terça-feira, janeiro 31, 2006

Fanatismo islâmico

Em tempos, foi o catolicismo que saía das missas para as fogueiras onde, em euforia mística, incinerava hereges, apóstatas e ímpios, com bruxas à mistura e judeus que tivesse à mão.

Hoje, é o islão, intolerante e radical, que fanatiza os crentes e promove a violência.

A Noruega e a Dinamarca, países ricos, cultos e civilizados, onde os autóctones não têm por hábito virar-se para Meca, nem matar o ócio com cinco orações diárias, publicaram caricaturas de Maomé a quem uma viúva rica e os camelos permitiram vida desafogada.

O Diário de Notícias refere como a Noruega e a Dinamarca são alvos da ira dos países islâmicos pela publicação destas caricaturas.

A blasfémia é para o islão um pecado que exige a pena de morte. Para quem, ainda há pouco, assassinou a cineasta Theo van Gogh e procura agora impedir a liberdade de expressão, não há limites à violência para ganhar o Paraíso.

A Revolução Francesa libertou a Europa da tutela eclesiástica, conduziu à Declaração Universal dos Direitos do Homem e à implantação da democracia.

Não pode agora capitular perante a agressividade do fanatismo e as ameaças do islão.

A blasfémia pode ser pecado mas não é crime.

Transição presidencial

Começou a transição pacífica entre Presidentes
(Título do Diário de Notícias, hoje).

Mas alguém esperaria que Jorge Sampaio se barricasse com uma metralhadora e Cavaco tivesse de investir com um morteiro?

31 de Janeiro


Como forma de assinalar, neste dia 31 de Janeiro que hoje estamos a viver, os 115 anos decorridos sobre a revolução republicana de 1891, deixo-vos aqui uma imagem (gravura publicada na revista Illustração) onde se documenta a proclamação do novo regime feita a partir da varanda da Câmara Municipal do Porto, bem como o modo como então se saudou e festejou aquela vitória da liberdade -- ainda que efémera, como dolorosamente se viu logo depois...! --, com chapéus e bengalas ao alto...

Mas, a 31 de Janeiro de 1908 -- há que recordá-lo aqui também --, em plena ditadura de João Franco, depois de esmagada a reacção revolucionário republicana de 28 de Janeiro, o rei Carlos I assinou um decreto que conferia ao ditador poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar, sumariamente (ie: sem processo judicial), qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo ou de mera insubmissão ao regime e ao governo, decreto esse que terá motivado o atentado regicida levado a cabo no dia seguinte...

Saudações republicanas e laicistas.

Luis Mateus

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A vitória do Hamas (2)

«No soy un político, sólo soy un soldado, un militante. Me sé de memoria nuestra Carta fundacional. El artículo 8 nos dice que el Corán es nuestra Constitución, la yihad nuestro método, morir en nombre de Dios es nuestro deseo más querido y nuestro objetivo es liberar Palestina, que es un bien musulmán».

Ali, 18 anos, Hamas – Artigo de Tahar Ben Jelloun «La Vanguardia», hoje


A Vitoria do Hamas foi um sério revés para a paz e uma humilhação para a política externa das potências ocidentais. As primeiras vítimas são os palestinianos.

A consequência seguinte é o reforço da direita religiosa e sionista de Israel com o aumento do protagonismo dos judeus de trancinhas à Dama das Camélias enquanto o fundamentalismo islâmico rejubila em todo o Médio Oriente.

Uns exibem a Tora, outros debitam o Corão. Uns e outros julgam-se o povo eleito a quem Deus concedeu o direito à Palestina. Os livros sagrados são escrituras passadas pela Conservatória do Registo Predial Celeste. A espiral de violência ameaça continuar e agravar-se.

A civilização árabe é uma civilização fracassada que apenas produz petróleo e terrorismo. A globalização em curso – goste-se ou não dela –, é uma ameaça a que o islão responde com o desespero e a violência de um animal ferido e moribundo.

Em 1979, a vitória do «ayatollah» Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio-Oriente e sectores árabes e não árabes de países democráticos.

Em 1992, a F.I.S. (frente islâmica de salvação) ganhou as eleições na Argélia e o poder foi-lhe recusado por um gole militar. É pela repressão que tem sido contido o fanatismo. O islão é um plágio do cristianismo que não conhece a cultura helénica nem o direito romano.

A invasão do Iraque foi um crime irreflectido que agravou a situação. A Palestina e o sionismo agressivo têm contribuído para alimentar a onda de violência.

A miséria e as humilhações são, de facto, uma bom pretexto para a revolta mas constituem a pior forma de alcançar a paz e obter o progresso. O maniqueísmo instalou-se na Palestina e divide o povo entre bons e maus muçulmanos, sendo os primeiros os que se oferecem como suicidas, querem erradicar Israel, impor o Corão como Constituição e usar a jihad como método.

Para já, os bons estão a vencer, o que é mau.

A morte é o desejo de todos os desesperados. Às vezes são bem sucedidos.

domingo, janeiro 29, 2006

Instabilidade partidária

«Nos próximos tempos é o PS que vai sofrer grandes tensões, depois é a vez do PSD com os militantes a hesitar entre Belém e a Rua de S. Caetano, à Lapa».

A eleição de Cavaco Silva, ainda antes da sua posse, já começa a causar perturbação nos aparelhos partidários.

Não é o futuro PR que está implicado, são as consequências da dinâmica de direita que um sector cavaquista quer capitalizar em seu proveito enquanto a esquerda rearruma as forças e lambe as feridas da derrota.


À direita a perturbação começa cedo:

- António Borges (V/ artigo da Visão) já se perfila para líder do PSD;

- Passos Coelho demite-se da direcção do PSD em Conselho Nacional tenso;

- No CDS, os doze deputados (número eventualmente inferior ao dos eleitores) são adversários do líder Ribeiro e Castro.

- A direita espera ordens de Belém e, para já, deixou de respeitar os líderes dos seus partidos.

A extinção do serviço militar obrigatório


O Governo de Durão Barroso/Paulo Portas, perante a habitual indiferença da generalidade da sociedade portuguesa e a prévia anuência de todos os partidos, com excepção do PCP, pôs termo ao Serviço Militar Obrigatório (SMO).

Foi um erro e uma insensatez que apenas alegrou as juventudes partidárias, numa altura em que a guerra injusta e a ditadura responsável tinham terminado há quase três décadas.

Foi uma decisão legal mas tão disparatada como a compra de dois submarinos que o almirante Fuzeta da Ponte aconselhou ao ministro que não foi à guerra.

A democracia portuguesa não é uma conquista irreversível. Não há conquistas definitivas. Por isso defendi o SMO para ambos os sexos. Inutilmente.

SMO não significava a incorporação de todos os jovens. Era um serviço cívico, instrumento de coesão nacional, e o aproveitamento de competências técnicas civis de que as Forças Armadas (FA) eram depositárias.

Não penso que as FA possam voltar a ser a guarda pretoriana duma ditadura, mas deixaram de ser o instrumento de coesão nacional que a origem diversificada dos recrutas, sob o ponto de vista geográfico e cultural, assegurava.

Para desgraça do país e vergonha dos que se vangloriaram de ter assinado a certidão de óbito do SMO, não há voluntários suficientes, não se recrutam os desejáveis, minguam os recursos financeiros para atraí-los e aumentam os efectivos da função pública em época de austeridade.

Podem limpar as mãos à parede.

sábado, janeiro 28, 2006

Quem fiscaliza as autarquias?


Penso que os sucessivos Governos são vítimas de ataques excessivos e que estão longe de ser as associações de malfeitores de que os meios antidemocráticos os acusam.

É nas autarquias que o nepotismo, o poder discricionário e a venalidade mais se fazem sentir.

Para além dos casos que a justiça traz à luz do dia, há todo um mundo de suspeitas que gira à volta do triângulo, autarquias, construção civil e futebol, que corrói o capital de confiança depositado no poder local.

Quando oiço falar em mais poderes para as autarquias, não consigo evitar um surto de brotoeja e pensar que a regionalização (cinco regiões) que se não faz é a vergonha do regime, incapaz de cumprir a Constituição e de dar coerência à divisão administrativa do País.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Crise na justiça

O discurso de Duarte Lima, proferido ontem, teve consigo a unanimidade da Assembleia da República e as palmas de todas as bancadas, com excepção do PCP.

Um dos mais argutos e, quiçá, o mais culto deputado do PSD, pôs o dedo nas feridas que ameaçam gangrenar o sistema judicial.

A legitimação democrática do poder judicial, permeada por interesses corporativos, exige que a Assembleia da República legisle sem constrangimentos ou intromissões do poder judicial. Tão importante como a independência do poder judicial – imprescindível para a democracia – é o livre exercício da competência legislativa do Parlamento e Governo.

A juntar ao discurso de Duarte Lima, que sentiu na pele um longo processo judicial que o absolveu, perante o abandono do seu próprio partido, tivemos ontem, também, a defesa de um «catálogo» para as escutas feita por Jorge Sampaio com o equilíbrio e mérito que se lhe conhece na matéria.

As escutas, com o trauma ainda não vencido do regime totalitário que vigorou até 1974, exige um controlo democrático que não se compadece com o poder discricionário a que parecem ter sido abandonadas.

Surpresa na Palestina

A vitória do Hamas não pode ter deixado de surpreender mesmo os mais pessimistas.

Um movimento armado, que se caracteriza pelo radicalismo, responsável por ataques suicidas, instigador do terrorismo e incapaz de aceitar a existência de Israel, vem dar força ao sionismo e deslocar o centro de gravidade política de Israel para a direita.

Os movimentos islâmicos radicais serão tentados a prosseguir a via da violência e o desígnio de derrotar o grande Satã, no fundo contestar os direitos, liberdades e garantias que as democracias soem garantir.

Os EUA, a Europa e a própria Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) foram apanhados de surpresa. Os ódios são de facto profundos, a Bíblia e o Corão não foram ditados pelo mesmo Deus e o povo eleito varia conforme o livro sagrado.

«Bush afirmou ainda que espera que o actual presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas se mantenha no cargo apesar do Hamas ter vencido as eleições» - diz a TSF.

Mais uma vez a política externa americana falhou e a instabilidade no Médio Oriente tende a agravar-se, sem uma solução à vista.

Resta-nos a esperança de que, tal como em Israel, na Palestina os falcões do Hamas se convertam em homens de Estado e reconheçam que a violência não é um fim.

Nem o fim de Israel é o caminho para a paz.

