Mensagens

Recordar o ditador

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Ontem, comemorou-se o 60.º aniversário da fraude eleitoral que retirou a vitória a Humberto Delgado. Hoje recordo os devotos do sinistro ditador que inspirou a burla e o posterior assassinato do «general sem medo» .

60.º aniversário de uma eleição fraudulenta

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Há 60 anos, no dia de hoje, Humberto Delgado, general da aeronáutica saído das fileiras do Estado Novo, recém-convertido à democracia, fez tremer Salazar e o regime fascista que o sustentava. A ditadura percebeu nesse dia, nas eleições que o «general sem medo» ariscou disputar, que o voto popular não mais lhe permitia manter a fachada democrática, por maior que fosse a repressão, por mais retaliações que exercesse, por mais restrições que impusesse à liberdade de expressão e à circulação de ideias. Humberto Delgado galvanizou o País e, quando um jornalista lhe perguntou o que faria a Salazar, se vencesse as eleições, e respondeu “obviamente demito-o”, o país perdeu o medo e entrou em euforia, antes de o regime consumar a fraude e redobrar a repressão. Após a fraude, que alterou os resultados eleitorais, a ditadura redobrou a vindicta contra opositores, reforçou a censura e endureceu a vigilância e repressão que a Pide, a Legião e a União Nacional sempre tinham usado. Seguiram...

Coimbra 2018 -- A bênção das pastas

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Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas traga benefícios aos estudantes ou abra a porta ao primeiro emprego. Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a eucaristia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas. Tirando o colorido fotográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes com vestes talares, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade conserve o coiro da pasta ou do portador. Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa do «porque sim», que impele os universitários de Coimbra para a missa na Sé Nova a pedir a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade. Vão ao confesso dizer os «pecados» para que se preparam, segue-se a eucaristia antes da cerveja, despacham umas ave-marias e mergulham na estúrdia da semana de ...

Amanhã, em Coimbra - Homenagem a Humberto Delgado

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Laicidade

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O niqab e da burka, proibidos em França desde 2010, em lei que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou não contrária à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, foram agora, em 31 de maio, igualmente proibidos em locais públicos, pelo parlamento dinamarquês, por uma lei aprovada com 75 votos a favor e 30 contra. A Dinamarca, que acaba de juntar-se a outros países europeus, teve a reação adversa da Amnistia Internacional à aprovação da proposta de lei, afirmando que a medida é uma violação ao direito das mulheres. É difícil fugir das nossas próprias contradições e exonerar das tomadas de posição todos os preconceitos. Neste caso, agora, como no passado, apoio a posição dinamarquesa e discordo da AI, convencido de que a referida lei defende a liberdade. Contrariamente a muitos dos meus amigos e leitores, não sou apenas contra a exibição dos adereços pios de natureza islâmica, sou igualmente contra a exposição das vestes de freiras, padres, bispos, frades, etc., em espaç...

As notícias falsas, ao mais alto nível

Quem acreditava num módico de honradez ao nível dos chefes de Estado e de Governo de países respeitáveis ficou destroçado com as armas químicas que Bush, Blair Aznar e um pouco qualificado mordomo inventaram para invadir o Iraque. As armas químicas tinham, aliás, existido e sido usadas por Saddam contra os curdos, e a proveniência era de quem então o acusou quando sabia que já não existiam. Esvaiu-se a fé nos políticos mais poderosos e deixou de se acreditar que ao máximo poder deveria corresponder um mínimo de ética. Hoje, uma década depois da sinistra invasão do Iraque, não paramos de nos surpreender com as mentiras e de pôr em dúvida as eventuais verdades. Na Síria, após sete anos de guerra, 350 mil mortos e mais de 3 milhões de deslocados, a acusação a Bachar Al-Assad de ter usado armas químicas que, no passado, tinha usado, para a retaliação adrede preparada, foi decerto falsa, pois tanto os radicais do Estado Islâmico (DAESH), como os da Al-Qaeda, designada Jaysh al-Islam...

