Mensagens

A guerra colonial, os crimes de guerra e os retornados

Há quem, justamente, desaprove o apodo de “retornado ressentido” com que qualifico Passos Coelho e outros adversários implacáveis do Estado de direito e dos direitos sociais dos portugueses. Entendamo-nos. Fui combatente na guerra colonial e não deixo de condenar os crimes cometidos por militares portugueses, varridos para debaixo do tapete. O culpado maior de todos os crimes foi o salazarismo, responsável por uma guerra injusta, criminosa e inútil, quando éramos tão atrasados que até a aceitar o direito dos povos à autodeterminação fomos os últimos. Mas não podemos esquecer os massacres, perpetrados durante a guerra colonial, de que Wiriamu  ficou como paradigma da violência gratuita e da crueldade assassina. Não nos julguem como se todos fôssemos o alferes Robles ou o comandante Alpoim Calvão que Cavaco continua a condecorar. Não sou insensível aos dramas dos retornados, alguns familiares meus, entre os quais conto numerosos amigos e correligionários. Sinto orgulho na forma...

Notícias do dia de ontem

1 – Os autarcas nómadas podem continuar o périplo pelo país. O T. C. decidiu como devia num caso que devia ter sido ponderado na A. R.. Depois de fazerem com que a política se judicialize, não se admirem que os Tribunais se politizem. Perdemos todos. 2 – O ministro da Educação continua na tarefa de desmantelamento da escola pública, uma instituição republicana de alto valor cívico, moral e igualitário.  Com os cheques de ensino, a escola pública vai dar lugar às escolas particulares, de pendor ideológico e de natureza confessional. É urgente correr com este Governo antes que ele corra com a democracia.

Liminarmente, a imbricada questão síria…

Imagem
Pende sobre a Síria um grave, e ao que parece insolúvel, problema. Aliás, os problemas já vêm de longe configurando aquilo a que se pode chamar a ‘ guerra civil síria ’, onde a rebelião contra o dinástico regime ditatorial de Al Assad envolve uma nebulosa de combatentes que integram várias facções extremistas islâmicas. E este envolvimento está muito longe de ser uma frente unitária e coesa. Vários interesses estão em jogo. Mais uma vez por detrás deste conflito bélico e da sua dimensão sangrenta está um problema religioso que se tornou recorrente no Médio Oriente.  A luta pela hegemonia regional entre sunitas (nomeadamente a Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar) e outras facções islâmicas, no caso vertente alauíta (apoiados pelos xiitas do Irão e do Iraque). Aparentemente, a luta contra o regime de Damasco seria conduzida pelo “ Exército Livre da Síria ” oriundo de fileiras dissidentes do regime de Assad mas que rapidamente se ‘ deslocaram ’ para a “ Frente Al-Nusra ”, u...

Quo Vadis, António José seguro?

Um partido, qualquer que ele seja, tem uma memória, um programa e um trajeto que lhe ilumina o caminho do futuro. Tem pessoas que lhe dedicaram a vida e lhe sacrificaram o seu bem-estar, que trocaram os seus interesses pelo futuro do partido em que se reviam. Como pode um partido, que travou combates pela democracia, adotar para autarca uma figura como João Cordeiro, aceitando, como presidente da comissão de honra, Ramalho Eanes que, sendo cidadão respeitável, criou o PRD para combater o PS, e rever-se no tal João Cordeiro, o adversário implacável do S.N.S., referência do PS e do 25 de Abril? Como pode o PS silenciar a ereção da estátua do inefável cónego Melo, em Braga, sob a égide de um seu militante, Mesquita Machado, sem uma condenação violenta, sem uma palavra de solidariedade para a memória do padre Max e da estudante Maria de Lurdes, sem um grito de revolta e um vómito que o alivie do veneno que invadiu o partido? Como pode o PS, um partido que faz parte das minhas opções ...

Passos Coelho e a cáfila

«Após a vitória eleitoral de 2011, os militantes do PSD exigiram a Passos Coelho que culpabilizasse o PS e fizesse um "ajuste de contas" com os socialistas. Mas Passos Coelho preferiu ter "uma posição moderada" (..) e, (…) "pagou uma fatura interna" dentro do PSD». – lê-se no Jornal de Negócios online. Não é verdade. Passos Coelho preferiu um ajuste de contas com a descolonização, órfão da pátria que perdeu e que julgava integrar o Império; com o 25 de Abril que lhe roubou a cómoda condição de filho de um médico colonial; com a democracia que o equiparou ao filho de um qualquer trabalhador, que tirou um curso numa universidade prestigiada, com altas classificações; com os cidadãos que passaram a ter direito ao ensino público, à assistência médica e à segurança social. PPC vingou-se do país que o recebeu, com o ódio de um devolvido, com o rancor de um medíocre, com o ressentimento a uma democracia que equiparou um médico a qualquer outro cidadão....

