Catroga sobre Teodora: encómios "assassinos"…

Não há organismo financeiro, económico, de gestão, de contabilidade, de maeketing ou de notação capaz de refrear posições, projecções, antecipações, previsões sobre políticas orçamentais de diversos Países. 
Mesmo em situações de equilíbrio ou de superavit logo são lançadas hipóteses do fim abrupto desses El Dorados por ante-visão de catastróficas estratégias globais em permanente incubação absolutamente destruidoras de capacidade autónoma de desenvolver-se e castradoras de todo o tipo de esperança. 

Qualquer emergência económica ou financeira que afaste os povos da pobreza, em pleno desenvolvimento - como foram recentemente os chamados BRIC's - é de imediato apresentada como condicionada por interesses ocultos e enviesados, capturadores de qualquer tipo de sucesso. 
O futuro - neste antros - está adstrito à aplicação de doutrinas neoliberais. Tudo o que sair deste redil está previamente condenado.

Portugal tem sido uma vítima particular deste sistema de análise e divulgação de 'palpites'. Embora desencontradas, as projecções sobre o País são, na maioria, nefastas e se as levássemos à letra já tínhamos encerrado este torrão natal para obras.

Quando a realidade não confirma a previsão é andar em frente e fazer sair uma nova antecipação ainda pior. A receita é sempre a mesma: 'mais reformas estruturais'. E as ameaças também: fim de captação de investimento, paragem do crescimento, aumento do desemprego, etc.. Os relatórios da maioria de entidades a actuar no  terreiro político internacional são repetitivas, enfadonhas e, cada dia que passa, revelam-se pouco credíveis. São a cruel vingança para muitos que  passaram parte da vida a criticar 'cassetes'. Agora têm filmes de longa metragem a toda a hora com o mesmo enredo, os mesmos actores, o mesmo guião e a promessa de 'finais felizes' (o herói da fita anseia ganhar crédito nos 'mercados').

Tudo isto a propósito do Conselho de Finanças Públicas e dos seus pareceres. Perante o Plano de Reformas apresentado pelo Governo, que contempla mais de 2 centenas de medidas, o referido Conselho demorou poucos dias para apresentar a público o seu veredicto. 
Uma opinião demolidora sobre os fundamentos das medidas. Espanta como um Conselho presidido por uma vetusta e anosa senhora foi capaz de coordenar um organismo e avaliar tanto em tão pouco tempo. Corremos o risco de, no futuro, a avaliação preceder o documento original.

E para colocar a cereja em cima do bolo surge Eduardo Catroga o ‘criador’ desse organismo de controlo público quando das negociações orçamentais com Teixeira dos Santos, já em plena crise, a afirmar sobre o Conselho de Finanças Públicas: “tem feito um trabalho altamente meritório, altamente isento, imune a pressões políticas"  link .
O criador a elogiar a sua criação. O ‘altamente’ está mesmo a calhar. Já a imunidade é outra coisa, isto é, diz respeito a uma reacção a um corpo estranho. E o Governo para este Conselho é um corpo - estranho ou entranhado – e simultaneamente um alvo. 
Aliás, desde o início de funções o Conselho de Finanças Públicas só conseguiu ‘acreditar’ no orçamento de Vítor Gaspar em 2012. E para os portugueses está tudo dito.

Elogios como estes, vindos de Eduardo Catroga, destroem a reputação de qualquer organismo e colateralmente têm um efeito preverso: desprestigiam os dirigentes envolvidos. 
É a velha ‘tralha cavaquista’ a tentar perdurar nas estruturas e no aparelho de Estado e continua a desfrutar de largo tempo de antena na comunicação social. 

Não se percebe é porque o citado senhor não se fica pelas ‘electricidades’ - a sua dourada reforma - e julga-se ainda apto e credível para andar pela comunicação social a descarregar ‘faíscas’ a torto e a direito. 
Até onde (e quando) vamos permitir o enchimento do País de 'Medinas Carreiras'?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O último pio das aves que já não levantam voo

Cavaco Silva, paladino da liberdade

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido