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Notas Soltas – janeiro/2020

Austrália – Perdas de vidas humanas, cinco milhões de hectares de floresta ardida e estimativas que apontam para a morte de 500 milhões de animais, entre os quais 30% da população de coalas, são a antevisão da tragédia dantesca de um futuro que nos espera. EUA – A decisão de assassinar um alto dirigente de uma teocracia pouco recomendável, não menos do que a da Arábia Saudita, foi uma provocação imprudente e um crime sem atenuantes. Trump tornou-se o homem mais perigoso do Planeta. Donald Trump – Os presidentes dos EUA, por maiores que fossem os protestos às suas decisões políticas e invasões militares, eram previsíveis e, de certo modo, confiáveis. O atual, na sua imprevisibilidade e irracionalidade, mantem o mundo alarmado. Iraque – A tensão criada pelo assassinato de um general iraniano, ordenado pelo PR dos EUA, um indivíduo capaz de tudo, conduz cada vez mais países a tomarem decisões de consequências imprevisíveis e a poderem precipitar uma guerra à escala global...

Viva o 31 de Janeiro!

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Delação premiada, ética e as minhas limitações

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Há tão grande excitação em torno de um larápio de dados informáticos que exigirá uma venera para o autor como reparação da injustiça da sua prisão preventiva. Talvez a minha hierarquia de valores esteja a precisar de aferição e os princípios éticos divirjam do senso comum, quiçá por um exacerbado apego aos direitos individuais e ao respeito pela inviolabilidade do domicílio, ou por rudimentar conceito de cidadania. Não consigo compreender que alguém que invada domicílios e se aproprie de bens que, afinal, eram fruto de crimes ou documentos que os provem, possa ser ilibado do assalto, reabilitado como cidadão e incensado como herói. Afinal, ele não roubou, furtou, e só lhe faltou a legitimidade policial com o respetivo mandado judicial, meras burocracias. Sem preparação jurídica nem sensibilidade para avaliar a dimensão dos benefícios que o furto pode prestar à sociedade, refugio-me no conceito rudimentar de que o furto é um roubo, quem rouba é ladrão e quem defende ladrões é ...

O último despacho de um crápula

Na manhã do 25 de Abril, antes do julgamento que ia ter lugar, o desembargador Morgado Florindo exarou, depois de um telefonema direto que fez à DGS, um despacho com o seguinte teor: «Tendo a Direcção-Geral de Segurança comunicado telefonicamente a impossibilidade de assegurar a condução dos réus a este tribunal, devido ao Movimento das Forças Armadas, adio “sine-die” o julgamento».

Quando terá lugar a homenagem a Marcelo Caetano?

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Ontem, quando passaram dois anos sobre a morte de Edmundo Pedro, senti a infâmia da homenagem a Antunes Varela, o ministro da Justiça da ditadura, de agosto de 1954 a setembro de 1967, e percorri esses 13 anos em que o poder do ministro era enorme e os desmandos da ditadura obscenos. Não digeri ainda a homenagem de que foi alvo, com encómios da ministra da Justiça, ao universitário e jurista, e o assustador entusiasmo do discurso do presidente do STJ. Recordei Dias Coelho, assassinado a tiro numa rua de Lisboa, Humberto Delgado morto em Espanha, as prisões de Caxias, Peniche, Aljube e Tarrafal. Antunes Varela nomeou juízes para os Tribunais Plenários, silenciou torturas e assassinatos da ditadura, a censura, as prisões arbitrárias, as penas de degredo, as violações de correspondência, as medidas de segurança, enfim, foi dos cúmplices mais próximos do ditador e de poder vir a substituí-lo, e teve a homenagem do presidente do STJ e da impoluta ministra da democracia que, no di...

Auschwitz – 27 de janeiro de 1945 – 75.º aniversário

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O campo de concentração de Auschwitz era, em boa verdade, uma rede de campos de extermínio no sul da Polónia, gerida pelo Terceiro Reich e colaboracionistas polacos, com 45 campos satélites. Foram gaseados aí 2,5 milhões de homens, mulheres e crianças, e mais 500 mil mortos à fome e de doença até à libertação dos sobreviventes, em 27 de janeiro de 1945, com a entrada das tropas soviéticas. Hoje é o 75.º aniversário do dia comemorado mundialmente como Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, assim designado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Em Auschwitz foram metódica e friamente exterminados três milhões de judeus, metade do total com que Hitler quis erradicar um povo, com a sua demência xenófoba, a crença de que os arianos eram uma raça superior e o nazismo a nova religião. Para lá do horror e da perversão, é apavorante a quantidade de fanáticos que o nazismo criou, o indiferentismo a...

