Mensagens

O PR, a Constituição e a separação de poderes

A fase terminal do anterior inquilino de Belém foi de tal modo amarga e dilacerante que ao alívio da saída se juntou o júbilo da chegada de um PR inteligente, empático e culto, sem negócios escuros, condutas dúbias ou antecedentes próximos antidemocráticos. Foi assim que a apoteose da chegada se prolongou, graças à empatia e sentido cénico do novo PR. Não fora o beija-mão papal, um ato de subserviência indigno do presidente de um país soberano e laico, e tudo se conjugava para uma lua de mel interminável com os portugueses, incluindo muitos dos que não votaram e dos que votaram contra ele. Passado o primeiro mês, começa o desgaste da frenética presidência em que parece que quem governa é o PR, quem marca a agenda política é o PR, quem comanda os outros órgãos de soberania é o PR. Ora, o Governo responde exclusivamente perante a AR, a condução da política externa é da exclusiva responsabilidade do Governo e os Tribunais gozam da independência que a CRP lhes garante. O exótico co...

Usos e costumes

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Porque sou contra o multiculturalismo

Em primeiro lugar, porque falhou. Em segundo, porque há quem pense que a xenofobia, a violência, a misoginia, o tribalismo e o esclavagismo possam ser formas de cultura. O multiculturalismo é, muitas vezes defendido por Estados europeus, quase sempre para preservação de diferentes culturas e, muitas outras, por um sentimento de segurança das comunidades que resistem à integração e promovem a sua própria exclusão. Recuso-me a considerar como cultura a discriminação de género, a prática da excisão do clitóris, os casamentos forçados ou outras formas de opressão que as pressões religiosas, patriarcais e sociais impõem, ao arrepio do direito, nos estados democráticos. A sociedades tribais ou concentracionárias perpetuam valores que as vítimas assimilam e defendem. O estímulo que vem dos guetos, para o confronto às sociedades abertas dos países civilizados, galvaniza as vítimas, quase sempre mulheres, recebidas em apoteose, quando regressam do desafio aos valores que as suas comunidad...

Os tabefes prometidos, não consumados e grotescamente ‘aproveitados’…

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O lamentável caso das ‘bofetadas’ que envolveu o Ministro da Cultura e dois articulistas MAS e VPV não passou de uma boutade. Pouca gente terá dúvidas disso e o próprio o reconheceu em clarificação posterior. O aproveitamento político que a Direita se propõe fazer é verdadeiramente obsceno. Se olharmos para os escândalos que se atravessaram à frente do anterior governo cujas eminencias pardas são agora os campeões da indignação ficamos estupefactos. A maneira como a Direita tratou, por exemplo, as questões à volta do seu líder – nomeadamente a incompreensível questão das dívidas à Segurança Social – contrastam gritantemente como a actual comportamento. Mas o repugnante é a tentativa de envolvimento de António Costa neste assunto alargando o seu âmbito à liberdade de expressão  link .  Trata-se de cavalgar a onda e uma vez consumado o pedido de demissão existe a secreta intenção de transformar Costa numa espécie de baby sitter que não sabe cuidar dos seus ‘meninos’...

Eu, também...

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Holanda: Referendo do acordo UE/Ucrânia

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Os holandeses rejeitaram num referendo o acordo UE-Ucrânia link .  O resultado do referendo não é vinculativo mas as repercussões políticas no seio da União não podem ser desvalorizadas. Desde a crise da Ucrânia que no terreno da política europeia estão em jogo muitos interesses. A começar pela política de confronto e retaliações entre Bruxelas e Moscovo passando pela saga expansionista da NATO em direcção à Europa de Leste. O problema dura desde os finais de 2013 com o designado "Euromaidan" e continuou com aquilo que foi apelidado como "Revolução Laranja". A Ucrânia com os graves problemas que decorrem no Médio Oriente e atingem a Europa saiu da agenda política prioritária, sendo uma situação em stand by . Entrou num ' adormecimento ' que poderá ser fatal para o seu futuro. Mas a sucinta história do 'problema ucraniano' é bem clara e explícita de um quadro de partilha de influências, de 'protectorados' e de expansionismos...