A Pide e o ridículo

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Há ainda muito por saber sobre a sinistra polícia salazarista. As vítimas foram morrendo e escasseiam testemunhos; documentos sobre os seus crimes acabaram incinerados no tempo que ainda tiveram os esbirros da Rua António Maria Cardoso, e foram desviados outros, que o MFA não pôde preservar; a história do fascismo, apesar da exumação feita por excelentes historiadores, tem ainda pontos obscuros e o futuro muito para revelar. E o julgamento da PIDE, dos pides, dos bufos e rebufos, nunca foi feito. Há, no entanto, uma faceta que, correndo o risco de menosprezar a violência da ditadura e a crueldade da sua polícia política, não deve deixar de ser divulgada – o ridículo. A apreensão das obras de Racine que um emigrante suspeito trazia de França, deixando-lhe as de Corneille e Molière, porque Racine… Racine, Lenine, Estaline…, era dos três dramaturgos o de apelido mais comprometedor, revela bem o critério a que a intuição e a cultura dos esbirros podia chegar. A alegada apreensão de u...

Dar a César o que é de César

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Pedro Sánchez tornou-se, neste sábado, primeiro-ministro de Espanha, numa cerimónia presidida pelo rei Felipe VI onde prescindiu da Bíblia e do crucifixo, num gesto inédito em 40 anos de Estado laico. O que devia ser a regra de um Estado laico, foi um ato inédito carregado de simbolismo, três anos depois de, em 2 de junho de 2014, o primeiro-ministro Mariano Rajoy receber de Juan Carlos, rei de Espanha pela graça de Franco, a sua carta de abdicação. Pode ser um ato que não frutifique ainda na Espanha que o genocida Franco legou com um rei que educou nas madrassas romanas do catolicismo que abençoou os seus crimes, mas é um exemplo que fica a envergonhar quem, no futuro, se genuflita perante o clero ou oscule o anelão de um bispo. Pedro Sánchez deu um exemplo de rara salubridade política transformando o Palácio da Zarzuela num símbolo do poder laico.

Perplexidades

- Quem pedia um dia sem Marcelo já se contenta com algumas horas sem Bruno de Carvalho; - É mais fácil substituir o presidente do Governo espanhol do que o do Sporting; - Mariano Rajoy e Marta Soares não se demitiram, foram demitidos; - Marta Soares é bombeiro na época dos incêndios e incendiário no período das chuvas. - O Professor Alfredo de Sousa fez catedrático Cavaco Silva para chegar a PM, Miguel Relvas e Marco António Fizeram PM Passos Coelho para chegar a catedrático.

Feiras do Livro

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Informo os leitores interessados no livro de crónicas «Ponte Europa» que estará à venda nas livrarias Bertrand, Almedina e Fnac (como sucede, aliás, fora da Feira) e na editora Âncora, que o envia através dos CTT sem lugar ao pagamento de portes de correio. Durante a feira, em LISBOA, a Âncora ocupa o stand (B13). Hoje, dia 1, e até ao dia 10, abre a Feira do Livro de Coimbra, onde o stand Âncora é gerido pelo livreiro José de Almeida Gomes. Peja Internet há a possibilidade de encomendar a Hook Online – https://www.wook.pt/

A Dr.ª Cristas incha e não cresce

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A Dr.ª Assunção Cristas é uma irrelevância política e eleitoral que herdou uma bancada parlamentar desproporcionada, negociada na secretaria entre o Dr. Portas e o ora Doutor Passos Coelho, para ser a muleta do PSD, presa pela arreata à manjedoura do poder. Quiseram o bom senso e o sentido patriótico que os partidos de esquerda viabilizassem o Governo que os varreu, embora com os centros de decisão em gente da sua confiança, à semelhança da comunicação social que continuam a dominar. Percebendo o arguto e maléfico Paulo Portas que lhe fugia o futuro próximo, arredou-se e deixou a bem-comportada orquestra do CDS nas mãos da improvável regente a quem a luta pelo poder no PSD e a falta de comparência nas autárquicas de Lisboa permitiram a exibição de uma vitória local que escondeu a deceção do CDS no resto do país. Mal conquistou a liderança do partido e a insolência que caucionam a má educação com que chamou mentiroso ao PM, em plena AR, como se estivesse na praça do peixe, logo ...