Jantar de 31 de janeiro de 2020 – Coimbra – às 19H30

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Evocação do 31 de Janeiro de 1891 A primeira tentativa de revolta republicana contra a monarquia teve lugar no dia 31 de janeiro de 1891, a partir do Porto. Apesar de gorada nos seus objetivos fundamentais, é uma das datas mais emblemáticas do calendário republicano. Tal tem sido assinalado, ano após ano, na cidade de Coimbra, por um grupo de republicanos mais atento, que se recusa a deixar esquecer a efeméride. Assim, convidam-se todos aqueles que queiram reunir-se num jantar para partilha de ideias e reflexões, geradoras de um debate construtivo, sobre este tema ou outros da nossa República. Restaurante – O Alfredo, Av. Dr. João das Regras – Santa Clara - Entradas; Filetes com arroz de feijão + espetadas de porco; Sobremesa; Café; Vinhos, águas, sumos ou cervejas. PREÇO: 16 euros As inscrições deverão ser realizadas até ao dia 28 de janeiro para o email: anabela8@hotmail.com ou pelo TM 917 322 645 A comissão promotora: Alice Monteiro Valente Anabela Monteiro Ca...

CDS – Uma OPA bem-sucedida

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O CDS que Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa fundaram já não existia, mas é a revolta dos herdeiros contra os fundadores que ora se confirma com a vitória da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Juventude Popular (JP), nada de centrismos, sobre o que resta do partido. O Chega deixou de estar sozinho no espaço que se alarga na Europa e que em Portugal começou a dar os primeiros passos nas últimas eleições legislativas. O VOX espanhol passou a ter dois partidos homólogos portugueses, o Chega e o CDS, este a precisar de mudar de nome. Francisco Rodrigues dos Santos é um jovem inteligente, ambicioso e reacionário, um brilhante exemplo dos líderes que têm aberto caminho ao retrocesso civilizacional, no regresso os anos Trinta do século passado e ao advento dos totalitarismos de direita. Quando Pires de Lima falou em democracia e tolerância, foi vaiado. Os congressistas pareciam toiros enfurecidos nas ruas de Pamplona ou talibãs a verem Meca invadida por porcos. A partir daí ...

Factos e documentos

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A propaganda anticomunista da ditadura fascista

As próximas eleições presidenciais

Enquanto Marcelo hesita se vai recandidatar-se ou não, quando o país sabe há muito que o fará e que aguarda o fim do ano para o anunciar, saem da toca os intriguistas e ressentidos do costume a procurar desestabilizar os partidos onde se viram preteridos. É natural que o PCP apresente o seu candidato, como sempre fez, que o BE avance com Marisa Matias, que terá mais votos do que o partido e ajuda a segurar o eleitorado. O PSD terá de se render a Marcelo e o PS pode não ter alternativa, mas o CDS, em vias de extinção, tem cinco candidatos a líder, 1 por cada deputado, quer mostrar que existe colocando-se contra Marcelo. André Ventura, o aventureiro que se converteu em chefe de um bando de marginais de extrema-direita vai apresentar a sua candidatura e terá aí a apoteose num eleitorado marginal seduzido por apelos racistas, xenófobos e populistas. Não será surpresa o número excessivo de votos que vai conseguir. Lamenta-se que não haja uma alternativa credível a Marcelo, que os cand...

Memórias da Guarda – Minicrónica

Na Escola do Magistério houve um curso facultativo de Defesa Civil do Território que era obrigatório. Parece um paradoxo, e foi realidade para todos os alunos. Era promovido pela Legião Portuguesa, comandada na Guarda pelo ten. cor. Matos, e ministrado pelo filho deste, o médico Piçarra de Matos, e um legionário que fazia as demostrações práticas, o único homem regente escolar que conheci, sem posto escolar. Não me inscrevi para ouvir noções de primeiros socorros e aprender a colar papéis nas janelas em caso de bombardeamentos aéreos. Fui chamado ao diretor, Armando Saraiva de Melo e, pelo tom da pergunta, manifestei vontade imediata de me inscrever, e desisti de uma hora semanal de namoro para ajudar a ganhar a vida ao filho do ten. cor. Matos. No dia do ‘exame’, cuja nota era irrelevante para o curso, as respostas foram escritas no quadro e todos tivemos 100% de respostas certas e 16 valores, menos eu, que tive 15, e demorei a perceber a honra da exceção. Quando fui dar aulas...

