invejosos e mesquinhos, anseia-se saber
a origem da riqueza de cada político. Neste caso exige-se averiguar em que gastou
o perdulário, insensato e estouvado, o que recebeu quando já não tinha filhos
ou mulher que lhe dessem despesa.
Talvez seja uma investigação necessária para explicar o
desequilíbrio que o compromete na efetiva explosão da extrema-direita e na possível
implosão da democracia.
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