Decisão insólita

Independentemente do acerto da decisão, que está longe de transitar em julgado, a prudência e a jurisprudência aconselham os deputados a reflectir sobre a leviandade com que retalharam concelhos e freguesias num regabofe eleitoral ao sabor de caciques.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Onde mora a opinião pública?


A recta final das presidenciais é o momento certo para fazer coisas que, noutra altura, dariam muito nas vistas. Ficámos a saber pelo DN que a Universidade Moderna pretende alienar os terrenos onde funcionam as sua intalações.

Estes terrenos situam-se junto ao mar, a umas centenas de metros do CCB. Destinam-se à construção de um condomínio de luxo. São provavelmente os melhores terrenos disponíveis para construção actualmente existentes em Lisboa.

O DN não disse que estes terrenos foram cedidos à cooperativa Dinensino pelo Estado para serem usados pela universidade. Não para serem usados para este fim.

Seria interessante saber os detalhes da cedência. Estão a mexer no nosso património. Nos nossos bolsos. Existem também uns probleminhas com o plano director municipal. Coisa sem importância. A notícia aparece a ver se pega. A ver se existe ou não opinião pública neste país.

Será que existe?

Esta é a pergunta que numerosos cidadãos fazem.

O grande Polidor ou... o Graça que eu tacho


Homenagem de Zédalmeida

Passagem espiritual para o céu


materialmente em corpo

“É profundamente grato para Coimbra e também um testemunho de gratidão para com a vidente de Fátima, Irmã Lúcia, de ficar perpetuada nesta cidade, e não só por aqui ter vivido muitos anos, mas também para que a sua passagem agora espiritual para o céu, mas materialmente em corpo para Fátima e fique perpetuada através de uma rua’, explicou Mário Nunes, vereador da Cultura na Câmara de Coimbra.”Fátima Missionária, 13/01/2006.
posted by mndixit at 1/25/2006 03:38:00 PM

Não sei o que mais apreciar no vereador da cultura, Mário Nunes, se a qualidade da prosa, a intensidade da devoção ou a criatividade toponímica.

O blog «mario nunes dixit» presta um verdadeiro serviço público ao divulgar as pérolas de tão pio e eminente edil que regista a viagem da Irmã Lúcia para o Céu, certifica a sua qualidade de vidente e coloca Coimbra no itinerário celeste.

Um vereador assim faz falta como sacristão da igreja de Santa Cruz!

A mesquinha ditadura

(cortesia de M. Maça)


Para além dos crimes, exílio, prisão, desterro, torturas, fome, guerra e perseguições, há na ditadura de Salazar uma dimensão ridícula capaz de matar por si.

A Ordem de Serviço N.º 3490 da Caixa Geral de Depósitos Crédito e Previdência, de 30 de Julho de 1931, é uma metáfora do país «pobrezinho mas honrado», do Portugal rural, analfabeto e beato, moldado pelo ex-seminarista e dirigente do C.A. D. C., de Coimbra.

Há um país esquecido nos despachos ministeriais, Ordens de Serviço dos organismos públicos, discursos dos ministros, homilias do cardeal Cerejeira e na correspondência oficial, cheia de

VV. Ex.as

e

A Bem da Nação.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Duas questões éticas

a) Primeira questão:

Suponhamos que conhece uma mulher que está grávida, mas que já tem 8 filhos, dos quais 3 são surdos, 2 cegos e um retardado mental. Além disso a mulher tem sífilis. Recomendaria que ela fizesse um aborto?

Responda mentalmente, depois leia a segunda questão.

b) Segunda questão:

Está na hora de eleger o Presidente do Mundo, e o seu voto é determinante. Os dados dos três principais candidatos:

O candidato A está associado a políticos corruptos e consulta astrólogos. Tem duas amantes. Fuma como uma chaminé e bebe oito a dez martinis por dia.

O candidato B já foi destituído duas vezes, dorme até ao meio-dia, fumava ópio na escola e bebe um quarto de litro de whisky todas as noites.

O candidato C é um herói de guerra condecorado. É vegetariano, ocasionalmente toma uma cerveja e nunca teve casos extraconjugais.

Entre esses três candidatos, qual escolheria? (responda honestamente)
Provavelmente o...... candidato C
Veja agora a chave:
O candidato A - era o Franklin D. Roosevelt
O candidato B - foi nem mais nem menos o Winston Churchill
O candidato C - era só o Adolf Hitler

E a propósito:

A respeito da questão do aborto: Se respondeu "sim", saiba que acaba de matar Beethoven

(recebido por mail)

Manuel Alegre

Um milhão de votos é uma vitória pessoal à espera de um projecto. Com eles Manuel Alegre pode fazer muito mal ao PS mas pouco bem a si próprio, porque a candidatura presidencial não tinha, nem podia ter, um projecto partidário. Não havendo projecto, estrutura e ideologia, não há partido.

E um partido é mais do que uma federação de votos de protesto e muito mais do que a vontade de alguns. Não vejo onde caiba entre os existentes. Vejo, sim, a necessidade do regresso ao combate ideológico, o que nenhum partido faz, com a honrosa excepção do PCP.

Infelizmente – digo-o com mágoa –, a ideologia vale pouco nos aparelhos partidários, mais interessados em ganhar eleições do que em transformar o País.

Infelizmente – digo-o desolado –, há ainda maior ausência de pensamento político e de estratégia fora dos partidos. Os partidos não são escolas de cidadania, são instrumentos de promoção pessoal. Mas, fora dos partidos, é ainda maior a indigência cívica e mais marcada a apatia pelo destino colectivo. São, pois, um mal necessário sem os quais não há democracia.

Não sei se a tradição autoritária da nossa história ainda condiciona os cidadãos ou é o «medo de existir» que transforma os portugueses em meros espectadores políticos que aderem aos partidos como se fossem clubes de futebol.

A cisão partidária nunca produziu, em Portugal, um projecto sólido e duradouro, nem quando os que saíram eram mais e melhores do que os que ficaram (caso da ASDI, no PSD), nem quando o passado e o prestígio pessoal auguravam grandes alterações no espectro partidário.

Manuel Serra era um grande antifascista e tinha com ele quase metade do PS. Saiu sem levar ninguém. Aires Rodrigues e Carmelinda Pereira, históricos da luta contra a ditadura, saíram do PS e caíram no olvido.

Lopes Cardoso era uma personalidade fascinante, um político bem preparado e um ministro competente que prestigiou o PS. Saiu para fundar a Fraternidade Operária e acabou por regressar para dar ao PS e ao País o contributo de um parlamentar distinto.

António Barreto e Medeiros Ferreira quiseram «reformar» o País e limitaram-se a ajudar a direita a conquistar o poder. O primeiro é um reaccionário disfarçado, ressabiado com o PS. O segundo regressou e é um deputado de grande qualidade.

Citei pessoas com experiência e capacidade políticas. Agora recordemos o PRD com que Eanes quis prolongar o seu poder à saída de Belém. Havia um Comendador para pagar as despesas partidárias, José Rabaça para pensar, Hermínio Martinho para moço de recados e Eanes à espera da manhã de nevoeiro. Os eleitores desapareceram e o PRD foi objecto de uma oferta pública de compra e vendeu o alvará a um grupo de nazis.

Nos próximos tempos é o PS que vai sofrer grandes tensões, depois é a vez do PSD com os militantes a hesitar entre Belém e a Rua de S. Caetano, à Lapa.

Apostila – Ouvi a Inês Pedrosa dizer, com farpas a Sócrates, que já existe um movimento sob os auspícios de Manuel Alegre. Mau princípio. Tratando-se de um movimento para afrontar o secretário-geral é um favor à direita e uma certidão de óbito para si próprio.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Mário Soares: a dignidade na derrota

Apoiei com grande entusiasmo o Dr. Mário Soares na sua candidatura à Presidência da República, tendo feito parte da sua Comissão Nacional de Honra. É algo de que guardarei memória e que muito me orgulha!

Respeito o voto democrático e assumo que fomos claramente derrotados.
Derrotados porque não conseguimos fazer passar a mensagem: Soares tem saúde para ser Presidente; Soares tem os conhecimentos, a cultura e a experiência política que fariam dele um excelente Presidente. Ele saberia dialogar com os sindicatos e o patronato, com os Partidos de esquerda e de direita e criar um clima de concórdia construtiva nesta fase difícil de readaptação económica e de mudança estrutural da sociedade. E, acima de tudo, ser a voz das minorias, dos mais fracos, de quem não tem lobbies, nem comunicação social.

Não é tempo de ser teimoso. É preciso reconhecer que a mensagem não passou. E talvez nós todos (os mais de 14% de votantes) estivéssemos errados. Talvez! Não pelo homem, mas pelas circunstâncias, parafraseando Ortega y Gasset.

Nas últimas semanas tivemos muitas notícias boas.
Portugal está a ter capacidade de atracção de grandes investimentos estrangeiros e nacionais. Já não se discute esterilmente a continuidade de um aeroporto terceiro-mundista, nem o atraso irreversível nas ligações ferroviárias à Europa.
Durante estes três meses de campanha, o Governo foi dando pequenos passos decisivos para o nosso futuro colectivo: reestruturou o sector energético, a máquina fiscal funciona melhor, o sistema de pensões e reformas é mais equitativo, visto que a geração mais nova – a que pertenço – ficou um pouco menos onerada com os encargos que algumas regalias de outras gerações significavam. E, sobretudo, a pouco e pouco, sente-se que se começa a produzir mais e melhor, quer na produção tradicional, quer na nova economia.

Desejo ao novo Presidente eleito, Prof. Cavaco Silva, os maiores sucessos pessoais e políticos no exercício da sua nobre missão. Confio que os 50,59% lhe vão dar a energia necessária para refrear o “cavaquismo” e impor uma postura de verdadeira cooperação institucional entre os diferentes órgãos de soberania.

E que, enquanto Presidente, faça a pedagogia da democracia e dos direitos fundamentais, do reforço da qualidade dos Partidos e da vida cívica nacional.

Quanto a Manuel Alegre, lamento a sua derrota também. Mais umas décimas e estaria do lado dele a esta hora.
É tempo agora de canalizar toda a energia do mais de um milhão de votos para uma renovação da esquerda através de uma (re)dinamização do Partido Socialista. Que pena tantos e tão bons apoiantes nunca quererem aparecer noutras ocasiões!
Todos somos poucos para fazer uma esquerda socialista melhor!