Notas Soltas – maio/2018

1.º de Maio – Por mais que a sociedade de consumo se aproprie da festa e a esvazie de conteúdo, a data será sempre a da festa dos trabalhadores, no simbolismo da luta pelos seus direitos e na lembrança dos mártires que os reivindicaram. Reino Unido – A conveniente acusação à Rússia pelo envenenamento de um ex-espião, que levou à retaliação diplomática de países da Nato, exige provas. As guerras, como a do Iraque, serviram para resolver problemas aos agressores. O RU está sob suspeita. Cambrydge Analytyca – A falência da empresa que atraiçoou as democracias e usou a fraude ao serviço dos piores políticos é um óbito desejado, mas não faltam recursos para novas formas de usar o conhecimento da Internet ao serviço do neoliberalismo. Moçambique – A morte de Afonso Dhlakama pode ter ocorrido na altura em que fosse útil à pacificação do País, mas a conduta terrorista do filho de régulo, fez jus ao partido tribal – Renamo –, criado pela racista Rodésia e sustentado pela gue...

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) - 10.º Aniversário

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Participantes Escritura

ZÉDALMEIDA

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Na morte de um excelente criativo  e grande desenhador. Zédalmeida era um homem generoso e bom. Faleceu ontem. Hoje, restam as cinzas de um amigo de há 50 anos.  E os seus desenhos.

O poder e a democracia representativa

Apesar dos limites da democracia representativa e das injustiças que pode produzir, não conheço forma mais genuína de representação da vontade dos eleitores e de permitir a posterior alteração do voto, em função das decisões tomadas por cada partido. A democracia dilui-se sem uma componente social e económica, mas deixa de o ser se os deputados se furtarem ao exercício do mandato que as eleições lhe conferem. Não há assunto sobre o qual não possam e devam legislar, há apenas limites da CRP. O mais hipócrita dos argumentos é a ausência de um determinado tema no programa de um partido ou do compromisso prévio de uma determinada orientação num assunto em debate parlamentar, argumento usado pelos que rejeitam a alteração proposta. O que é válido para deputados é-o igualmente para governantes e ninguém espera que as decisões tenham constado dos programas eleitorais ou, sequer, sido previstas. Alguém acredita que um governo teria ganhado eleições se tivesse prometido vender a EDP, a ...

O Congresso do PS, as televisões e os cromos da minha caderneta

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O congresso de qualquer partido é importante, não apenas para os militantes, para todos os cidadãos que se interessam pela res publica. Sendo o PS o partido do Governo aumenta o interesse pelos seus principais atores e as propostas que apresentem, malgrado a liturgia que as ofusca ou o ruído que provocam. O que eu dispenso é a explicação do que é dito por profissionais da exegese política e a sobreposição destes ao filme dos congressos. Representam para os telespetadores o que os tradutores gestuais são para os surdos-mudos, às vezes com a qualidade do intérprete que se notabilizou num ato solene da África do Sul, a gesticular sem nexo. É, pois, por uma questão de salubridade mental que assisto, em diferido, aos congressos, limitando-me à imprensa escrita. Evito as colunas que explicam o que leio, e divirto-me com outras leituras. Exultei com o aparecimento da múmia de Cavaco Silva, receosa de que a eutanásia seja retroativa, a declarar que, nas próximas eleições, vota PCP ou CDS, ...