Exames de adultos a fazer de conta

Imagem
A ditadura respirava saúde quando aos 18 anos, em outubro de 1961, me couberam três dúzias de alunos para ensinar a ler. Era uma escola masculina, que noutra não podia um professor lecionar. Os homens eram poucos no ensino primário, tão exíguo era o salário. A coeducação era uma blasfémia que apenas em aldeias muito pequenas era consentida, sabido que os pais, o padre e a professora vigiariam os perigos que dos 7 aos 12 anos as hormonas podiam atrair. Só o analfabetismo nos colocava então na vanguarda europeia. Só, não. A mortalidade infantil e a materno-fetal tinham também lugar saliente em estatísticas cuja publicação era vedada. Urgia alterar os índices de analfabetismo e dar o diploma da 3.ª ou 4.ª classe a quem mostrasse capacidade para assinar o nome, copiar umas frases e contar os dedos. Dava mau aspeto e pior impressão aquela esponja com tinta que esperava o indicador dos portugueses, nas repartições públicas, para substituir as assinaturas por impressões digitais. Sa...

Síria – A catástrofe anunciada

Sempre que os cruzados invadem países islamizados, deixam atrás de si um banho de sangue e a tragédia humanitária com que adubam o terreno das madraças e mesquitas. Obama é Urbano II, a apelar a uma cruzada em que o fogo amigo não deixará um único cristão no terreno, e entrega o futuro da região aos talibãs, apoiados por um devoto turco que a ingenuidade ocidental qualifica de muçulmano moderado, enquanto os terrorismo se fortalece alimentado pelos danos colaterais . Sem provas, invade-se primeiro e veem-se depois as provas, mentindo, como no Iraque. Longe de criar um módico de estabilidade e paz, a invasão anunciada é o início de mais uma interminável guerra. O primeiro-ministro inglês foi humilhado pelos seus próprios deputados, que recusaram dar-lhe o aval para uma aventura macabra onde nem sequer se sabe quem lançou o gás. Só o presidente Francês e um idiota útil do PS português, tal como Barroso e Aznar no caso do Iraque, estão sedentos de ampliar o que Guterres já classif...

Vem aí a chuva

Anuncia-se chuva para os próximos dias. A ela incumbirá levar a terra que resta nas serras áridas onde a vegetação incandescente consumiu seis bombeiros, quase 100 mil hectares de flora, e dizimou os animais selvagens que a povoavam com outros que eram o sustento de famílias. Os coelhos começaram a morrer primeiro, vítimas de uma doença que os vai dizimando e de que não se ouve falar. As perdizes foram apanhadas por entre labaredas, cansadas, a correr para a fogueira. Os químicos invadem o chão cada vez mais árido e o oxigénio que esperávamos da floresta perdeu-se na impossibilidade da fotossíntese e aumenta o dióxido de carbono. Nas aldeias, gente sofrida, olhava para o céu e dele não veio ajuda. As novenas ainda não começaram mas, com ou sem elas, a chuva virá. Só os campos ficam vazios, como vazias ficam as pessoas a remoer a sorte, desanimadas, em sítios perigosos onde perdem o sustento e a vontade de viver. Não há bombeiros que cheguem para tanto incêndio. A nossa incúria é ...

AS VELHAS PECHAS STALINISTAS DO PC

O Partido Comunista Português é sem dúvida um grande partido de esquerda, o que mais lutou contra o regime salazarista, e indispensável à esquerda portuguesa. Infelizmente, porém, sessenta anos depois da morte de Stalin, ainda não conseguiu libertar-se das velhas pechas stalinistas. Exemplo disso é a fotobiografia de Álvaro Cunhal que recentemente publicou, na qual, segundo noticia hoje o jornal i, não resistiu à velha prática de recriar a história, apagando das fotografias figuras “inconvenientes” como o socialista Mário Soares e a “folha seca” Carlos Brito. Isto revela a tradicional postura do PC. Está sempre a falar da unidade da esquerda, mas no seu restritivo conceito de esquerda apenas cabem ele próprio e a sua criatura “Os Verdes”, unidos na CDU, que toda a gente confunde com o PC. Não se alia com mais ninguém.  É este o drama da esquerda portuguesa: sem o PC pouco se pode fazer, mas com o PC ainda menos.