Presidenciais Quem Tapou Quem


Na noite das presidenciais alguns queixaram-se porque de facto foram submergidos pela cobertura mediática, voluntária ou involuntariamente, a verdade é que o foram.
Uns sobrepuseram-se a outros, mas o que parece claro é que as televisões se guiaram por estritos critérios jornalísticos.
Senão vejamos quando o Líder do PSD começou a falar, logo depois iniciou o seu discurso o candidato Jerónimo de Sousa, entretanto o presidente eleito Aníbal Cavaco Silva aparece à varanda e responde às primeiras perguntas dos jornalistas, a televisão volta a mudar de cenário. Pouco depois, enquanto Cavaco se dirige para o CCB, começa a falar o candidato Manuel Alegre, inicia poucos minutos depois o seu discurso o Primeiro-ministro e finalmente fala o novo Presidente eleito.
Só Mário Soares não tapou ninguém, porque mais rapidamente percebeu e aceitou humildemente os resultados e por isso foi o primeiro a falar.
Em segundo lugar fala o candidato Francisco Louçã e o seu discurso também passa na íntegra nas televisões.
Não ignoro que todos devemos saudar o novo presidente, os portugueses escolheram e a sua vontade é soberana, está feito os portugueses têm um novo Presidente.
Estão de parabéns todos aqueles que votaram Cavaco Silva e que acreditaram que este deveria ser o novo presidente, mas também todos aqueles que não votaram nele. Todos contribuíram para uma contenda eleitoral digna e disputada, não há vencedores sem vencidos e o país está de parabéns.
Importa agora perguntar que horas serão em Kuala Lumpur ?

Paulo Alves

Até os adversários vêem

Marcelo Rebelo de Sousa considera que (...) «a votação de Alegre desaparece se a quiser converter em partido».

Diário de Notícias, hoje.

CONDEIXA

Condeixa vai produzir vacinas anti-gripais.

Vacinas anti-gripais e contra a Gripe das Aves vão passar a ser produzias em Condeixa-a-Nova, na Farmalabor, empresa do grupo Medinfer, que irá instalar no parque industrial uma unidade fabril para este efeito.

Trata-se de um projecto concebido em colaboração com diversas entidades governamentais, nomeadamente os ministérios da Saúde, da Economia e Tecnologia e a Agência Portuguesa para o Investimento (API), inserindo-se no chamado Plano Tecnológico actualmente em execução pelo Governo.

Hoje mesmo, em Condeixa, administradores da Medinfer vão fazer o anúncio oficial deste projecto e da criação de uma unidade de produção de vacinas anti-gripais, incluindo a Gripe das Aves, e, na cerimónia, onde vai ser assinado um “Memorando de Entendimento” com a Medinfer para a construção desta unidade fabril, vai estar o primeiro-ministro, José Sócrates, que se fará acompanhar pelos ministros Correia de Campos (Saúde) e Manuel Pinho (Economia e Inovação) -Diário de Coimbra”

Excelente parceria público - privada, que vai permitir investir em Condeixa 27 milhões de euros e dotar o parque industrial de um equipamento de excelência, que pretende retomar a produção de vacinas em Portugal, e para além disso, será certamente potenciador de emprego e crescimento, não só para o concelho, como para a região

segunda-feira, janeiro 23, 2006

DECLARAÇÃO DE FAUSTO CORREIA, DIRECTOR DISTRITAL DO MASP3/COIMBRA





A verdade, só a verdade, por mais incómoda e penosa que se nos apresente, é revolucionária:

- o nosso candidato, Dr. Mário Soares, perdeu as eleições;
- ao invés, o nosso principal adversário, Doutor Cavaco Silva, ganhou o acto eleitoral.

Antes de mulheres e de homens de esquerda e de centro esquerda, somos democratas. Por isso, aceitamos com naturalidade e “fair-play” os resultados eleitorais. Importa respeitar em todas e quaisquer circunstâncias a vontade popular. O Povo é sempre soberano – quer quando ganhamos, quer quando perdemos. Saber perder é aliás a primeira condição para saber ganhar. Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã: este o princípio básico e fundamental da Democracia.

Em nome do MASP3/Coimbra e enquanto seu Director Distrital, compete-me saudar não só o novo Presidente da República mas também as estruturas distritais da sua candidatura.

Por outro lado, somos Portugueses antes de sermos democratas: o que interessa, mais do que tudo, é o nosso destino colectivo. É engrandecer Portugal, é trabalhar para que os Portugueses tenham mais e melhor futuro.

Em nome do MASP3/Coimbra e enquanto seu Director Distrital, compete-me desejar os maiores sucessos ao Doutor Cavaco Silva no exercício do seu mandato presidencial.

Atentos às promessas eleitorais feitas ao Povo Português, continuaremos no nosso posto de combate e de luta. Pelos nossos ideais de sempre! Em torno do nosso PS e no apoio ao governo do Eng. José Sócrates.

Como Director Distrital do MASP3, cumpre-me também agradecer o empenho, a dedicação, o trabalho e a convicção de quantos – e foram muitos! - apoiaram o Dr. Mário Soares no Distrito de Coimbra: na Comissão Executiva Distrital, na Comissão Política Distrital, na Comissão Nacional de Honra; como Mandatário Concelhio ou como membro da Comissão Distrital de Honra; nos diversos órgãos do PS ao longo do Distrito ou como independentes de várias matizes.

É justa e devida uma palavra de reconhecimento ao Mandatário Distrital, Professor Doutor Gomes Canotilho, e ao Presidente da Comissão Distrital de Honra, Professor Doutor Rui Alarcão, sem esquecer o Professor Doutor Vital Moreira e o Eng. António Campos enquanto membros da Comissão Política Nacional da candidatura. A todos, o nosso sentido agradecimento. Bem-hajam!

Os últimos são os primeiros. Queremos testemunhar ao Dr. Mário Soares a nossa profunda admiração, o nosso grande respeito, a nossa enorme consideração pelo fantástico exemplo de civismo e de responsabilidade que deu uma vez mais a Portugal e ao Mundo.

Mário Soares correu riscos que mais nenhum político correria. Semeou ideias, lançou perspectivas, abordou temas novos, introduziu ângulos de visão diferenciados. Foi igual a si mesmo: corajoso, determinado, lúcido, aguerrido, ambicioso. E lega-nos mais uma extraordinária lição para o futuro!

Todos nós reconhecemos que mantém intactas as notáveis características que fizeram dele o político mais importante do último meio século em Portugal. Portugal e os Portugueses continuam a dever muito ao Dr. Mário Soares. Independentemente dos resultados de hoje, ninguém lhe tira o lugar que ocupa na história – nacional, europeia e mundial. Porque foi conquistado sofridamente ou na prisão ou no exílio ou na deportação. Porque foi conquistado a pulso como Ministro, Primeiro-Ministro, Deputado, Líder da Oposição, Presidente da República e Deputado Europeu.

Todos nós estivemos (e estamos) com ele. Pelas mesmas razões de sempre: PORTUGAL!

A título pessoal, resta-me assumir – como finalmente me compete – a derrota eleitoral de Mário Soares no Distrito de Coimbra. Só a mim (e a mais ninguém) devem ser assacados esses resultados. A verdade, só a verdade, por mais incómoda e penosa que se nos apresente, é revolucionária.

Coimbra e sede do MASP3, 22 de Janeiro de 2006.

Pel' A COMISSÃO EXECUTIVA DISTRITAL,
FAUSTO CORREIA
– Coordenador Distrital –

Folclore em Canas de Senhorim


As reminiscências tribais transformadas em bairrismo conduzem populações pacatas à frustração, ao ridículo e à violência.

Cerca de trezentas pessoas, arregimentadas pelo designado Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim, manifestaram ontem o seu regozijo pelo fim do mandato de Jorge Sampaio a quem responsabilizam pela frustração dos seus intentos.

Não vem daí nenhum mal ao mundo. A exibição de lenços brancos não faz perigar a Pátria. Já as reiteradas alterações da ordem pública, com corte de estradas e caminho de ferro e boicotes eleitorais, caem sob a alçada do código penal.

E, por enquanto, os arruaceiros continuam impunes.

Num país cujo ordenamento territorial exige a urgente fusão de concelhos e freguesias, alimentar expectativas irracionais e despertar sentimentos bairristas é um acto perigoso que alguns políticos cometem por demagogia e irresponsabilidade.

Memória do salazarismo em Ribeira de Pena

Mais de três décadas é muito tempo na vida de uma pessoa e quase nada na história de um país.

No concelho de Ribeira de Pena (Vila Real) um membro da mesa eleitoral, com anuência do presidente, acompanhava os idosos à câmara de voto para lhes ensinar a pôr a cruz no sítio certo.

Ensinar os ignorantes é uma obra de misericórdia, há-de pensar-se em Ribeira de Pena.

No tempo de Salazar os membros da mesa votavam pelos mortos, não fossem ficar privados de apoiar o salvador da Pátria.

Hoje ainda se vota pelos vivos que têm dificuldades como então se fazia com os defuntos, impossibilitados de comparecer.

Tibi gratias, Mário Soares

Quando um homem não desiste de lutar, aos 81 anos, é um exemplo para um povo que oscila entre a depressão e a euforia.

Quando alguém que já foi tudo, nada tendo a ganhar, se envolveu numa dura e incerta batalha, é porque a força anímica e as convicções persistem.

Ser octogenário, lúcido e combativo devia provocar respeito, admiração e estímulo. As qualidades que exornam Soares não exigiam que se lhe confiasse o voto, a sua luta pela liberdade não obriga à devoção, mas os serviços prestados a Portugal merecem respeito.

Há nações que são gratas a quem sacrifica a vida ao serviço das convicções, a quem se entrega a causas e molda a história do povo a que pertence. Não é o caso de Portugal. Estive várias vezes do lado oposto a Mário Soares, fui eu que geralmente me enganei.

Admiro-o pelas virtudes e estimo-o, ainda, pelos defeitos. Só quando me convenci de que seria difícil vencer é que decidi apoiá-lo. É uma honra estar com o homem que não temeu a derrota como não temeu a prisão, o exílio e as perseguições.

Partilho com Mário Soares o gosto imenso pela liberdade. Aprendi tarde a estimá-lo na sua enorme grandeza cívica, no desapego ao bem-estar, na renúncia ao sossego do lar.

Numa idade em que muitos se contentam em não morrer Mário Soares exige viver e dá uma lição de profunda grandeza e enorme vitalidade.

