Mensagens

Valha-nos o tribunal Constitucional

A pior maioria, o pior Governo e o pior PR, com a multidão de avençados, pelo medo e pelo suborno, entraram na marginalidade legal de que nem a chantagem os livrou. Quem jurou respeitar e fazer respeitar a CRP e se prestou a ser paquete do Governo que tem pela lei o respeito de Maomé pelo toucinho, usa as mesmas justificações para coagir o TC. Podem sentir saudades dos Tribunais Plenários mas os juízes de hoje mantêm um módico de decência que impede Portugal de aderir ao ordenamento jurídico do califado do Iraque. Quando se desrespeita a lei, ameaça-se quem a aplica; quando não se sabe para onde se navega culpa-se o vento; quando se chega ao Governo sem ter sido, pelo menos, vogal de Junta de Freguesia, é todo um povo que lamenta o voto que lhe confiou e esconjura a abstenção. Não sei se foi a nossa vocação suicida que nos levou a escolher o pior caminho que nos foi proposto sem se prever que seria percorrido pelos piores, e da pior maneira, quando a pior conjuntura internacional...

Espírito Santo: ‘Brandas’ transições…

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O colapso do 'império Espirito Santo' surpreendeu muita gente mas é o exposto. Só não adivinhamos a totalidade das consequências porque o Grupo assemelha-se a um iceberg. Todavia, e paralelamente, começaram as manobras de ‘branqueamento’ pessoal e da família. E como branco, branco, são as vestes papais numa curta e vazia entrevista ao “Diário Económico” link , Ricardo Salgado, o patriarca [destronado] do clã bancário dinástico (financeiro e empresarial), primeiro responsável por um grupo financeiro que ‘influenciou’ o nosso País durante mais de 1 século, cita por 3 vezes o papa Francisco. A fé parece ter substituído os negócios obscuros, as engenharias financeiras, o dinheiro fácil, a especulação bolsista, etc. e estamos perante uma mística transição: o ardiloso e desacreditado banqueiro virou um ‘homem de fé’. Terá começado a pregar no deserto enquanto aguarda o milagre da ‘ressurreição’. A segunda desde há 40 anos. É obra! É fácil imaginar o que sucederia n...

Reformas penhoradas

Enquanto há quem se excite nos ataques ao advogado Marinho Pinto, como se o cidadão não tivesse o direito de se candidatar aos lugares que bem lhe aprouver e de se submeter ao veredicto da opinião pública, os dramas sucedem-se na sociedade portuguesa com os números a esconderem a desgraça que se vive no interior das famílias. O DN de ontem, noticiava que, desde 2011, foram penhoradas mais de 509 mil pensões e que a Câmara dos Solicitadores está a penhorar, em média, 579 reformas por dia. Referir em euros a tragédia silenciosa que corrói as famílias portuguesas é a brutalidade que faz esquecer lágrimas silenciosas de amanhãs sem futuro, de presentes de desespero e de passados que se esvaem na melancolia e impotência de quem não pode ajudar mais a quem deu o que tinha e por quem agora fica sem o que precisa. São os pais que ficaram fiadores de um negócio que correu mal, avós que não souberam dizer não à teimosia de um neto que quis apostar numa sociedade que faliu, dramas que o des...

Multiculturalismo

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Esquerda, direita e opções políticas

Discordo de quem pensa que os extremos se tocam e de que, no limite, a esquerda e a direita não se distinguem. Há objetivos divergentes, aspirações antagónicas e princípios incompatíveis. O que sucedeu foi o facto de a esquerda, quando em 1917 tomou o poder na URSS, não ter resistido a pulsões totalitárias de que a direita tinha o monopólio secular e, assim, se denegrir perante os que divergem dos modelos únicos e dogmas de qualquer natureza. A tradição czarista não foi de todo erradicada e, em nome da justiça social, cometeram-se tropelias, crimes e genocídios sob o pretexto de amanhãs cantantes que nunca chegaram. Essa esquerda, cujos resquícios afloram em guetos ideológicos agressivos, é inimiga da vitória da esquerda plural, da esquerda humanista, que combate o liberalismo e entende a sociedade como um corpo vivo que deve ajustar-se às idiossincrasias, de acordo com a história, geografia e hábitos dos povos, que não colidam com conquistas da civilização. É uma esquerda que re...