Divagando sobre sindicalismo

A minha experiência, antes e depois do 25 de Abril, não me permite duvidar do carácter político dos sindicatos, inerente à sua ação, nem dos perigos para os trabalhadores se os seus dirigentes avaliam mal a correlação de forças ou o aventureirismo os (a)trai. É o conhecimento das virtudes e dos perigos da natural politização que me leva a negar o direito de sindicalização a magistrados, membros dos órgãos de soberania, militares e, com dúvidas, a polícias. Voltarei a este assunto mais vezes, por dever cívico, na defesa da democracia que me serve de referência. Hoje, é a demissão de Carlos Silva da liderança da UGT que me move. A sua demissão é irrelevante, pois não parece que fosse um sindicalista quem, segundo as suas palavras, devia o que era ao ex-banqueiro Ricardo Espírito Santo, a quem pediu aconselho (ou autorização?), antes de assumir a liderança da central. O que me surpreende é que alegue como razão para a sua demissão, não a falta de apoio  do patrão, mas a do PS. É...

Há 3 anos Donald Trump tomou posse como 45.º PR dos EUA

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Consummatum est.   Com a tomada de posse de Donald Trump, ficou desimpedido o caminho do abismo. Nunca um presidente americano tinha ido tão longe na renúncia aos acordos internacionais, na irresponsabilidade dos seus atos e na imprevisibilidade das decisões. Com a insensibilidade de um batráquio e a visão política de um empreiteiro, o mundo é hoje um lugar menos seguro e o seu futuro mais incerto. Tudo o que podia correr mal, correu ainda pior e da pior maneira (lei de Murphy), e não há garantias de que a sua permanência no cargo não venha a repetir-se. O ocaso do único império arrasta para a tragédia a Humanidade. Não admira, pois, que a memória do antecessor surja expurgada e apareça como a pomba em cujo ninho pousou um falcão.

A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) à beira de um novo cisma

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A alegada luta entre Bento XVI (B16) e Francisco (F1) é apenas a ponta do iceberg que emerge depois do funesto pontificado de JP2, que os corifeus da direita mais reacionária incensaram, e da continuidade de um papa muito mais inteligente e arguto, que o temor da Cúria fez abdicar da tiara sem renunciar às crenças. O cardeal guineense Robert Sarah, que JP2 nomeou arcebispo aos 34 anos, é um clérigo profundamente reacionário. Foi apoiado pela ala mais retrógrada dos cardeais para ser o primeiro papa negro, mas um discreto jesuíta atravessou-se nos seus desígnios. Quem vê a Igreja católica sul-americana, com bispos progressistas, em contraste com o clero espanhol, italiano, húngaro, polaco, austríaco ou francês, percebe que não há só a luta pelo poder, mas um confronto ideológico que passa pela sociedade profana, onde se jogam posições geoestratégicas e a consolidação de uma direita neoliberal e fascistoide, que conquistou os EUA e grassa em numerosos países europeus. Francisco f...

A vitória de Rui Rio e o PSD

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A vitória esperada de Rui Rio é mais uma derrota para Cavaco, Passos Coelho, Miguel Relvas, Marco António e Maria Luís. Montenegro teve melhor imprensa do que Rui Rio, tal como, há anos, Francisco Assis em relação a António Costa. Enquanto der jeito à direita mais à direita, os adversários têm a comunicação social à disposição, e equiparar Rui Rio a Montenegro é comparar António Costa a Passos Coelho, Mário Centeno a Maria Luís e Sampaio a Cavaco. Rui Rio é um político que prefere a genuinidade de se apresentar como é, com os seus méritos e debilidades, à hipocrisia de imitar os adversários, que escondem a vacuidade de ideias, a leveza ética e a avidez do poder. Dito isto, a vitória de Rui Rio é o pior que acontece à esquerda. O ciclo político, que lhe é desfavorável, torna precária a vitória, e a alternância, que será tanto mais rápida quanto maiores forem as lutas fratricidas da esquerda e as dificuldades da economia mundial, vão encontrar a direita radical no PSD. O País já ...

Ary dos Santos – 18-01-1984 (F.)

Há 36 anos apagou-se a voz do poeta que a morte levou aos 46. Ficaram versos e aquela sonoridade inconfundível de quem os dizia como ninguém, sons que resistem enquanto for nosso o tempo que tivermos e a memória que carregamos dos poemas que escreveu. Exuberante, intenso, lapidar na forma e na substância com que fez da poesia arma e dos versos balas, Ary dos Santos continua vivo nas canções de Simone de Oliveira, Amália, Carlos do Carmo e Fernando Tordo. Retrato do Herói Herói é quem num muro branco inscreve O fogo da palavra que o liberta: Sangue do homem novo que diz povo e morre devagar de morte certa. Homem é quem anónimo por leve lhe ser o nome próprio traz aberta a alma à fome fechado o corpo ao breve instante em que a denúncia fica alerta. Herói é quem morrendo perfilado Não é santo nem mártir nem soldado Mas apenas por último indefeso. Homem é quem tombando apavorado dá o sangue ao futuro e fica ileso pois lutando apagado morre aceso. Ary dos Santos, in ...