Obrigado, Mário Soares, por me ter permitido partilhar a derrota e pelo exemplo que deu a Portugal.

domingo, janeiro 22, 2006

Parabéns, Sr. Presidente Cavaco Silva


Confesso que não foi minha a escolha, que seria a minha última escolha e a que mais me desagrada. No entanto, a maioria do povo português decidiu confiar-lhe o cargo de mais alto valor simbólico da República, a função que, em democracia, foi desempenhada por antecessores honrados que a souberam prestigiar.

Tornou-se o meu presidente e respeitá-lo-ei. É minha obrigação tributar-lhe o respeito e consideração que lhe são devidos, independentemente das divergências que caibam nos limites do direito à opinião, se surgirem, depois de V. Ex.a jurar cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.

Do desempenho esclarecido e probo dependerá o futuro de todos nós. Também por isso lhe desejo as maiores felicidades no cargo.

Espero que a eleição folgada, à primeira volta, lhe permita a liberdade de proceder com a rectidão moral que o cargo exige e a independência que saberá guardar perante tantos e tão contraditórios apoios.

O respeito e consideração que, aqui e agora, lhe reitero não me obrigam ao afecto que não sinto mas, no desempenho das funções de presidente da República, pode surgir, no futuro, a empatia que no passado falhou.

Não acreditando no «Portugal maior» que foi prometido em campanha, quero crer que será capaz de ajudar a construir um Portugal melhor. É esse o meu desejo, o desejo de todos os portugueses, daqueles que o sufragaram e dos outros.

21-01-2006 1:48:30

Ninguém é bom juiz em causa própria


O apelo de juizes ao desrespeito da lei, a insurreição do poder judicial, é o rastilho de um fogo em cujas labaredas se consome a sua dignidade e se reduz a cinzas o respeito que lhes é devido.

Dizer que não há democracia sem independência do poder judicial é um truísmo banal, uma verdadeira tautologia, mas é perigoso pensar que uma Estado de direito se constrói quando um órgão de soberania não respeita os seus limites e afronta outro.

Ignorar a competência exclusiva do poder político, no que se refere à política de justiça e ao modelo de organização do sistema, é uma afronta que põe em causa a arquitectura constitucional e abre as portas ao poder discricionário.

Acresce que a lei de congelamento das carreiras atinge todos os funcionários do Estado e não se compreende que os que melhor podem suportar a sua dureza sejam os mais recalcitrantes.

A ética republicana e a solidariedade deviam ser apanágio dos privilegiados. Mas, no mínimo, o respeito pelas leis deve vir de quem tem a nobre função de as aplicar.

sábado, janeiro 21, 2006

Primeira comunhão (crónica)

Meio século depois vêm-me à memória as doces catequistas da minha infância. A menina Aurora e a sua Tia Ricardina ambas solteiras de muitos anos e beatas de quase tantos outros. Lembro-me do fervor com que me ensinaram a odiar os judeus porque mataram Cristo, os maçons porque perseguiam a igreja e os comunistas porque eram ateus. Recordo o entusiasmo que punham nas orações para que Deus iluminasse os nossos governantes e lhes desse longa vida, apelos ouvidos no que diz respeito à segunda parte.

Nas aulas de doutrina explicavam-me a cor do firmamento, ao pôr do sol, como sendo o sinal de que os comunistas iam matar os cristãos, conforme a Irmã Lúcia tinha revelado, e eu, tão estúpido, que não deixava de ser cristão, com maior medo do Inferno e das suas labaredas, onde apenas se ouviam gritos e ranger de dentes, do que da morte que os ditos comunistas me preparavam.

Penso que era o medo da revelação do 3.º segredo de Fátima que me toldava a razão e me deixava manietado para outras reflexões. Sabia que Deus estava muito zangado, do mesmo modo que toda a gente o sabia, por ouvirmos dizer, bem entendido, e que devíamos rezar o terço para lhe aplacar a ira contra os que não eram crentes mas, não sei porquê, quem pagava éramos nós, talvez por Ele não ter jurisdição nos que não acreditavam, mas isso não podia ser porque Deus era omnipotente, eu só não percebia a obsessão da nossa parte em assumirmos culpas alheias e fazer pagamentos por conta, o motivo de termos de expiar os pecados alheios, isso na época não me admirava, havia muita solidariedade, eram grandes os sentimentos que nos animavam e nobres as devoções. Assim salvássemos a nossa alma de ser frigida no azeite das profundezas, combustível de sabor mediterrânico que alimentava os meios de produção da eterna justiça a cujo suplício estavam destinados os condenados.

Valia-me a certeza de fazer parte dos poucos, poucos é a gente a falar pois na aldeia eram todos, que podiam aspirar à bem-aventurança eterna. A nossa religião era a única que conduzia à salvação, todos os outros estavam errados e faziam muito mal em não se converter. A Santa Madre Igreja, Católica, Apostólica, Romana, estava aberta, nunca compreendi como é que podia haver quem se negasse à conversão e ao caminho da santidade que lhe eram oferecidos, como é que alguém podia duvidar de que o papa fosse o sucessor de Pedro e o representante de Cristo na Terra e os Senhores Bispos os sucessores dos Apóstolos! Como era possível que os judeus se não arrependessem de ter assassinado Jesus e persistissem no erro, que os moiros teimassem em permanecer infiéis, vá-se lá perceber a razão de ser mais fácil persistir no erro do que aceitar a salvação. Era tão difícil o entendimento, sobretudo a quem não conhecia a outra parte, e ainda bem, pois era dever de um cristão converter os outros ou, se eles o não quisessem, usar meios adequados para livrá-los do erro.

Por sua vez o Sr. Padre, depois da me ter examinado e aprovado no exame da catequese, declarou-me em condições de iniciar os preparativos para a primeira comunhão. De novo as catequistas se encarregaram de me preparar para a desobriga que a precedia. Foi durante a confissão que, genuflectido, depois de uma oração preliminar, me convidou a contar-lhe os pecados. Esforcei-me por recordar as vezes que tinha posto o dedo na malga da marmelada sem saber se de um só pecado, repetido, se tratava ou de tantos quantas as incursões no vaso onde se guardava uma guloseima castanha e muito doce à espera de tentar a criança. Dava voltas à memória para saber se tinha alguma vez mentido, se tinha maus pensamentos – e isso tinha –, pensava em partir o pião de um colega acertando-lhe com o ferrão do meu, se tinha pecado por palavras ou obras, indiscutível matéria de reflexão e arrependimento, pois eu conhecia palavras feias que não cabia a um cristão pensar e muito menos pronunciar. Mas não era disso que cuidava o Sr. Prior na longa confissão, que eu entendi como proporcional à dimensão dos pecados ou, na melhor das hipóteses, como deferência para com o filho da Sr.ª Professora, mas eu não pensava nesta possibilidade, pois as crianças não são sensíveis à deferência nem à divisão em castas. O reverendo cuidava saber se eu praticava o pecado solitário, maldade de cujo ensinamento o medo que as outras crianças tinham da professora me havia até então livrado, e, perante a minha ignorância, preveniu-me piedosamente por antecipação, antes é que vale a pena não é depois do mal feito, preveniu-me – dizia – dos riscos da cegueira a que podia conduzir-me esse pecado, risco que me afligia bastante, bem como da tuberculose que, apesar da gravidade à época, eu não estava em condições de avaliar.

Perguntou-me ainda se eu fazia marranices, palavra com que acabava de me enriquecer o léxico, o que me deixou perturbado por ser um pecado que eventualmente eu cometesse sem saber, possibilidade de elevado grau de probabilidade pois aos pecados confessados não fora dada importância e aos pecados desconhecidos era dada uma particular e desvelada atenção, aumentando-me a ansiedade e sentimento de culpa, tanto maior quanto mais profunda era a minha ignorância. Explicou-me que o dito pecado era pôr-me em cima das raparigas e fazer zumba, zumba, zumba... e ficou ali a repetir a palavra algum tempo, como se tivesse esquecido o que estava a dizer, até recuperar a tranquilidade e ter-me mandado rezar o acto de contrição, que eu tinha na ponta da língua, completamente desinteressado já dos pecados de que eu carecesse de aliviar-me para salvação da alma.

Levei de penitência uns tantos pai-nossos e ave-marias, coisa de pouca monta, que me levou a acreditar que os pecados não eram tão pesados nem difíceis de expiar como eu tinha imaginado. A penitência foi cumprida nessa noite, antes de adormecer, ansioso pela chegada da meia-noite, hora canónica a partir da qual não podia tomar qualquer alimento sólido ou líquido antes da comunhão onde ia receber pela primeira vez o corpo de Nosso Senhor que, não sei como, cabia numa rodela finíssima de pão ázimo sem fermento nem sal, ainda por cima partida em pedacinhos de que só me coube uma insignificância, de paladar péssimo, que não podia tocar com os dentes, não fosse morder o Senhor, e aquilo colou-se-me ao palato e eu tinha medo de levar lá a língua que podia incomodar Nosso Senhor, que devia ser muito susceptível, e eu a debater-me com aquele pedacinho de farinha que teimava em não se desfazer, mais parecia borracha com cola, mas que eu bem sabia que tinha um alto valor nutritivo como alimento da alma, embora me não desse conta, mas disso estava prevenido pela menina Aurora e pela sua Tia Ricardina, bem como pelo Sr. Prior que na véspera veio pela segunda vez examinar-nos e confirmar a nossa preparação para recebermos Nosso Senhor. Quem não estivesse preparado não era digno, eu era, por ser o melhor aluno da catequese, mas pareceu-me que os menos preparados se deram melhor com a sagrada partícula de que se aliviaram mais cedo do que eu e, de qualquer modo, não tinha havido reprovações.

Não sei se a comunhão purificou a alma, mas sei que estimulou o apetite. Foi com uma fome imensa que assisti ao fim da cerimónia da santa missa sem me dar conta que a gula, que começava a devorar-me, era obra do demo que aguardava, para tentar-me, provavelmente possesso, se é que o demónio pode estar possuído dele próprio, ou talvez desesperado na luta quotidiana entre o bem e o mal, qual lutador que não se resigna a atirar a toalha ao ringue, mesmo quando o combate é desigual, quando a alma se tonifica pela oração, penitência e comunhão que são poderosos demonífugos que obrigam o mafarrico a redobrados trabalhos para não perder a quota de mercado a que se julga com direito.