A Irmã Lúcia e a criação de Fátima

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De acordo com os interrogatórios feitos a Lúcia depois do «bailado do sol» de 13 de outubro de 1917, surgiu «Nossa Senhora vestida de branco» sobre a azinheira e, como de costume, depois de um relâmpago. Comunicou-lhe [Nossa Senhora] que deviam rezar o terço em sua homenagem e rogou-lhe que não a ofendessem mais, [quem?]. Entre o pedido de uma «capelinha» no local e informação sobre o regresso dos militares que combatiam na guerra, anunciou-lhes que a guerra acabava naquele dia, o que prova que era escassa a informação e de pouca confiança os informadores de ‘Nossa Senhora’. Lúcia revelou ainda que, logo após o desaparecimento da visão, que a Igreja católica, ao longo dos anos, converteria em ‘aparição’, olhou para o sol e viu «S. José vestido de branco», o ‘Menino Jesus vestido d’encarnado’ e ‘Nosso Senhor da cintura para cima’. Os dados referidos, que constam da pág. 49 do livro «O Sol Bailou ao Meio-Dia», do historiador Luís Filipe Torgal, deixam-nos perplexos. Isto de o Men...

Usos e costumes

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Versão islâmica dos casamentos de Santo António.

Religiões, tolices e crimes – O combate necessário e urgente

Não há qualquer religião cujo deus defenda o respeito pelas outras e, muito menos, por não crentes. Quanto maior é a crença de alguém por outra vida, depois da morte, menor é a tolerância pelas posições divergentes na única e irrepetível vida que nos coube. “A religião é um instrumento de paz” é o lugar-comum, politicamente correto, repetido à exaustão e cuja falsidade não é posta em causa, às vezes – e bem –, para evitar gestos primários de vingança contra minorias, e, quase sempre, para impedir a reflexão sobre o passado histórico da religião autóctone. O facto de se permitirem as frases anteriores, não se deve à indulgência do catolicismo, mas ao facto de ter sido politicamente reprimido na Europa. A liberdade religiosa só foi aceite pelo catolicismo no Concílio Vaticano II, há meio século, uma decisão que ainda provocava azedume em João Paulo 2 e Bento 16. Na Arábia Saudita deixavam em risco a ligação da cabeça ao tronco. “Só um Estado não confessional pode garantir a liberda...

Execuções

Segundo revela a Amnistia Internacional, em 2015 foram executadas 1634 pessoas, mais 573 do que em 2014, o que representa o maior número desde 1989. Excluindo a China, a Arábia Saudita, o Irão e o Paquistão somaram 89% de todas as execuções. À crueldade do seu deus juntam a demência do seu clero.

Papéis do Panamá

Da sargeta de um offshore saltaram nomes de traficantes de droga, milionários, burlões, políticos e celebridades. O exótico nome “papéis do Panamá” é o celofane que embrulha a fuga consentida de capitais, a delapidação de países pobres e a usura dos biltres que se apropriaram do que outros foram espoliados. Não espanta o que se sabe e alimentará a comunicação social nos próximos tempos, o pasmo reside na quebra de segurança que se julgava inviolável, protegida por Estados, às vezes para pagar tarefas sujas, outras para benefício dos seus próceres. O escândalo surgiu e não depende apenas dos jornalistas que pesquisam o mar de lama, 11,5 milhões de ficheiros, da indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos, que vendem o sigilo financeiro por módicas comissões. O impacto não porá em causa o sistema económico e político responsável e que dele se alimenta à margem das próprias leis e da decência. Para isso já estão a trabalhar grandes escritórios de...

Multiculturalismo e democracia

Numa sociedade pluriétnica, como a europeia, o multiculturalismo devia ser a forma de aprofundar o cosmopolitismo, de tornar o velho continente a referência da diversidade planetária, onde a miscigenação e a interação das diversas culturas se realizassem. Seria a forma ideal de convivência, sem os demónios totalitários que pervertem relações sociais e criam suspeitas e ódios. O Império Romano soube integrar a cultura helénica e criou a greco-romana, matriz da civilização europeia. Fundiu as culturas. A Europa não pode integrar o Islão porque não há duas culturas, há a civilização e a tradição, o direito e a vontade divina, o humanismo e a sharia. Quando uma crença é incompatível com a democracia e se pretende impor, o multiculturalismo torna-se uma utopia perigosa . O convívio de várias culturas é enriquecedor, mas a imposição dos valores de uma sobre outra, produz ressentimentos e ódios de que é difícil sair pacificamente. Os preconceitos culturais (de brancos contra negros ou v...

A pergunta do dia

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Os 'Panama Papers' serão mais uma monumental 'escandaleira' do Mundo financeiro predestinada a passar ao lado do escrutínio democrático?

Maria Luís Albuquerque e a sua boa estrela política

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Maria Luís Albuquerque acumulava a carreira docente numa universidade particular quando lhe apareceu, no ensino de adultos, um aluno com vocação para economista. Foi aí que o seu percurso profissional e político se ligou ao do aluno. Apesar da luta do discípulo contra contratos swaps, operações financeiras que transformam taxas de juro variáveis em fixas, e elevadas à categoria de crime por Passos Coelho, foram excluídos do governo vários intervenientes, mas poupada a ex-docente. Mais tarde, quando o ministro das Finanças se demitiu, reconhecendo que tinha falhado nas funções, foi ela a escolhida para o substituir, na mais bizarra cerimónia dos países da CPLP, incluindo a Guiné Equatorial. Tomou posse de um Governo de que desertara um dos partidos, com o líder irrevogavelmente demissionário, por discordar da insólita promoção, com o PR de serviço a dar-lhe posse como se o Governo existisse. Na gestão do setor bancário foi incompetente, do BES ao Banif, mas foi hábil na criação ...

A FRASE

«Ao querer agradar aos mercados financeiros, o Estado faz das prioridades deles as suas» (Benjamin Lemoine, sociólogo, em entrevista ao Le Monde) Fonte: DN, ontem.

Afinal…

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Na intervenção final do recém (?) eleito presidente do PSD foi anunciado o lançamento público das tão anunciadas ‘novas propostas’. Assim, saltaram para a liça as ‘velhas’ reformas da Segurança Social (sem se referir aos cortes dos 600 M€ e aos plafonamentos) e a uma relapsa reivindicação de 'reforma eleitoral' (provavelmente para assegurar que não volte a acontecer o mesmo que em 4 de Outubro passado). Portanto, de Espinho nada de novo. Mas há uma questão pendente. De tudo o que foi dito pelo presidente do partido é moroso, difícil e talvez inglório tentar encontrar, uma só vez, o discreto perfume daquele slogan pré-congresso. Dão alvissaras a quem divisar um resquício de: “social-democracia, sempre!”

O PSD e a influência dos rituais matrimoniais

Aguiar-Branco desafia os críticos: “vão a votos ou calem-se para sempre” O ex-ministro José Pedro Aguiar-Branco condebou as vozes críticas de Passos Coelho, em especial Pedro Duarte, Morais Sarmento e José Eduardo Martins, esquecendo Alberto João Jardim. E desafiou «os querem chegar longe no partido, têm que ir a votos. E podem fazê-lo já nas autárquicas». Ponte Europa : Vozes do Congresso não chegam ao Céu

Noticiário atrasado

Hoje, em Espinho, no Norte, e longe da Coreia, o que justifica a pequena percentagem (pouco mais de 95% dos votos) foi reeleito presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, no conclave em que o centralismo democrático operou na perfeição. Foi a maior votação alcançada em qualquer eleição com candidato único, social-democracia, sempre. A assembleia magna recuou na homenagem nacional (do PSD) a Cavaco Silva, tendo os encómios ficado a cargo do presbítero Pedro Santana Lopes, depois de lhe perdoar os agravos com que o ofendeu, chamando-lhe “má moeda”. O grande e amado líder confessou que já não era primeiro-ministro mas, na emoção, foi perdoado.

A frase

«Não acredito que o povo soberano volte a desejar Passos como primeiro-ministro» (Alberto João Jardim, em entrevista ao DN, hoje)

DAESH: O pré-anúncio da escalada…

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A ameaça directa do Daesh a Portugal é mais uma amostra da estratégia intimidatória deste tipo de terrorismo. Significa, por outro lado, que existem alterações tácticas e operacionais em pleno desenvolvimento que se inserem nos últimos acontecimentos no terreno e que se traduzem num recuo para uma retaguarda cada vez mais estreita e vulnerável. Quando se pretende atacar tudo e todos isso - em termos práticos – só pode significar desespero e desorientação. O problema é que enquanto esses transtornos duram e não são abafados pela realidade, podem sair muito caros. Quando se afirma “ Today It Is Brussels and [Its] Airport, and Tomorrow It Might Be Portugal and Hungary… .” link pretende-se cobrir a Europa com uma vaga de insegurança e de medo. Ao fim e ao cabo a reedição de um novo ‘período de Terror’ como existiu, por exemplo, na Revolução Francesa. Este período de violência passou por diversas fases desde a violência cega e inaudita sobre os inimigos da Revolução até à ...