Os fracassos do PSD e a democracia

Os fracassos do PSD e a democracia

Os melhores quadros do PSD nunca conseguiram chegar à liderança do governo, o que é preocupante porque os fracassos do PSD são também do País. E isso acontece porque os partidos com aspirações governamentais, PSD e PS, até há pouco, elegem líderes de transição quando os ciclos eleitorais auguram demora na chegada ao poder.

Foi assim que Passos Coelho chegou a PM depois da frustrada gestão da Tecnofoma, ao chumbar o PEC IV, empurrado por Miguel Relvas e Marco António. E a sina repetiu-se com Montenegro, próspero advogado intermediário de negócios com uma nebulosa empresa imobiliária, quando o PR, desesperado por não conseguir levar o seu partido ao Governo, acelerou os ciclos eleitorais graças ao criativo golpe, urdido em Belém, com a PGR Lucília Gago.

Luís Montenegro chegou assim a S. Bento, e passou a gerir o Governo como se de uma empresa se tratasse, encontrando-se agora exausto, de erro em erro, com as Finanças do País depauperadas, o futuro ameaçador e um prenúncio de fim de ciclo.

Sempre que as coisas estão a correr mal num ministério, acabam por correr pior noutro, em infindável sucessão de experiências fracassadas e escolhas partidárias perniciosas.

Depois de dois anos em clima eleitoral, já sem pretexto para provocar novas eleições e pedir maioria absoluta, reforçou a propaganda. Foi para isso que Sebastião Bugalho, ex-militante do CDS, eurodeputado disputado ao Chega, foi promovido a vice-presidente no 43.º Congresso do PSD e depois nomeado seu porta-voz em teletrabalho.

O emigrante em Bruxelas passou a porta-voz cá dentro e, por erro seu e do próprio PM, o País ignora se é o Governo que transferiu a sede para a R. de São Caetano ou o PSD para o Palácio de Belém.

Bugalho, estreou-se nas funções de porta-voz do PSD a anunciar a chamada do líder do PS, José Luís Carneiro, ex-MAI, ao Parlamento, para dar explicações sobre o aumento da população estrangeira. Para vergonha sua, o PSD contrariou-o ou ignorou-o.

Falhando como porta-voz do PSD passou a responder pelos ministros, de forma ruidosa e esbracejante, como é hábito. Acabou a anunciar o pagamento de horas extraordinárias aos professores, chamados a corrigir os pontos de exame, como se não fosse obrigatória a remuneração e fosse o partido, não o Governo, a pagar-lhes o que é devido.

Enquanto a ministra da Saúde a vai privatizando e a do Trabalho se dedica ao ataque à Segurança Social e à reversão da derrota da legislação laboral, as obras nas herdades do MAI, no Alentejo, fazem esquecer as da casa do PM, em Espinho.

E o Governo, depois de se aliar ao Chega, procura agora satisfazer a Iniciativa Liberal, com más decisões, enquanto acusa o PS e o Chega de se aliarem contra si.

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