Matemática

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Maryam Mirzakhani  Maryam Mirzakhani A iraniana Maryam Mirzakhani recebeu a medalha Fields, considerada o prémio Nobel da Matemática, na abertura do Congresso Internacional de Matemática (CIM) hoje, em Seul, o que a transforma na primeira mulher a receber o prémio. Mirzakhani, de 37 anos, professora na universidade americana de Stanford, foi uma dos quatro, premiada com este reconhecimento e a primeira mulher a recebê-lo desde que foi criado em 1936. Jovem, bela e inteligente, é certamente motivo de raiva para os aiatolas e um estímulo para as mulheres do mundo inteiro que os preconceitos religiosos relegaram para uma subalternidade que devia envergonhar quem teve mãe e tem irmãs ou filhas. Os homens jamais serão livres se as mulheres o não forem em pé de igualdade e de pé.

A Senhora de Fátima, a República e o salazarismo

Engana-se quem pensa que a Senhora de Fátima é apenas um dos avatares da Virgem Maria, personagem mítica com mais heterónimos do que Fernando Pessoa. A Senhora de Fátima foi a criação clerical de um instrumento contra a República e uma imagem de marca do povo que a monarquia legou beato, analfabeto e supersticioso, um epifenómeno contra a laicidade, a democracia e o secularismo. A «Senhora mais brilhante do que o Sol» iniciou a carreira de pitonisa na Cova da Iria, depois de vários fracassos em locais mais instruídos e urbanizados. Foi em 13 de maio de 1917 que apareceu, pela primeira vez, no ermo que a promoção pia transformou num dos mais concorridos destinos turísticos. A Senhora começou por atrair a atenção de três pastorinhos, sendo a Lúcia a que ouvia e via, a Jacinta a que só ouvia e o Francisco que não ouvia nem via. Os rapazes são lentos a despertar os sentidos. Começou por dizer-lhes que Deus se encontrava muito zangado, que queria toda a gente a rezar o terço, e anunci...

Divagando sobre barretes e 'experiências'…

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Um dos homens que em Portugal sabe desta ‘poda’ (financeira), isto é, das suas ' maningâncias ' assente num saber camoniano (de 'experiência feito') é João Rendeiro  (de sua graça) que resolveu produzir sobre o ‘caso GES/BES’, em desenvolvimento, algumas afirmações deveras preocupantes. Trata-se de um expert que sendo, neste momento, um dos principais arguidos no processo BPP ostenta publicamente o ‘ savoire faire ’ relativo a estas coisas e é tido pelos ‘ mercados ’ como um analista qualificado (que terá apreendido com o ‘desastre BPP’). Este ex-banqueiro (actualmente está inibido de exercer essa ‘profissão’) que virou comentador económico-financeiro na blogosfera ( link ; link ) admite que o impacto na economia gerado pela ‘crise GES/BES e associados’ poderá ser quantificado numa queda do PIB que atingirá 7,6% link . Até aqui as preocupações políticas (do Governo e dos partidos) têm-se centrado sobre quem vai pagar a falência do Grupo (BES incluído) e as c...

No 107.º aniversário do seu nascimento, homenagem a Torga

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A Frase

«Vinte e seis mil milhões de euros é uma pipa de massa, esse dinheiro deve ser bem aplicado, que se calem aqueles que dizem que a União Europeia não é solidária com Portugal e os países da coesão». (Durão Barroso, mordomo da reunião dos Açores que decidiu invadir o Iraque, conviva do jantar em casa de Ricardo Salgado na preparação da primeira candidatura de Cavaco Silva a PR e putativo candidato a sucessor de Cavaco, certo de que não pode ser pior).

O negócio das relíquias está de volta

Não dedico a Lutero e, ainda menos a Calvino, especial sedução, mas admiro, sobretudo ao primeiro, a coragem com que denunciou o negócio das indulgências e o das relíquias, que eram para Leão X o que as especiarias, cravinho, canela e noz-moscada, foram para os portugueses da mesma época. Quando as indulgências se vendiam ao domicílio e já prosperava o lucrativo negócio de relíquias contrafeitas, sem certificado de origem nem garantia de milagres, insurgiu-se Lutero contra o negócio e causou rombos irreparáveis no comércio papal e no paralelo. A excomunhão da Igreja Romana e a pena de proscrito, esta imposta pelo imperador do Sacro Império Romano Germânico, causaram-lhe menos danos do que ele aos negócios pios. No fundo, as cotações das excomunhões baixaram em linha com as das relíquias e indulgências na bolsa de valores da fé. Agora que chegaram a Portugal, ao Santuário de Cerejais, em Alfândega da Fé, relíquias de João Paulo II [cabelo e vestes brancas usadas por ele] certament...