Não podemos esquecer…

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Há, na história dos países, datas condenadas a causar calafrios às gerações que sofreram as consequências. O 28 de maio foi, em Portugal, o início de uma longa ditadura. Esquecidos os massacres nas colónias, a censura, as prisões sem culpa formada, a guerra colonial, os assassinatos, a polícia política, os exílios, as torturas, os campos do Tarrafal e de São Nicolau, os presídios de Peniche, Caxias e Aljube, os Tribunais Plenários, os bufos e os rebufos, toda a violência fascista, corremos o risco do regresso. É na história, que já se branqueia, que devemos meditar, para não a repetirmos com um partido único e um salvador que nos garanta a paz, a prosperidade e a segurança que as greves, a liberdade de expressão e o pluralismo democrático põem em causa. O respeitinho é muito bonito.

O Congresso do PS, as televisões e os cromos da minha caderneta

O congresso de qualquer partido é importante, não apenas para os militantes, para todos os cidadãos que se interessam pela res publica. Sendo o PS o partido do Governo aumenta o interesse pelos seus principais atores e as propostas que apresentem, malgrado a liturgia que as ofusca ou o ruído que provocam. O que eu dispenso é a explicação do que é dito por profissionais da exegese política e a sobreposição destes ao filme dos congressos. Representam para os telespetadores o que os tradutores gestuais são para os surdos-mudos, às vezes com a qualidade do intérprete que se notabilizou num ato solene da África do Sul, a gesticular sem nexo. É, pois, por uma questão de salubridade mental que assisto, em diferido, aos congressos, limitando-me à imprensa escrita. Evito colunas que explicam o que leio e divirto-me com outras leituras. Exultei com o aparecimento da múmia de Cavaco Silva, receosa de que a eutanásia fosse retroativa, a declarar que, nas próximas eleições vota PCP ou CDS, isto...

O referendo da Irlanda e a IVG

A chegada de Trump à presidência dos EUA não foi apenas uma catástrofe para a paz, o ambiente e a previsibilidade política, foi o início de um retrocesso civilizacional com os riscos acrescidos por um indivíduo impreparado, narcisista e imprevisível. Não há campo onde a influência deletéria do país mais poderoso da Humanidade não se faça sentir. A escalada da extrema-direita, a explosão dos nacionalismos agressivos e o recuo dos direitos humanos são a face visível de um poder que estava oculto e explode agora numa apoteose que augura os piores receios. Enquanto a fome, a guerra e a miséria produzem milhões de mortos e de deslocados, por todo o mundo, e as ditaduras ameaçam de novo os povos que julgavam ser a democracia perpétua, assiste-se, nos costumes, a uma batalha das forças mais obscurantistas. Dos EUA aos países sul-americanos, da Ásia à Europa, há uma escalada misógina, que se abeira da patologia islâmica ou do fundamentalismo de Malta. Na Eslováquia e na Polónia reforçam-...

Confusão no albergue espanhol…

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A situação política espanhola regista, no presente, uma enorme convulsão. Com um governo afundado no escândalo Gürtel é verificável que estabilidade política sofreu um tremendo revés.   Marino Rajoy tem - em relação a este escândalo que desde há anos envolve a direção do PP - passado entre os pingos da chuva. Não é possível continuar a fazê-lo. Perdeu - com a sentença do caso Gürtel - toda a credibilidade necessária para prosseguir na governação. Rajoy tenta – mais uma vez - escapar a uma condenação de dirigentes partidários e do próprio PP que atinge o cúmulo jurídico 300 anos de prisão. Algum dia – o PP e os dirigentes a começar por Aznar - haveriam de ser apanhados na teias que urdiram.   O PSOE apresentou no Parlamento uma moção de censura link . Aparentemente, esta poderá colher um apoio maioritário de algumas bancadas parlamentares. O problema não é propriamente essa moção mas o que se seguirá. PSOE quer construir a partir da demissão de ...