Antes de correr para casa em busca de vitualhas com que pudesse saciar a fome de dezasseis horas de jejum não me esqueci de me persignar, depois de ter molhado de água benta os dedos, mergulhados na pia de pedra que saía da parede ao lado da porta da igreja, água que, apesar do aspecto, pelas propriedades intrínsecas, havia de ser um poderoso desinfectante para as moléstias da alma e um profiláctico precioso para as tentações que o demo, na sua permanente vigilância e incansável dedicação ao trabalho, não deixaria de fazer.

E eu conhecia o segredo da água benta por tê-la visto preparar pelo Sr. Padre que se paramentou de propósito e transformou um cântaro de água vulgar na dita água benta através das modificações induzidas pelas rezas que acompanharam os sinais cabalísticos, cruzes imaginárias desenhadas no ar, por cima do dito cântaro, enquanto alguns garotos seguíamos com o olhar os tais sinais para ver quando se dava o salto dialéctico, isto é, a mudança da quantidade em qualidade, ou seja a mudança da água vulgar em benta, sem sabermos ao tempo o que era isso de salto dialéctico, mas sabendo reconhecer a diferença entre uma e outra, o que era muito mais importante para a eternidade a que não podemos fugir, e bem mais decisivo para a salvação da alma, que estas sociedades modernas querem fazer crer tratar-se de anacronismo, mas que não é, que o diga a Irmã Lúcia que na opinião do Prof. João César das Neves é uma intelectual que os outros intelectuais, que o não são, não aceitam, por arrogância ou despeito, por não terem sido chamados à santidade, vá-se lá saber o motivo, o Professor também não explica lá muito bem, mas sabemos que tem razão, pois até já escreveu vários livros e foi consultor do Prof. Cavaco e não se cansa em meios bastante hostis de alertar para a salvação que hoje, tal como no meu tempo de criança, devia ser um objectivo primordial, mas as pessoas estão menos interessadas no que diz o Papa que nos livrou do comunismo do que na Televisão, que só diz mentiras, e no que afirmam os políticos que são todos uns corruptos e mentirosos que dizem coisas diferentes do que vem na santa Bíblia e, por isso, não podem dizer verdades, e só falam no bem estar material, como se o bem estar material interessasse alguma coisa, como se a alma não fosse o bem mais precioso que as pessoas têm, mas, enfim, estamos a chegar ao fim do mundo e as pessoas não acreditam, a mensagem de Fátima é bem explícita, mas as pessoas não a compreendem, nem sequer compreenderam Sua Santidade quando anunciou o terceiro segredo, mesmo os peregrinos estavam desatentos e não compreenderam, vá-se lá pedir aos outros que compreendam, para isso é preciso ter sido tocado pelo dom da fé que cada vez falta mais, bem pode esforçar-se Nosso Senhor, se os homens não quiserem, depois não digam que não foram avisados.

Publicação simultânea em Diário Ateísta

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Eleições presidenciais


Dentro de menos de uma hora terá terminado o período de campanha e – não apenas a lei a que devo obediência –, a consciência cívica obriga- me a acatar o período de reflexão.

A decisão do povo será sempre de respeitar. Aliás, nenhum candidato é um déspota em potência, todos eles se sujeitam ao sufrágio universal, directo e secreto. Quem ganhar há-de jurar cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.

Que grande alegria para quem suportou Carmona, Craveiro Lopes e Américo Tomás!

Que tranquilidade para quem se lembra de Salazar, da PIDE, da guerra colonial, das torturas, prisões sem culpa formada, poder arbitrário das polícias e simulacros da justiça nos tribunais plenários.

Até à abertura das urnas não publicarei mais nenhuma notícia ou reflexão política relacionada com as eleições de Domingo.

Neste momento, hoje e sempre, agradeço aos capitães de Abril, que muitos se esforçam por esquecer, a liberdade. Graças a eles teremos eleições sem medo, constrangimento ou fraudes. Uma vez mais.

Quem domina a informação? - O gráfico que faltou


A mais elementar honestidade obriga-me a publicar este gráfico para que um leitor me alertou.

Pensar primeiro... votar depois

antes de...

Pense nisto:

Um dos papéis mais importantes – embora não dos mais conhecidos – previstos na Constituição
da República Portuguesa para o cargo de Presidente da República é o da concessão de «perdões» ou «indultos», como recurso de última instância perante uma grave injustiça praticada pelo sistema judicial.

De facto, em momentos excepcionais da história, em nome de valores mais altos, tal como o da dignidade humana, alguns cidadãos são obrigados a agir contra a letra da lei.

Perante esses casos, o sistema judicial ou administrativo pode ver-se de mãos atadas, tendo de aplicar cegamente uma lei, ainda que ciente de estar a cometer uma injustiça ao punir quem violou a lei em nome de valores mais altos.

Um caso exemplar desse tipo de situação aconteceu, durante a Segunda Guerra Mundial, com o Cônsul Português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes.

Simultaneamente confrontado com o terrível destino a que estavam sujeitos os cidadãos judeus que fugiam do holocausto nazi – e para quem a única esperança de sobrevivência era alcançar Portugal e daí partir para um destino seguro – e com as ordens expressas de Salazar para que não lhes fossem concedidos vistos de entrada em Portugal, Aristides de Sousa Mendes optou por violar a lei e as determinações hierárquicas, em nome do princípio mais alto da salvaguarda da
vida humana.

Sumariamente despedido por Salazar, Aristides de Sousa Mendes viria a morrer na miséria, privado de pensão e de todas as regalias da carreira diplomática.

Quando, de 1985 a 1987, se procurou reabilitar a memória de Aristides de Sousa Mendes,
reintegrando-o a título póstumo na carreira diplomática e apresentando o pedido de desculpas do Governo Português à família do diplomata, essas diligências encontraram a oposição declarada do então Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva.

De acordo com o chefe do governo, por muito louváveis que fossem as intenções do diplomata português, o facto é que tinha desobedecido a uma ordem directa do Presidente do Conselho e que, em iguais circunstâncias, ele, Cavaco Silva, teria procedido da mesma forma que o então
Presidente do Conselho, pois não poderia aceitar uma insubordinação semelhante de um dos seus diplomatas.

Embora à letra da lei, o actual candidato a Presidente da República estivesse absolutamente correcto, a sua posição é moralmente condenável à luz de quaisquer princípios.

O cumprimento da lei de um estado soberano não pode estar acima da defesa dos princípios básicos da humanidade. Essa miopia que põe o cumprimento de uma regra escrita acima da defesa dos valores humanos é aquilo que distingue um mero burocrata de um verdadeiro líder.

O motivo pelo qual a Constituição confere ao Presidente da República o direito de inverter a decisão de um tribunal penal é, precisamente, pelo reconhecimento da limitação de uma lei escrita no papel.

Um candidato que não percebe essa distinção não é digno de ser eleito Presidente da República, pois essa distinção é também a distinção entre um mero tecnocrata e um verdadeiro líder de uma nação.

(Mensagem enviada por Luís Mateus)

O PGR vai à Assembleia da República

A Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) foi o esteio do Estado Novo. Prendeu, torturou e assassinou ao serviço de um regime ignóbil; perseguiu, intimidou e fez chantagem na defesa da ditadura; assustou, intrigou e aviltou cidadãos para defender o fascismo manso de Salazar e permitir a perpetuação da guerra colonial.

A PIDE foi uma polícia abjecta. Exerceu o poder discricionário e comportou-se de forma despótica à margem de qualquer lei. Os seus esbirros espiavam os cidadãos, devassavam a intimidade, escutavam conversas, violavam correspondência. Deus, pátria e família foram pretexto para a mais despudorada ofensiva contra direitos, liberdades e garantias que a Constituição política de 1933 timidamente referia no artigo 8.º.

A PIDE não respeitava igrejas, universidades ou lares. Omnipresente na defesa do que considerava os superiores interesses da nação, servia-se dos piores portugueses para neutralizar os melhores. A Humberto Delgado abateu-o em Espanha, a José Dias Coelho na rua do Lusíadas. Mário Soares foi deportado para S. Tomé, muitos para o Tarrafal. Álvaro Cunhal penou em Peniche, muitos outros em Caxias.

O luto, o medo e a raiva eram levados às famílias portuguesas por intermédio de uma polícia que tinha estagiado com a sua congénere do nazismo alemão. A história da PIDE não cabe num texto do «Ponte Europa», são várias décadas de vergonha e horror. A PIDE foi pior do que alguém possa imaginar.

Caluniou, mentiu e seviciou sem divulgar as escutas ilegítimas a que procedia nem sequer os palavrões com que os oposicionistas se referiam à ditadura.

Por estranha coincidência, a uma semana de eleições democráticas, ficou a saber-se que os mais altos dignitários do actual regime viram as suas comunicações telefónicas devassadas.

Depois do assassínio político de Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso, da aparente conspiração para destruir o PS, sem que os culpados apareçam, os motivos se conheçam e a dimensão da canalhice se averigúe, é com ansiedade que se esperam as explicações que o PGR vai dar à Assembleia da República.

Os portugueses precisam de saber se os direitos, liberdades e garantias estão assegurados ou em que estado certa direita deixou o Estado de direito.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Quem domina a informação? (3)

Quem domina a informação? (2)

Quem domina a informação? (1)

As palavras do Prof. Doutor Joaquim Gomes Canotilho


As palavras do Prof. Doutor Joaquim Gomes Canotilho

Mandatário Distrital (Coimbra)




1. A maldade camuflada: unicidade comunicativa



Se outro mérito não tivesse a campanha presidencial de Mário Soares – e como demonstraremos tem muitos, embora alguns teimem em ver nela apenas maldades – um deles salta à vista dos observadores independentes: o de fazer eco de indignado espanto perante a parcialidade dos meios de comunicação. O exemplo mais escandaloso está bem perto de nós. No dia de abertura da campanha, quando todos esperávamos assistir pela televisão a um momento robusto, desinibido e plural do desenvolvimento da vontade popular, nada mais conseguirmos do que ver, na hora nobre das oito, o mesmo rosto, os mesmos dizeres, os mesmos símbolos, em todos os canais. É claro que os donos públicos e privados das estações emissoras chamam a isto liberdade de programação televisiva.

Nós registaremos o vício congénito e daremos um nome ao fenómeno: unicidade comunicativa. Não se trata, como é óbvio, de censurar a comunicação livre nem o trabalho árduo destas jornalistas e destes jornalistas que acompanham os candidatos pelos caminhos de Portugal. Procura-se, sim, alertar para a viciação das regras do jogo eleitoral: a liberdade e igualdade de todos os candidatos a Presidente.



