O centro e a política

Uma formação oportunista que concorreu às eleições autárquicas de Coimbra, e elegeu vereadores, abordou-me durante a campanha para, legitimamente, me convencer a votar na lista que apresentava.

Perguntei se eram de direita ou de esquerda e disseram-me que não eram uma coisa nem outra. Fiquei esclarecido. Eram de direita.

O que me surpreende é a quantidade de partidos que se reclamam do centro, como se tal abstração passasse de um ponto sem superfície ou volume e aí coubesse o que quer que fosse. Quando muito é uma linha, sem princípio nem fim e, sobretudo, sem princípios.

Na arte da dissimulação, à falta de um programa, há quem reivindique como virtude a ausência de ideias e a desfaçatez do logro.

Em democracia há direita e esquerda, com mais ou menos densidade, e nunca a imitar o vazio que é o ponto e que, em política, não chega a ser de interrogação. É o vazio onde se escondem todos os logros e albergam muitas ambições, uma estratégia para confundir incautos e ocultar a cobardia de quem não ousa definir-se.

Comentários

Manuel Galvão disse…
República em Marcha contra Coletes Amarelos...

Movimentos apartidários e sem ideologia... É o que está a dar! alguém tem dúvida? O próprio Trump foi lá posto por um movimento destes.

É o que acontece quando os partidos tradicionais saídos do pós guerra deixam de dar resposta satisfatória a problemas como a corrupção, a desvalorização do trabalho, a repartição equitativa do rendimento disponível capital e o trabalho...

Vai acabar mal !
Jaime Santos disse…
Carlos Esperança, eu considero-me alguém do Centro-Esquerda, mas não deixo por isso de ter princípios. Defendo uma Economia em que o Estado ocupa algumas posições necessárias, com participações na banca e o controle de monopólios essenciais como as redes elétricas e as restantes 'utilities', mas não quero saber cá de nacionalizações em massa e muito menos de uma Economia Planificada.

Se a crise de 2008 veio por a nu muitas das debilidades deste modelo, a crise do keynesianismo no anos 70 primeiro e depois o colapso absoluto da URSS mostraram que quaisquer veleidades coletivistas dão ainda um pior resultado. A memória da Esquerda relativamente isto é, infelizmente, muito curta.

Não confundamos, por isso, Centrismo com Centrão. E depois, há um mal que afeta todos os nossos Partidos que é a falta de uma defesa clara e inequívoca do Liberalismo Político que é ele próprio uma posição inegavelmente centrista.
Monteiro disse…
A Câmara de Borba foi ganha por uma lista Independente que apenas responde perante os eleitores que votaram neles, tal como a Câmara do Porto ou a de Portalegre...Estes independentes formam um grupinho de amigos que giram em torno do Presidente desligados de qualquer pressão partidária. Quando lhes perguntamos se são de direita ou de esquerda dizem exactamente isso que não são uma coisa nem outra. Numa mesa em participei para a Câmara da Amadora, lá estava um grupinho de amigos da cidade a fazerem a vida negra a quem na mesa não lhes achava graça. E que irritantes que são. Lá conseguiram os votos necessários para nomearem alguém. É democracia, dizem e temos de engolir em seco.

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