Carlos Brito e o PCP

Imagem
Carlos Brito dedicou a vida à luta pela liberdade.

Passos Coelho e o perigo para a democracia

Imagem
Manuel Alegre disse que Passos Coelho está a tornar-se um "político perigoso" e muitos pensaram ser um exagero. A ausência do mais ínfimo sentido de Estado e da noção mais elementar sobre assuntos políticos excluem-no, à partida, do perigo que lhe é imputado. Mas manda a prudência que estejamos atentos para não nos suceder como ao cidadão que se riu quando foi mordido por um Lulu da Pomerânia em que os caninos do animal apenas lhe provocaram duas gotículas de sangue. O animal tinha raiva.

As Ilhas Selvagens e o aproveitamento dos selvagens

A soberania portuguesa sobre as Ilhas Selvagens não oferece dúvidas e é caricato que a Espanha, com a ilhota/rochedo de Persil à distância de uma pedrada de Marrocos, e que enviou um navio militar para defender a soberania quando um marroquino apascentava aí umas cabras, viesse agora reivindicar limitações à soberania que Portugal exerce e às consequências que advêm para a jurisdição sobre as águas marítimas e a respetiva zona económica exclusiva. Portugal é obrigado a contrariar a manobra de Rajoy depois de, por incúria e inépcia, ter deixado passar sem resposta imediata a carta enviada à ONU, por Espanha, poucos dias antes da visita do PR. A Espanha, que, juridicamente, pode ver contestada a soberania sobre Olivença e o seu termo, veio recentemente reavivar o problema recorrente com Gibraltar e, agora, com a zona económica das Ilhas Selvagens. É uma forma de distrair os espanhóis do oceano de corrupção em que o PP se atolou e dos problemas económicos que abalam o País. Por seu ...

O Papa, o jejum e a paz

O Papa Francisco determinou aos crentes do seu Deus que no próximo sábado, dia 7 de setembro, se unam a ele num “dia de jejum e oração” e, como determina o proselitismo, convidou pessoas de todas as religiões para, sábado à noite, rezarem pela paz na Síria. Não duvido do desejo de paz do papa, desejo que partilho. Dando por adquiridas as boas intenções, duvido dos meios e do deus do Papa. Que a paz só se conquiste com pedidos, deixa mal visto um deus que, podendo preservá-la, apenas a concede através de orações e jejuns ou, não podendo, fica mal o papa a pedir sacrifícios de utilidade duvidosa. Há um módico de racionalidade que devia impedir quem está investido de autoridade moral de a delapidar com apelos que dificilmente darão melhores resultados do que um placebo. A guerra depende mais da decisão do Congresso americano e da vontade de Obama do que das orações pias e jejuns encomendados. Alguém percebe o humor de um deus assim?

Um PM autista, surreal e ressentido

Passos Coelho, na sua infinita ignorância e no seu dilatado ressentimento, não adivinha que os ataques ao Tribunal Constitucional são uma dupla ofensa de quem não tem ética nem sentido de Estado. Por cada chumbo do TC, em vez de arrepiar caminho, insiste em tornar-se um marginal. Ofende os Tribunais que nas universidades que frequentou, a da Mocidade do PSD e a Universidade Lusíada, não lhe ensinaram a respeitar, e ofende o PR que suscitou a apreciação da constitucionalidade como lhe competia, mesmo que a contragosto, dos diplomas que, na sua incultura, insiste em julgar que são declarados inconstitucionais por questões de humor dos juízes. Depois aceita que um fedelho, que o substitui na presidência da Mocidade do PSD, se atire à CRP como Santiago aos mouros, num desafio grotesco e pedante de quem não sabe que a atual Constituição foi votada pelo então PPD, de pé, com aplausos unânimes que juntou aos do PS e do PCP. A escola cívica do PSD, por este caminho, transforma-se numa ...

Aniversário do início da segunda Grande Guerra

Imagem
Faz hoje 74 anos que começou a carnificina que devoraria entre 50 a 70 milhões de pessoas. Não apaguemos a memória da guerra de 1939/45. Para que não se repita.

