MÉDIO ORIENTE: Síria, Curdistão e o Erdogan(istão) …

O Curdistão é, no presente, uma abstração territorial que engloba no seu âmbito uma realidade étnico-cultural – o povo curdo – espalhada por múltiplos Estados do Médio-Oriente (Turquia, Irão, Iraque e Síria). Devemos acrescentar que a tal ‘realidade étnico-cultural’, isto é, o povo curdo, tem sido espezinhada ao longo de séculos.

Não vale a pena recordar a História tais são as aleivosias cometidas sobre este povo a última das quais vindas do lunático Trump que revelou não terem os curdos ‘ajudado no desembarque da Normandia’ link .
Se a idiotice municiasse forças militares os curdos poderiam ainda acalentar a esperança de safar-se desta nova ‘saga otomana’ (que os acordos de Lausanne em 1923 se ‘esqueceram’ de contemplar).
Mais uma vez joga-se com o conceito de ‘terrorismo’, como no passado recente se usou o das ‘armas de destruição massiva’, para cometer as maiores infâmias e para dar largas a instintos expansionistas (neste caso de califado).
 
Erdogan depois de perder Istambul tinha de arranjar um motivo para tentar iludir a situação interna e nada melhor do que uma ‘guerrinha’, nomeadamente, daquelas em que a vitória está preanunciada tal a desproporção das forças em presença. A seguir à guerra virá a ‘reconstrução’ que é um bom instrumento para animar a economia. Conhecemos perfeitamente o ‘esquema americano’.
 
Todavia, absolutamente inaceitável é a posição dos representantes diplomáticos da União Europeia que condenam formalmente a invasão com base em conceitos gerais do Direito Internacional - invasão é o termo certo embora Erdogan não goste - e ‘querem’ link (mas parece que não podem) suspender a venda de armas à Turquia, nesta altura do campeonato, uma atitude meramente simbólica que vale pelo isolamento que encerra.
 
É muito triste reconhecer duas coisas:
A União Europeia relativamente a um subúrbio ou quintal (já o foi nos tempos coloniais) nas fronteiras orientais do Continente, o que exibe não é qualquer condenação ou sanção mas uma confrangedora posição de fraqueza no contexto internacional.
Mais, esta situação, evidencia as enormes contradições de uma organização bélica para defesa dos interesses ocidentais que tenta sobreviver sem qualquer justificação e que não resiste ao mínimo escrutínio de confiança mútua – a NATO. O secretário-geral desta organização, Sr. Jens Stoltenberg, perante este descalabro que envolve o 2º. maior exército da NATO, limita-se a aconselhar Erdogan ‘a agir com moderação’ link.
 
Em relação ao dito ‘Ocidente’ resta pedir que haja o mínimo de decência, já que não existe ponta de vergonha. Em relação ao ‘irmão Erdogan’ que Alá o cubra…
 
Adenda: Que se saiba Trump também não esteve no desembarque da Normandia (nasceu 2 anos após!).

Comentários

Manuel Galvão disse…
O essencial não foi dito. Tem a ver com os refugiados.
E se Erdogan abrisse as portas ao milhão e meio de refugiados que quer atravessar o Mediterrâneo em barco de borracha?
As fragilidades da Europa Comunitária são muito mais vastas do que aqui se está a dizer...
e-pá! disse…
Manuel Galvão:

Tem razão quando afirma que o essencial é a questão humanitária.
Mas também aí existe muita confusão.

Os milhões refugiados na Turquia estão a ser usados como moeda de chantagem depois de Erdogan ter feito um 'negócio' (de milhares de milhões de euros) com a UE para os 'acantonar'.

Mas para além desses 'velhos' refugiados a invasão turca à Síria vai criar novos refugiados, estes curdos, que constituem a minoria étnica mais numerosa (cerca de 10% da população síria) e certamente vão dirigir-se para a fronteira norte, isto é, para a Turquia. Esse é, de facto, um importante aspeto do vandalismo decorrente da política do califa Erdogan que não olha a meios para tentar consolidar o poder que lhe está a escapar em Ankara.

Todavia, no post, o pretendido foi espelhar a enorme hipocrisia do dito 'Ocidente', à volta do problema curdo.

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