2. As propostas dos candidatos



2.1. Os antipolíticos e os antipartidos

Se a livre e diversa expressão de ideias e a pluralidade de propostas dos candidatos se defronta com o manto diáfano da escolha – designação antecipada de um candidato – parece-nos avisado, aqui e agora, fazer perante vós algumas suspensões reflexivas à guisa de balanço da pré-campanha e da primeira de campanha.

Desde a primeira hora, o candidato Mário Soares tornou bem claro que qualquer discussão sobre o Estado, a República e a Nação – e os candidatos a Presidente da República podem e devem falar sobre estes temas cheios de “política – deveriam partir de um pressuposto incontornável – evitar a lenga-lenga do “desencanto”, da “des-esperança”, do nihilismo. Isto significa que, hoje como ontem, quem afivela de cara aberta ou com máscaras de disfarce, a profissão de político deve contribuir para a reabilitação dos que cuidam, nem sempre bem aceitemos da coisa pública e da liberdade igual para todos os portugueses. Sabemos todos que o “estudo de alma” de grande número de concidadãos é o inverso do que se propõe: desconfiança perante os políticos, indiferença em relação à política, desconhecimento dos grandes momentos políticos. Devemos reabilitar o político, a política e os políticos. Na nossa história recente, só por ironia ou por suspeito esquecimento, é que não fixamos as datas políticas: o 25 de Abril, à adesão à Comunidade Europeia, o aprofundamento da integração europeia com a criação do Euro, tudo são momentos de manifestações de vontade política para vencer as crises. Mário Soares esteve em todos os momentos. Mais do que isso: teve a coragem de protagonizar as mudanças e as rupturas. Porquê então explorar o filão obscurantista da maldade nunca expiada dos políticos, do integracionismo anti-democrático dos antipartidos, da missão salvífica homens providenciais?



3. Os poderes do Presidente



Os debates da pré-campanha e da campanha parecem revelar quase todos os candidatos – excepto Mário Soares – querem um Presidente da República mais activo, mais interventivo, mais presidencialista, mais governativo. O modo como o fazem – deve reconhecer-se – é diferente de uns para os outros.

Uns entendem que o Presidente da República tem pecado por defeito na salvaguarda dos princípios da igualdade, da solidariedade e dos direitos dos trabalhadores. Exigem de um Presidente da República aquilo que ele não lhes pode dar por dar respeito à Constituição: uma agenda de governo presidencial socialmente conformadora. Devemos ter serenidade bastante para entender que o Presidente da República não se pode nem deve transformar em “força de bloqueio” das propostas dos governos legitimamente eleitos. Outros ensaiam uma retórica poética errática, conservadoramente patriótica e perigosamente antipartidária para dar e nervo à criação artística de um cidadão-presidente. Outros convocam um cavaqueio sofridamente postiço da desesperança para inocular a necessidade de restauração de Portugal. A nossa Pátria teria tido uma época de ouro – os dez anos de governo do próprio candidato – e, a partir daí, entrou na decadência. Se, outrora, eles pretendiam um Presidente, um Governo e uma maioria para alaranjar o país, hoje, à míngua de governo e de maioria, depositam as esperanças num Presidente que governe, que imponha um caderno de encargos ao Primeiro-Ministro, que marca a cadência, o tom e os dom das políticas públicas, que vete e ameace, numa palavra, que prepare a concentração nunca permitida pelo povo português de um presidente, uma maioria e um governo à direita. Uma nebulosa de “compromisso Portugal”, de “Portugal velho”, de neo-liberalismo e de estatalismo-corporativista sugere um modelo de presidente quase presidencial ou procura reinventar o semi-presidencialismo de governos presidenciais. É claro que se procura sempre colocar Portugal na marcha do progresso. Mas que Portugal é esse que teria proporcionado a todos os portugueses a abundância, quase o paraíso na terra? O Portugal sem rendimento mínimo de inserção em que o desemprego colocava no limiar da pobreza famílias inteiras – do avô ao neto – porque desaparece a fábrica, o estaleiro, a empresa onde tinham trabalho? O Portugal sem a agenda de Lisboa a colocar a inovação e o conhecimento como estratégia indispensável ao desenvolvimento sustentado? O Portugal da compra de reformas e de reformas antecipadas que numa cegueira de prognose económica coloca agora a maioria dos portugueses a terem de trabalhar mais anos? O Portugal das forças de bloqueio que imaginava conspirações contra o Governo do Tribunal de Contas, do Tribunal Constitucional e do próprio Presidente da República?

Mas mesmo que o Candidato derrotado há dez anos tenha hoje outra visão dos portugueses, continuamos perante o grande enigma desta campanha: como é que um homem, sozinho, com as competências limitadas que a Constituição lhe confere consegue fazer o milagre de obter investimentos directos, garantir o futuro dos bisnetos, colocar os portugueses no primeiro lugar do conhecimento, elevar a competitividade das nossas empresas, criar, no fundo, a ilusão de que somos candidatos ao título de campeões do mundo?

Perante este panorama, compreende-se que o Doutor Mário Soares tenha deixado a sua tranquilidade, a sua reformada qualidade de Pai da Pátria. Que nos propõe ele?



4. Presidente Constitucional



De uma forma ou de outra, todos os candidatos a presidente, excepto Mário Soares, têm uma visão distorcida e maximalista dos poderes e competências do Presidente da República. É certo que os motivos que os levam a defender uma intervenção alargada não são os mesmos. De um lado, está o propósito confessado ou inconfessado de um projecto hegemónico da direita para os próximos vinte anos. Este projecto oculta-se em fórmulas pseudo-patrióticas (“Portugal pode vencer”, “Portugal não pode resignar-se”). Do outro lado, estão leituras interessadas em elevar o Presidente da República a alavanca de todo o sistema constitucional: para vetar as leis do trabalho, para vigiar o serviço nacional de saúde, para impedir a deslocalização de empresas, para perseguir os responsáveis de fraudes fiscais.

De um lado estão os que insistem no bloqueio da Constituição ao desenvolvimento para insinuarem a bondade das constituições que não proíbem despedimentos sem justa causa ou por motivos ideológicos, que não garantem um sistema público e republicano de ensino, que não consagram serviço nacional de saúde, que são indiferentes ao sistema público de segurança social, que se abrem ao não pagamento de impostos, aos “off-shores”, aos paraísos fiscais. Numa palavra, os que querem crescimento sem socialidade e solidariedade. Do outro, encontram-se os que, embora empenhados no desenvolvimento do Estado-Social, pretendem conquistar posições no aparelho de Estado para prosseguirem a sua legítima luta político-partidária a pretexto de eleições presidencais.

No meio de toda esta agitação ergue-se a figura do nosso candidato. Que foi e pretende voltar a ser apenas e sobretudo o Presidente da República com os poderes e competências previstos na Constituição da República. Que foi e pretende voltar a ser o Presidente de todos os portugueses, desde o urbano ao rural, do trabalhador ao empresário, do sindicalista ao dirigente de associação industrial ou comercial, dos jovens à terceira idade, dos nacionais aos estrangeiros que procuram o nosso país para dignificar a existência. Mas não só. Ele sabe por experiência própria que o povo português aprecia os políticos que tanto se sentem à vontade no meio humilde e laborioso das peixeiras como no mundo dos intelectuais e da cultura. Mais ainda: num país ainda influenciado pelos filhos e netos do “orgulhosamente só”, ele sabe que Portugal isolado é um país desarmado, não havendo outra estratégia possível que não seja a da Europa e do Mundo.

Mário Soares sabe mais ainda. Ele não é apenas o presente do passado. É o presente do futuro.

Ele sabe que exercer o cargo de Presidente da República nos começos de um novo milénio não significa copiar a papel químico os seus dois notáveis mandatos anteriores. O texto constitucional é o mesmo, mas o mundo mudou profundamente. É neste contexto de mudança que Mário Soares revela a sua excepcional clarividência como político. Mais do que todos os outros e de qualquer um de nós dispõe de intuição e de coragem para compreender o rumo das coisas. Sabe ver para onde o mundo caminha. Ele será o primeiro:

a) a propugnar pelos direitos das gerações futuras, insistindo nos termos da agenda de Lisboa – inovação, conhecimento e investigação – que recorde-se foi posta no mapa da Europa devido à inteligência de António Guterres em substituição do crescimento do betão.

Em termos mais simples para todos compreenderem: os nossos filhos, netos e bisnetos não encontrarão emprego em fábricas de calçado, em universidades rotineiras e burocráticas, em hospitais falhos de excelência e de humanidade, mas em muitos Critical Softwares, em muitos laboratórios de excelência, em muitas unidades hospitalares pautadas pela boa governação;

b) a defender o aprofundamento da União Europeia – e se necessário tornar ele próprio iniciativas nesse sentido – porque só quem não quer ver é que não compreende que o velho continente é o novo continente da paz, da tolerância, do diálogo e do desenvolvimento;

c) insistir no reforço da plataforma de encontro de todos os povos e de todos os Estados e de todas as comunidades onde Portugal esteve ou está: das Comunidades dos Países de Língua Portuguesa e das Comunidades Portuguesas;

d) lutar pela igualdade real entre os portugueses, estando atento ao crescente desequilíbrio entre pobres e ricos, entre urbanos e rurais, entre gentes do interior e gentes do litoral, entre pessoas de sucesso e excluídos da sorte, entre nacionais e estrangeiros, promovendo os ideais da solidariedade e da inclusividade;

e) garantir as condições políticas e sociais, de estabilidade e diálogo, para atrair investimentos directos estrangeiros e apoiar governo e empresários na dinamização do tecido empresarial, no investimento e formação profissional, no incremento das políticas de emprego;

f) assumir decisivo papel no estímulo da modernização do Estado, apelando para a indispensabilidade de os governantes prestarem contas aos portugueses, assumirem as suas responsabilidades e serem avaliados pelo seu desempenho;

g) combater as doenças corrosivas da democracia: o clientelismo, a corrupção, o negocialismo de Estado.

O adversário não aguenta a segunda volta


Desejo Ponte Europa/Zédalmeida

É este que querem?



«O voto é a arma do povo».

Eleições presidenciais


ENCERRAMENTO DA CAMPANHA ELEITORAL PELO MASP3/COIMBRA
6 . ª Feira, dia 20 de Janeiro


O MASP3/Coimbra delineou – como encerramento da campanha eleitoral – o seguinte programa:

6ª feira, dia 20 de Janeiro, em Coimbra:


· 10,00 Horas: Mercado Municipal;
· 12,30 Horas: Almoço num restaurante da “Baixa”;
· 16,00 Horas: Distribuição de propaganda nas ruas da “Baixa” e centros comerciais de Coimbra; e
· 21,00 Horas: Reunião de trabalho – com todas as estruturas da candidatura do Distrito – na sede do MASP3, à Avenida Fernão de Magalhães, n.º 484, 1.º (entrada pela Residencial Kanimambo).

