Fidel Castro


Que ficará na História do brilhante doutorado em Direito que se fez revolucionário para derrubar a ditadura pusilânime e corrupta do general Fulgêncio Battista?

Quem continuará a sonhar com a gesta heróica de Fidel e Che Guevara na guerrilha, no exílio, na prisão e na luta pela libertação de um país que era o bordel americano?

Quem apreciará a firmeza e coragem com que Fidel enfrentou, afrontou e resistiu ao mais poderoso império de todos os tempos?

Fidel Castro, amado e temido, mantém ainda a aura romântica do libertador e índices de popularidade invejáveis no seu povo, a quem lega elevados níveis de cultura, instrução e saúde incomparáveis com os de qualquer outro país da América Central ou do Sul.

Fidel foi um libertador e um herói, mas, com o tempo, foi nele mais forte a necessidade da manutenção do poder do que a liberdade, mais notória a perseguição aos adversários do que o progresso económico, enquanto o regime asfixiou a democracia.

Do herói que foi, do mito que podia ser, resta um velho que abdica do mando porque já o não pode segurar. No país onde não deixou florir a liberdade, donde fugiram milhares de compatriotas, na ilha que converteu em prisão, resta o regime de partido único.

Foi mais feliz o Che, morto na juventude, símbolo eterno de uma utopia cujos frutos não foram brilhantes mas que seduziram espíritos sensíveis e generosos um pouco por todo o planeta. Fidel viu ruir o comunismo a que terá aderido, talvez contrariado, face ao ostracismo dos EUA, e não evitou ser o coveiro da Revolução libertadora, encerrado no labirinto das suas próprias contradições.

A História o julgará. E, decerto, não o absolverá.

Comentários

Anónimo disse…
Discordando em detalhes... amigos como sempre!
e-pá! disse…
O Homem, retira-se da vida pública, sem ter sido morto pela CIA, o que parecendo pouco, é uma façanha. Quer pela sofisticação dos meios, quer pela inúmeras tentativas, é um grande resistente.

Foi um revolucionário que teve a ousadia de se impôr a 100 Km dos EUA. Nas suas barbas!

Por causa disso, Cuba sofreu um dos mais extensos bloqueios comercial do Mundo.
Passou pela maiores dificuldades económicas nomeadamente depois do desmoronamento do regime soviético e teve de abrir a ilha ao comércio turístico da Europa, para arrecadar uns euros que garantissem as importações indispensáveis (poucas).

Só recentemente - já doente -arranjou um apoio substancial: Hugo Chaves.

Não fez a democrarização da sociedade cubana porque sendo acossado desde o 1º. dia - não pode, não teve espaço, ou não teve engenho, para tal.

Será julgado como um ditador que não respeitou os direitos democraticos do seu povo, condicionando-lhe, muitas das liberdades individuais com a justificação da defesa de revolução e a primazia das liberdades colectivas?

A História que vem vivendo desde a Sierra Maestra dará, em devido tempo, o seu veridecto.
André Pereira disse…
Já devia ter saído há muito mais tempo. Agarrou-se ao poder. Não modernizou o país. Viveu agarrado a ideias e conceitos ideológicos que falham pela raiz.
Há perseguição pol´+itica, não há liberdade de expressão, há fome. Cuba não está bem. Desejo que mude o regime.
Rui Cascao disse…
A inelutável verdade é que quase todos os maiores líderes da história (com excepções, tal como Tito ou Estaline) ou morrem prematuramente (como Alexandre, Octaviano, Cristo ou El Che) ou abandonam voluntariamente o poder (como Péricles, Sulla ou Washington). A esmagadora maioria daqueles que se procuram eternizar no poder arrisca-se a morrer pelo próprio ferro com que matou (Júlio César, Saddam Hussein) ou a cair na sarjeta da inglória (Hitler, Mussolini), ou ainda no oblívio do esquecimento.
Carlos Esperança disse…
Rui Cascao:

É uma injustiça esquecer Salazar e Franco que, embora medíocres, morreram bem sacramentados e impunes.
e-pá! disse…
CE:

....A diferença entre Tito ou Estaline, Alexandre o Grande, Octaviano, Cristo, Che Guevara ou Péricles, Sulla ou Washington e vá lá de Fidel (que ainda continua vivo), ultrapassa as mediocres longevidades de Salazar e Franco.
É fundamentalmente uma diferença de grandeza.
E basta.
Rui Cascao disse…
Carlos:
Tem muita razão quanto ao Salazar e ao Franco (e ainda o Pinochet e o Suharto, que morreram de velhos). No entanto, a eles a história não os absolveu :)
RJ disse…
Em Havana, Cuba, vai um miudo pela estrada, cruza-se com Fidel Castro.
Este, ao ver que o miudo o ignora, pergunta-lhe:
- Oye niño, sabes tú quién soy yo?
- No señor, no se quién es usted, ni me interesa.
Fidel muito chateado diz-lhe:
- Como castigo por no conocer al comandante Castro, ahora
mismo tienes que decirme 20 palabras que comiencen con la letra "C" para
que nunca más en tu vida se te olvide que mi apellido es Castro con la letra "C".
E o miudo diz:
- " Compañero Comandante Castro, cómo y cuando, carajo, comeremos carne con cerveza Corona como comen los cabrones comilones del Comité Central Comunista Cubano...?
Fidel ficou de boca aberta, e após um momento disse:
- Falta una!
E o miudo concluiu:
- Cabrón!
Luis disse…
A História vai enfrentar um grande dilema ao julgar Fídel Castro. Vai haver muitas divisões no julgamento, haverá posições inflamadas na acusação e na defesa, mas acredito que com o passar dos tempos a tendência será para a absolvição e até glorificação.

Pensando em Castro e em Cuba não deixa de ser surpreendente a capacidade de resistência deste homem que aguentou durante 50 anos a vizinhança sufocante da América, que sobreviveu ao colapso da União Sovietica e que até teve a ousadia (e a capacidade!) de enviar tropas para Angola.

Nos últimos tempos, já diminuído Fidel, surpreenderam-me os artigos muito lúcidos publicados no Granma onde analisa de uma forma clara e documentada o problema energético do mundo actual e denuncia essa trágica opção americana de enveredar pela transformação do milho e do trigo em etanol e que irá trazer a fome e o desespero a uma boa parte da Humanidade.

Quando um dia os americanos "comprarem" a democracia em Cuba a troco de um punhado de dólares desvalorizados, algo se vai ganhar e muito se irá perder!

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