Palavras que morrem à míngua de quem as use

Imagem
As imagem impõem-se às palavras e escasseia vontade para sacudir o pó aos arcaísmos e retirar das páginas dos dicionários os vocábulos que o tempo se encarregou de arrumar como imprestáveis. As palavras morrem quando os que as deviam cuidar, por moleza, tédio ou inópia, trocam a riqueza cromática e os tons variegados, que exornam a língua portuguesa, pela frugalidade léxica que guarnece as reportagens. Tortura a frequência com que o adjetivo “complicado”, variando em género e número,  passou a qualificar os incêndios, o défice, a vida das pessoas, o orçamento de Estado, o estado do país e os factos avulsos que desfilam pelos telejornais e imprensa escrita. Os incêndios que têm assolado o país, cremado pessoas e afligido povoações cercadas, são inexoravelmente designados como “complicados”. Não há labaredas dantescas, fogos infernais, dramas, coisas dolorosas, momentos dilacerantes, futuros pungentes ou vidas sem futuro, há, seja qual for a conjuntura, situações “complicadas”. ...

Passos Coelho, Governo e terrorismo político

Só por cinismo se pode dizer que o PSD merecia o líder que tem e o Governo que nos impôs. Mas, enquanto as bases remoem a vergonha e a comunicação social avençada defende os lugares sazonais, que só a manutenção do Governo permite, o país esmorece entre o medo e a vergonha. Passos Coelho, agora liberto de funções governativas, que, aliás, nunca pensou exercer, depois de ter endossado a governação para Paulo Portas – o Irrevogável, entrega-se ao terrorismo político em dedicação exclusiva. Com impostos insustentáveis e as funções do Estado reduzidas aos serviços mínimos, a dívida continua a subir, a troika a fazer novas imposições e o País em estado de estupor. A criação de Relvas é uma lamentável criatura dedicada ao agitprop. A Constituição que jurou defender, os juízes cujas decisões lhe cabe respeitar e o anterior Governo que caiu há mais de dois anos, são os pretextos que invoca para os sucessivos fracassos de quem não sabe, não aprende e não larga o lugar que ocupa com a part...

Remodelação no Vaticano...

Imagem
 Jorge Mario Bergoglio resolveu ‘ dispensar ’ um dos homens mais polémicos da Cúria – o cardeal Bertone – que, desde a abdicação do cardeal Ratzinger (hoje a viver em regime de reclusão) esteve sempre no olho do furacão provocado por diversos escândalos (desde os casos de pedofilia, branqueamento de capitais ao tráfico de influências nos corredores apostólicos). Para o seu lugar – o 2º. hierarquia do Vaticano - nomeou o arcebispo Pietro Parolin pouco conhecido nos círculos do Vaticano e presentemente a exercer funções diplomáticas em Caracas link . É uma mudança que carece de ser interpretada à luz das lentas e sucessivas alterações que vêm ocorrendo neste papado. Primeiro, a escolha para a inevitável e inadiável sucessão de Bertone não recaiu sobre um purpúreo residente; segundo, foi indicado para o exercício das funções de Secretário de Estado um clérigo novo (58 anos) que não pode ser incluído no restrito grupo da gerontocracia cardinalícia e, em terceiro lugar, o s...

Passos Coelho e a Constituição da República

Passos Coelho, um genérico de PM, de qualidade não certificada, abdicou das funções em que foi investido, finalmente convencido da sua incompetência, e entregou as principais tarefas a Paulo Portas – o Irrevogável. Reservou para si o apelo à subversão do ordenamento jurídico português e a chantagem aos juízes a quem cabe zelar pela legalidade. Que o medíocre cidadão e péssimo PM veja na CRP os mesmos malefícios que Maomé via no toucinho, é um direito, mas que os verbalize e faça chantagem sobre o Tribunal Constitucional, é uma boçalidade contra a qual o Eng.º Ângelo Correia o devia prevenir. A decadência ética do PM pode arrastar consigo o PSD e tornar Portugal um país pária.

Passos Coelho: chantagens atrás de chantagens…

Imagem
Derrubada pelo recente acórdão do Tribunal Constitucional a pretensão do Governo de despedir, recorrendo a uma obscura manobra de ‘ requalificação ’, um número não determinado de funcionários públicos link , o Governo começa a aperceber-se que a sua ‘ Reforma do Estado ’ é um chorrilho de inconstitucionalidades. Falta saber o que sudederá sobre a alteração do horário de trabalho (40 h/semanais), bem como a vertente social dessa reforma que se traduz no corte das reformas dos aposentados (10 ou 20% já ninguém se entende) mas os auspícios não serão bons.   Hoje, o primeiro-ministro vem exibir como ‘ nova ’ uma realidade que tem sido insistentemente anunciada: a necessidade de um 2º. Resgate.  Disse: “ Se não formos capazes nos próximos meses de sinalizar aos nossos credores esta reforma estrutural do Estado que garanta que a despesa baixa de uma forma sustentada, o que acontecerá é que não estaremos em condições de prosseguir o nosso caminho sem mais financiamento,...