A Irmã Lúcia e a criação de Fátima

De acordo com os interrogatórios feitos a Lúcia depois do «bailado do sol» de 13 de outubro de 1917, surgiu «Nossa Senhora vestida de branco» sobre a azinheira e, como de costume, depois de um relâmpago. Comunicou-lhe [Nossa Senhora] que deviam rezar o terço em sua homenagem e rogou-lhe que não a ofendessem mais, [quem?].

Entre o pedido de uma «capelinha» no local e informação sobre o regresso dos militares que combatiam na guerra, anunciou-lhes que a guerra acabava naquele dia, o que prova que era escassa a informação e de pouca confiança os informadores de ‘Nossa Senhora’.

Lúcia revelou ainda que, logo após o desaparecimento da visão, que a Igreja católica, ao longo dos anos, converteria em ‘aparição’, olhou para o sol e viu «S. José vestido de branco», o ‘Menino Jesus vestido d’encarnado’ e ‘Nosso Senhor da cintura para cima’.

Os dados referidos, que constam da pág. 49 do livro «O Sol Bailou ao Meio-Dia», do historiador Luís Filipe Torgal, deixam-nos perplexos. Isto de o Menino Jesus vestir de determinada cor e ‘Nosso Senhor da cintura para cima’, para além de não se saber se alguma nuvem vestiu Nosso Senhor da cintura para baixo ou se, perante as crianças, se esqueceu de cobrir as partes pudendas, leva-nos a concluir que Nosso Senhor apareceu em criança, como Menino Jesus, e em adulto, como Nosso Senhor.

Recordei a guia italiana a quem um turista perguntou de quem era o esqueleto pequeno, dependurado junto de outro, grande, de um santo de vasto prestígio, orgulho da cidade e do museu pio visitado, respondendo logo que era do mesmo santo, em criança.

Comentários

Jaime Santos disse…
Multiplicação miraculosa, Carlos, pois claro! Isto é puro pensamento mágico, que escapa à doutrina oficial, que tenta trazer alguma razão para o seio da Igreja. Nesse sentido, não se percebe a queixa do Papa Bento XVI quando se queixava da deshelenização do Cristianismo e a atribuía a movimentos que tiveram lugar a partir da Reforma Protestante. Essa rejeição da razão e do pensamento crítico e a sua substituição pelo puro pensamento mágico é um elemento omnipresente no Catolicismo... Ela deriva do desejo humano de que uma espécie de 'Deus ex Machina' apareça no meio do drama humano e dissolva de uma vez toda a Dor. Nem Jesus de Nazaré se atreveu a tanto no Novo Testamento...

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