Os tabefes prometidos, não consumados e grotescamente ‘aproveitados’…

O lamentável caso das ‘bofetadas’ que envolveu o Ministro da Cultura e dois articulistas MAS e VPV não passou de uma boutade. Pouca gente terá dúvidas disso e o próprio o reconheceu em clarificação posterior.

O aproveitamento político que a Direita se propõe fazer é verdadeiramente obsceno. Se olharmos para os escândalos que se atravessaram à frente do anterior governo cujas eminencias pardas são agora os campeões da indignação ficamos estupefactos. A maneira como a Direita tratou, por exemplo, as questões à volta do seu líder – nomeadamente a incompreensível questão das dívidas à Segurança Social – contrastam gritantemente como a actual comportamento.

Mas o repugnante é a tentativa de envolvimento de António Costa neste assunto alargando o seu âmbito à liberdade de expressão link
Trata-se de cavalgar a onda e uma vez consumado o pedido de demissão existe a secreta intenção de transformar Costa numa espécie de baby sitter que não sabe cuidar dos seus ‘meninos’.

Uma coisa é a liberdade de expressão que tem uma grandeza enorme no quadro democrático, outra será uma expressão infeliz, irreflectida e atabalhoada que não sendo própria de um cidadão a exercer funções públicas não deixa de ser uma vertente da vulnerabilidade humana.

Pergunto: Qual de nós está em condições de negar que nunca lhe apeteceu dar uma bofetada em alguém que o ‘incomodou’?

Declaração de interesses:
Nunca nutri especiais esperanças num bom exercício, por parte de João Soares, do cargo de Ministro da Cultura. Raras vezes fiquei bem impressionado com o seu desempenho político. A sua trajectória partidária (num partido que não conheço os meandros) não me parece que tenha sido particularmente feliz.
Apesar disso, jamais me apeteceu dar-lhe um par de bofetadas e em boa verdade sempre o considerei demasiado diletante para o exercício de cargos públicos. 
Todavia, perante a ‘escandaleira’ que se está a montar seria insuportável não vir a terreiro (não em defesa da honra, mas da decência política).

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