BCE pretende tutelar, na sombra e permanentemente, o nosso futuro…
O Banco Central Europeu fez ontem, através do vice-presidente Vítor Constâncio, um sinistro aviso que questiona e derruba a ‘grande estratégia’ de Passos Coelho acerca do libertar rapidamente o País da troika, facto que tem servido para justificar medidas recessivas em catadupa no presente e no futuro próximo (enquanto o deixarem).
Ainda não é conhecida (pelos portugueses) a misteriosa ‘Reforma do Estado’ e já o BCE avança com um ‘novo programa’ (de reformas e ajustamento) e o arrogante aviso que continuará a ‘mandar cá’, depois do fim do actual programa de auxílio financeiro … link.
As questões que este recado coloca são pertinentes e não podem ser, por mais tempo, proteladas:
- Perdemos definitivamente a soberania para entrarmos numa permanente submissão aos ditames poder financeiro?
- Continuará o primeiro-ministro a usar a recorrente argumentação de estar empenhado em ‘libertar-nos da troika’ o mais rapidamente possível ou chegou a altura de reconhecer que a ‘pressa’ é pura e simplesmente o aproveitar da ‘maré neoliberal’ para alterar os princípios fundamentais que moldam, definem e caracterizam o actual regime?
Estas são clarificações políticas que o 'processo de ajustamento' em curso tornou urgentes e devem condicionar as estratégias que procuram soluções para a presente (e ao que parece duradoura) crise.
Esta, também, a discussão necessária e imprescindível que está a ser iludida, por uma grande e repetida aleivosia: ‘nem mais tempo, nem mais dinheiro’…
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