Fazemos notar que a Comissão Executiva Distrital deliberou não organizar qualquer caravana, porquanto foi entendido que, nas actuais circunstâncias, tal não se justifica, podendo até ser mal interpretado.

Mais foi deliberado que a caravana da vitória do MASP3 fechará a 2.ª volta destas eleições presidenciais.


Pel' A COMISSÃO EXECUTIVA DISTRITAL,
FAUSTO CORREIA

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Pensar Portugal


Portugal e o futuro


Se pensa que a economia suporta mais instabilidade social, o conflito institucional e a tentativa de hegemonia de um órgão de soberania sobre outro, vote Cavaco.

Se pretende alterações partidárias a partir da Presidência da República, que os partidos se desvalorizem e os líderes da direita passem a ajudantes de P. R., vote Cavaco.

Se acha que Eanes, o desaustinado e instável presidente, que criou sucessivos Governos da sua iniciativa, a ponto de ser necessário limitar-lhe os poderes através de revisão constitucional, pode ser um eventual mentor e uma referência, vote Cavaco.

Se, pelo contrário, preza a estabilidade política, o equilíbrio institucional e o regular funcionamento da democracia, é mais avisado votar Soares.

Não é apenas a experiência que o recomenda, é a vasta cultura que o exorna, o espírito humanista de um cidadão cosmopolita, a capacidade de resistência à adversidade e o seu amor profundo à liberdade.

Pense, caro leitor, no que está em jogo no próximo dia 22.

Receio do futuro

Notícias - Uma boa e outra má

Sondagens

"Há uma semana e meia as sondagens entregavam, em uníssono, uma vitória clara e à primeira volta, a Cavaco Silva. A cinco dias do acto eleitoral os estudos de opinião acentuam uma tendência de queda e começam a colocar a hipótese real de uma segunda volta",no PORTUGAL DIÁRIO.

HANIBAL

Cavaco Silva declarou ontem que na segunda-feira já tudo estava resolvido quanto a presidenciais e que esqueceria tudo quanto a oposição falou sobre ele.
O discurso e a postura fizeram-nos recordar o verdadeiro Cavaco Silva.
Basta recordar.
Será que, atento o discurso, o povo ainda tem direito a expressar a sua vontade ou podemos passar já aos resultados?

Soares e Cavaco

À medida que as eleições se aproximam, aumenta a agressividade enquanto o discernimento e o bom senso minguam.

Não está em causa a liberdade, só o sua qualidade. Não se teme a tirania, apenas os contornos da democracia. Não se discute a Constituição da República, apenas o entusiasmo no seu cumprimento.

Há, claro, candidatos mais e menos fiáveis. No meu ponto de vista, o candidato da direita é o que tem perfil mais autoritário, capaz de interferir no Governo, gerar instabilidade e criar condições para que Sócrates não acabe a legislatura.

Claro que é apenas a presunção baseada no comportamento de Cavaco Silva, o receio fundado em sinais, a desconfiança em relação a quem, há muito, manifestou vontade de querer António Borges a liderar o PSD. O desaparecimento dos partidos que o apoiam é já um acto de submissão pouco compatível com uma democracia adulta.

Cavaco Silva é um homem sério, incapaz de violar a Constituição, mas demasiado impetuoso para permitir que o seu próprio partido siga livremente o seu caminho.

Ao ter criado expectativas que não é capaz de cumprir, só pode contribuir para debilitar os partidos num país onde o autoritarismo e a tradição antidemocrática ainda se fazem sentir.

Como dizia José Miguel Júdice, personalidade destacada do PSD, Jorge Sampaio criou o paradigma correcto de presidente da República. De todos os candidatos, na minha opinião, é Cavaco quem mais se afasta do padrão desejável e Mário Soares o que mais se aproxima.

O que os portugueses decidirem no dia 22 é o correcto. Mas, apesar da luta desigual que travam os diversos candidatos, espero que haja uma segunda volta para uma reflexão mais serena.

Há anos que Marcelo Rebelo de Sousa fez da televisão uma tribuna de propaganda ao candidato que lidera as sondagens. Não foi um exemplo de civismo nem de ética democrática.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Ex-autarca modelo

Visto por Zédalmeida

Desce lenta, lentamente

Muito se tem falado sobre alguns factos que nesta campanha eleitoral para a Presidência da República se revelaram estranhos. Dos mais falados são as sondagens.
Mas se a verdade é como o azeite, as empresas que as elaboram não devem estar disponíveis para colocar em causa a sua credibilidade técnico-científica.
Assim não estranha que cada dia que passa os valores de Cavaco Silva desçam e os da esquerda subam. Não terá só a ver com a campanha.
Apetece-me apostar que na sexta feira os valores de Cavaco Silva deverão situar-se entre os 47 e os 52 %, valores de onde, aliás, nunca saíu.
Feito o seu trabalho, está na hora de arrumar a viola e tratar da vida. Não era a elas, empresas sondagens, que se podia exigir que ganhassem as eleições.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Eleições presidenciais - A bom entendedor...

Muitos já se esqueceram do PRD, o defunto partido feito à medida da ambição de Ramalho Eanes, servido pela voz beata da D. Manuela Neto Portugal, esposa do sorumbático general que aguarda agora o bastão de marechal das mãos de Cavaco Silva.

O PRD nasceu do populismo contra os partidos. Quem ganhou com o logro foi o PSD. Nasceu à esquerda do PS e desaguou à direita. Nasceu na sacristia e morreu na sarjeta.

Foi num momento parecido com o actual. O PRD esvaziou-se pela falta de preparação política do seu mentor, alheamento dos que aderiram de boa fé e pelo oportunismo dos que transitaram com armas e bagagens para o combóio cavaquista que passava.

Eanes foi, entretanto, doutorar-se à Universidade de Navarra, um doutoramento que convém à Universidade, que liga o seu nome a um presidente da República eleito democraticamente, quando o Opus Dei, a quem pertence, tem um passado obscuro de cumplicidade com as ditaduras.

Quando a esquerda se pulveriza, alenta-se a direita, empobrece a democracia e o futuro colectivo torna-se mais incerto para Portugal.

É estreita a vereda onde viajam algumas das melhores referências democráticas da nossa história recente. O desastre consuma-se quando alguém circula sem prudência ou não consegue travar a tempo.

Eleições presidenciais

Cavaco Silva respondendo ao convite para participar num debate com os seus adversários na Rádio Difusão Portuguesa (RDP) na próxima sexta-feira.

Eleições presidenciais


Acções de campanha delineadas pelo MASP3/Coimbra

2.ª feira, dia 16 de Janeiro, às 10 horas:

· Soure – Feira; e
· Vila Nova de Poiares – Mercado/ Feira.

3.ª feira, dia 17, às 10 horas:

· Góis – Mercado;
· Lousã – Mercado Municipal;
· Maiorca – Feira; e
· Tábua – Feira.

4.ª feira, dia 18, às 10 horas:

· Miranda do Corvo – Mercado; e
· Montemor-o-Velho – Feira;

4.ª feira, dia 18, às 11,30 horas:

· Oliveira do Hospital – contactos com a população e distribuição de propaganda.

5.ª feira, dia 19, às 10 horas:

· Paião – Feira;
· Penela – Mercado Municipal;
· Tentúgal – Feira/Mercado; e
· MARIA BARROSO NO CONCELHO DE COIMBRA.

5.ª feira, dia 19, às 21,30 horas:

· Cheira (Penacova) – Convívio de Jovens no Bar “ENTRE VISTAS”.

6.ª feira, dia 20, às 10 horas:

· Condeixa – Mercado;
· Coimbra – Mercado Municipal; e
· MARIA BARROSO NO DISTRITO DE COIMBRA

MANDATÁRIOS DISTRITAIS JOVENS - Mário Soares

Eis os mandatários distritais jovens, que foram apresentados no grande jantar/comício da passada sexta-feira, 13 de Janeiro, no Parque de Exposições da ACIC, à Relvinha, em Coimbra

Assim:

· Diana Rodrigues – Docente Universitária; natural de Oliveira do Hospital;
· Gonçalo Oliveira – Músico, “DJ” e estudante; natural de Coimbra;
· Jaime Jesus – Campeão Nacional de Boddy Board; natural da Figueira da Foz;
· João Neto – Campeão Nacional de Judo e Atleta Olímpico; natural de Coimbra;
· Jorge Monteiro – Campeão Nacional de Rally Cross; natural de Mira; e
· Nuno Alves – Médico dentista; natural de Oliveira do Hospital.

O Silêncio

Cavaco Silva indisponível para debate com restantes adversários 16.01.2006 - 15h14

“O candidato presidencial Cavaco Silva manifestou-se hoje indisponível para participar no debate com os seus adversários na Rádio Difusão Portuguesa (RDP) na sexta-feira, último dia da campanha eleitoral, invocando questões de agenda. In “ Público””

O Homem tem medo de falar, de debater e discutir e quando assim é! Está tudo dito quanto à profundidade e convicção das suas ideias para o País.

Profundo

Para maiores de 12 anos e até 21 de Janeiro está em cena um extraordinário texto de José Ignacio Cabrujas que retrata a miséria de uma favela venezuelana e as ilusões da crendice do catolicismo mais atrasado.
Para passar um bom serão e repensar tantas e tantas procissões...

Mais informações:

http://www.aescoladanoite.pt/paginas/010-EMCARTAZ.html

Esmagador

Esmagador
“1. Que pisa, comprime fortemente; que esmaga. 2. Que sobrecarrega com intensidade. 3. Que oprime, abate, aflige. 4. Que convence em absoluto; que anula as possíveis dúvidas que possam subsistir. 5. Que arrasa, domina, vence.” (in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa).

Cavaco tem utilizado este adjectivo sempre que se depara com grandes manifestações de apoiantes: “Esmagador!”

A palavra é polissémica.
Qual dos significados estará na mente do candidato? O referido em 1? Em 2? Em 3? Em 4? Ou em 5?