Miguel Torga – 25.º aniversário da sua morte

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A maior homenagem que se pode prestar a este transmontano, cujo rosto tinha esculpida a dureza da vida da terra onde nasceu e dos sítios por onde andou, é reler a vasta obra de um dos maiores e mais fecundos escritores portugueses do século XX. O médico, poeta e contista, deixou nos seus Diários, em prosa e verso, o testemunho de um criador literário de notável gabarito. Ali, na Portagem, em Coimbra, a ver da janela do seu consultório a estátua de Joaquim António de Aguiar, pensou e escreveu páginas que merecem ser abertas à fruição de quem ama a língua e a literatura portuguesas.   BRASIL Brasil onde vivi, Brasil onde penei, Brasil dos meus assombros de menino: Há quanto tempo já que te deixei, Cais do lado de lá do meu destino! Que milhas de angústia no mar da saudade! Que salgado pranto no convés da ausência! Chegar. Perder-te mais. Outra orfandade, Agora sem o amparo da inocência. Dois pólos de atracção no pensamento! Duas ânsias ...

É preciso avisar a malta

Um dia deparei com o José Manuel Tengarrinha na televisão e deixei-me ficar a ver um amigo com quem tive uma forte e recíproca amizade e simpatia. Ele gostava do humor e sarcasmos com que eu mimoseava o clero e o regime, e eu admirava-lhe a inteligência, a cultura e a coragem do resistente antifascista. Sabia das torturas, prisões e perseguições a que fora sujeito. Queria ouvir o que sabia e o que poderia revelar. Como interlocutor, pasme-se, tinha um ex-inspetor da Pide. Ao que se sujeitou o Zé Manel, debater com um torcionário a história do regime, a infâmia da ditadura, quarenta e oito anos de censura, prisões arbitrárias, torturas, assassinatos na via pública, massacres em Moçambique e S. Tomé, cárceres horrendos, guerra colonial, violações de correspondência, partido único e as tropelias de que o fascismo foi capaz. Em determinado momento, o Pide, com ar de gozo, disparou-lhe que o tratamento não seria assim tão mau como ele, Tengarrinha, dizia, porque tinha um ótimo aspeto. S...

Crónica – Memórias da juventude

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Quando em 1961, ido da Guarda, fui colocado no Bairro dos Penedos Altos, na Covilhã, logo surgiram convites habitualmente destinados aos professores. O primeiro, com tratamento de V. Ex.ª, que me faria duvidar do destinatário, não fora a coincidência do nome, foi recusado. E os seguintes. Não me interessavam e eram pouco recomendáveis as origens. Em abril de 1963 o Papa João XXIII tinha publicado uma encíclica destinada não só aos fregueses, mas a todos os homens de boa vontade, as mulheres não mereciam referência. Recebi o convite para um colóquio, tal como as 15 docentes daquela escola onde era eu o único homem, com alusão ao tema a discutir, a Encíclica PACEM IN TERRIS. Dessa vez, por razões que o Diabo explicará, compareci à hora e no local que o convite, subscrito por um padre S. J., indicava. Um padre, culto e comunicativo, dissertou sobre a encíclica, em termos encomiásticos, e pôs o tema à discussão. Retivera que o Papa pedia aos países ricos que ajudassem os países pob...

Vaticano – A guerra dos papas

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Quando o Papa Francisco procurava timidamente abrir vagas a homens casados, isto é, normais, para o múnus eclesiástico, saiu um livro com o pensamento do antecessor que, receoso da Cúria, renunciou aos sapatinhos vermelhos, à tiara e outras mordomias, num gesto sem precedentes nos últimos seis séculos, desde 1415. Francisco anunciara que na Amazónia poderiam ser ordenados padres casados, o que já acontece com trânsfugas de outras fés cristãs, mas Ratzinger, pastor alemão, conhecido por Rottweiler de Deus, surgiu como coautor de um livro, com um cardeal, a defender o celibato como virtude irrenunciável. A três meses de fazer 93 anos, inteligente, culto e indesejável, afirma que não autorizou a inclusão do seu nome no livro, com o cardeal guineense Robert Sarah, mas o mestre da dissimulação e hipocrisia, afirmou ter autorizado a publicação dos textos. Esta facada nas costas do Papa Francisco, que tratou o desertor com desvelo e respeito, está à altura da Cúria, que não tem cura, ...