Os inveterados cavaquistas apressar-se-ão a jurar que se trata de uma das duas últimas hipóteses.
Mas o grilo da dúvida metódica sopra aos nossos ouvidos…

O que pensaria Cavaco com os seus botões quando mandava carregar sobre os Estudantes?
“Deus me perdoe, mas temos que esmagar estes estudantes…!”
Ou os trabalhadores?
“Deus me perdoe, mas temos que esmagar estes trabalhadores…!”
Ou os próprios polícias?
“Deus me perdoe, mas temos que esmagar estes … polícias…!”
Ou o CDS?
“Deus me perdoe, mas temos que esmagar este “outro Partido”…!”

Claro que a redenção, virtude inefável do crente, lhe pode chegar da transcendência.
O próprio povo, que maioritariamente não lhe perdoou em 1996, parece estar a ser bem conduzido pelo manto obscuro de nevoeiro que se abate sobre o país e tudo esquecer em 2006.

Mas, afinal, quem quer Cavaco esmagar agora?

domingo, janeiro 15, 2006

Michelle Bachelet - Presidente do Chile


Michelle Bachelet, médica pediatra, divorciada, ateia, com filhos de dois matrimónios, presa e torturada no regime de Pinochet, filha de um general assassinado pelo regime sanguinário do ditador, acaba de ser eleita a primeira mulher Presidente da República do Chile.

Com cerca de 53% dos votos, segundo as notícias que vão sendo divulgadas por várias emissoras, a nova Presidente derrotou o candidato de direita que, com o apoio empenhado da Igreja, fez uma campanha demolidora de denúncia do ateísmo e dos divórcios da adversária, num apelo rasteiro às convicções religiosas do povo chileno.

A devoção do torcionário e ladrão Augusto Pinochet ainda não foi esquecida pelo povo chileno que, assim, deu uma vitória folgada à filha de uma das vítimas da ditadura fascista.

Quem quer tramar a democracia?


Vale a pena reflectir sobre a posição do PSD, partido que julgávamos extinto, após o início da pré-campanha presidencial, em relação ao PGR. Quanto ao «outro partido», anda por aí de rastos, sem alternativa ao voto no candidato da direita.

O PSD já pôs a circular que o PS se prepara para demitir o Dr. Souto Moura, antes das eleições presidenciais, para evitar que Cavaco Silva o reconduza. Depois dos escândalos que o atingiram, não na sua honra individual mas nas funções que desempenha, o PGR já devia ter tomado a iniciativa de se demitir sem esperar que outra assessora viole o segredo de justiça nem que lhe dêem mais informações falsas, v.g.: «O Sr. Carlos Cruz não está a ser investigado».

É evidente que ninguém acredita na recondução do actual procurador-geral a quem os erros próprios e as circunstâncias adversas impedem a manutenção no cargo. Ninguém compreenderia que o PGR, que deixou assassinar Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso, pudesse ser reconduzido.

O que o PSD pretende não é a manutenção do actual PGR, é um conflito entre o próximo PR e o primeiro-ministro, na convicção de que será Cavaco e, sobretudo, que não se investigue quem tramou o PS com o caso «Casa Pia».

Cavaco tem muitos defeitos, detesto pensar que possa ser presidente da República, mas é um homem sério. Aí enganam-se os apaniguados e não me surpreenderei se ainda vier a saber quem autorizou as escutas aos mais altos dignitários do Estado, quem as solicitou e que razões invocaram o Ministério Público e o/s juiz/es.

Neste aspecto, confio em qualquer dos candidatos a PR (6) para obrigar ao esclarecimento do que parece ser uma conspiração contra o regime democrático. Isto se, antes, Jorge Sampaio não resolver o assunto.

Diário de Notícias de 12-1













Qual destas fotografias publicou o DN na pg. 5?

Adenda de 15-1 - Esta foto de Cavaco foi tirada quando lhe referiram as declarações de Santana Lopes.

sábado, janeiro 14, 2006

E agora, Sr. PGR?

O registo e eventual escuta de 80 mil telefonemas oriundos de 208 números muito confidenciais – como refere o Expresso –, pertencentes às mais altas figuras políticas e da própria magistratura, incluindo o PGR, significa que a política está refém da polícia.

Antigamente a PIDE espiava a oposição, agora o Ministério Público vigia os políticos?

Se é verdade o escândalo revelado pelo «Correio da Manhã» não vivemos num Estado de direito, estamos à mercê da chantagem e do poder discricionário de forças ocultas.

Sendo o Ministério Público uma magistratura hierarquizada, a ser verdade que o vértice da pirâmide esteve sob escuta, um leigo pode julgar que o Dr. Souto Moura foi escutado como alibi para disfarçar uma conspiração ou como vítima de subordinados que o não respeitam.

Num ou noutro caso as instituições democráticas estão em causa. Justa ou injustamente o PGR está em situação que o assassínio moral de Ferro Rodrigues tornou insustentável.

Isto é demasiado mau para ser verdade e excessivamente repugnante para que possa passar impune.

A naturalidade é outra coisa

Cavaco Silva, quando lhe perguntaram o que pensava das declarações de Santana Lopes.

Que esconde Cavaco

A campanha de Cavaco Silva transporta os eleitores para um universo estranho, onde os obriga a tentar adivinhar o que ele pensa e pretende.Mas de vez em quando dá sinais. Principalmente, como dizia Mário Soares num jantar comício ontem realizado para mais de 2.500 pessoas, quando se convence que já ganhou. Solta-se-lhe a arrogância. E ao ler que Cavaco Silva afirmou que "fará todos os possíveis para que este governo cumpra o seu mandato" lembra-me a estória do gato escondido com...

Se o governo tem maioria absoluta o normal não era afirmá-lo pura e simplesmente? Que possíveis pode ele fazer nessas circunstâncias?

Será essa a promessa que Cavaco Silva terá feito aos partidos da direita para que os seus líderes se escondam na campanha, numa atitude que deve envergonhar Marques Mendes e Ribeiro e Castro?

Ao aceitarem esse registo, os líderes dos partidos da direita revelaram uma de duas verdades: Ou estão à espera de algo que lhes foi prometido ou não são líderes.
Na primeira é grave que os portugueses não saibam o quê.
Na segunda tolera-se. Já todos sabíamos disso.

Prof. Dr. Manuel Antunes (3)


As referências feitas ao mandatário distrital de Cavaco Silva, a propósito do apelo ao voto, provocaram um enorme azedume e um ror de vitupérios. Já me vou habituando.

Houve até quem dissesse, na beata devoção, que o referido mandatário escrevia melhor do que José Saramago mas, tirando o dislate, não houve argumentação relevante.

Dizer que o referido senhor é um cirurgião excelente, um sofrível cidadão e um político medíocre, só peca por defeito.

Quanto ao folheto da sua autoria, aí está na sua confrangedora banalidade, rudimentar recorte literário e deficiente pontuação.

Vou só repetir duas ideias e acrescentar uma outra:

1 – O uso do título académico em questões de cidadania é medíocre, provinciano e obsoleto;

2 – A defesa do «Apartheid», da África do Sul, é racista, xenófoba e abominável;

3 – Dizer que Jorge Sampaio, antes de ser operado ao coração, só seria bem operado por ele, revelou falta de ética, insensibilidade para com o doente e violação grosseira de princípios deontológicos.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Mário Soares em Coimbra. HOJE.

MÁRIO SOARES NO DISTRITO DE COIMBRA
SEXTA-FEIRA, DIA 13


Mário Soares está hoje em Coimbra. O candidato presidencial cumprirá, em plena campanha eleitoral, o seguinte programa:


· 15:00 Horas – Condeixa (concentração na Praça da República);

· 15:45 Horas – Penela (concentração na Praça da República);

· 16:30 Horas – Espinhal (concentração na Praça da República);

· 17:00 Horas – Miranda do Corvo (concentração na Av. José Falcão);

· 17:30 Horas – Lousã (concentração junto aos Paços do Concelho);

· 18:15 Horas – Góis (concentração na Praça da República); e

· 20:00 Horas – GRANDE JANTAR/COMÍCIO DISTRITAL no Pavilhão de Exposições da ACIC, ao Alto da Relvinha, em Coimbra, com:

MÁRIO SOARES
JORGE COELHO
GOMES CANOTILHO
RUI ALARCÃO
JOANA AMARAL DIAS
FAUSTO CORREIA



As inscrições para o grande jantar/comício distrital ainda se encontram abertas, devendo ser feitas para a nossa Sede de Candidatura, sita na Av. Fernão de Magalhães, n.º 484, 1.º andar, 3000-173 Coimbra, através ou do telefone 239 837 187, do fax 239 837 186 ou do e-mail: masp3coimbra@gmail.com


Coimbra, 13 de Janeiro de 2006.


Pel' A COMISSÃO EXECUTIVA DISTRITAL,
FAUSTO CORREIA

O Capital

17 vítimas em Amarante.
Carteiristas "com" Cavaco.

Título no JN, última página, 13.01.06

Para Reflexão

"A luta política não se resume às promessas de presidentes. As mudanças não dependem das suas vontades ou discursos. os movimentos sociais não devem acreditar em promessas de ninguém: nem de Santo António nem da Virgem de Fátima, só para invocar os santos portugueses. o povo deve acreditar apenas na sua capacidade de organização, para ter força e exigir mudanças que melhorem as suas condições de vida" - João Pedro Stédile, líder do Movimento Sem Terra, Brasil, numa entrevista à revista Visão

Prof. Dr. Manuel Antunes (2)

(Para aumentar, clique no texto e, depois, no canto inferior direito)

Um texto medíocre, literariamente rudimentar e com deficiente pontuação.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

ONU - Tornar oficial a língua portuguesa

ASSINEM E DIVULGUEM!
PELA LÍNGUA PORTUGUESA!

Subscrevam e divulguem:

Encontra-se em subscrição uma petição que tem por objectivo tornar oficial o idioma português na ONU, à semelhança do que já sucede com o Árabe, Chinês, Espanhol, Francês, Inglês e Russo.

Enquanto português e herdeiro de um legado linguístico e cultural com quase nove séculos de existência, que ao longo da sua história teve o condão de espalhar-se pelos vários cantos do Mundo, creio que esta é uma iniciativa merecedora da atenção de todos nós:

http://www.petitiononline.com/AB5555/petition.html

O silêncio é a alma do negócio



Portugal, 12 de Janeiro de 2005

Diário de Notícias - Às perguntas: «A existência de círculos uninominais pode ser benéfica? Porquê?

Só o candidato Cavaco Silva não respondeu.


Visão – A um inquérito feito a todos os candidatos, só um se recusou a responder – Cavaco Silva.

O candidato não responde por falta de ideias ou com medo de que o eleitorado as conheça?