Os acionistas sabem que uma empresa pode falir

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A economia, os partidos e a felicidade

Surpreende-me a fé de muitos, que acreditam nos partidos em que votam para salvarem o país e, alguns, a própria Humanidade. Seria trágico se a confiança se desvanecesse em todos e se os partidos, essenciais para a democracia, fossem enjeitados, mas seria prudente que os militantes procurassem novos paradigmas para o futuro. O comunismo ruiu com a falência da URSS e alimenta a fé de vários devotos, um pouco por todo o lado, com a mera conservação do rótulo e o mais despudorado capitalismo ou quando se fecha em regimes obsoletos e concentracionários. Por sua vez, o capitalismo atinge o paroxismo da demência, incapaz de refrear a gula ou de manter um módico de humanidade. Para agravar a vergonha em que se atolou, a mais despudorada insensibilidade e a exoneração da ética, não se importa de semear a fome, a guerra e o desemprego, enquanto banqueiros se dedicam à lavagem de dinheiro, a burlas  e ao tráfico de todas as influências e indignidades. O capital financeiro tornou-se o do...

ÉBOLA: Algumas considerações...

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A virulenta epidemia de ébola que presentemente assola a África Ocidental e ameaça o Mundo - conforme reconheceu a OMS ao dar-lhe o estatuto de ‘ emergência sanitária internacional ’ link - manteve-se sempre acantonada ao (interior) continente africano desde o primeiro surto conhecido (1976), que provocou 431 mortes (oficiais). Daí para cá ocorreram novos surtos sendo os mais relevantes os ocorridos nos anos de 1995, 2000 e 2007, e que originaram várias centenas de mortes. Todos estes surtos decorreram de modo mais ou menos 'silencioso' já que tratava de mais uma epidemia que fustigava um continente ‘sofredor’ e sanitariamente 'indefeso' onde as situações gravosas de saúde pública são para controlar (atenuar) pontualmente (essencialmente os efeitos colaterais nos outros continentes) e não para erradicar. Para entender estas circunstâncias basta olhar para o problema da malária que fustiga este continente há séculos. Depois, e concomitantemente, existe todo o las...

A Turquia, a Europa e a democracia

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Erdogan, primeiro-ministro turco, alcunhado de muçulmano moderado, pela UE e EUA, casado com uma devota que, se tira o véu islâmico é apenas para cumprir as obrigações conjugais, cumpre hoje a ameaça, há muito feita, a disputa das eleições presidenciais. São as primeiras eleições por sufrágio universal e, a partir daqui, o presidente passa a ter um enorme poder, ao contrário do anterior com uma função praticamente honorífica. Não está em causa o modelo político nem a validade da vitória previamente assegurada pelo apoio das mesquitas ao futuro presidente no país que dispões das mais numerosas Forças Armadas da Nato, fora dos EUA. A derrota da laicidade está acautelada depois de os militares e os magistrados que eram o seu garante, terem sido lenta e eficazmente afastados, presos ou assassinados. Hoje começa a destruição do legado de Mustafa Kemal Atatürk. A Turquia fica à mercê de um «muçulmano moderado» que ontem afirmou no seu último comício eleitoral: «Se Deus quiser, uma nov...

Ó Marquês anda cá abaixo que já cá estão outra vez!

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BES – e o que está para vir…

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O estado de estupefacção para onde foi lançado o País ao tomar conhecimento da real situação do GES/BES ao fim de 3 anos de pesados sacrifícios e insuportáveis medidas de austeridade está para durar. De nada vale agora repisar que sucedeu o inevitável e que indícios como o ‘mensalão’, Portucale, Montebranco, etc. deveriam ter precavido para ‘aquilo’ que efectivamente acabou por acontecer. Numa outra vertente, os políticos da ‘maioria governamental’ começam a manifestar uma atitude mais reservada e cada vez menos se ouve o slogan de que os sacrifícios valeram a pena. Tudo ficou mais complicado para o desenvolvimento da ‘estratégia’ montada há 4 anos e que teve o seu epílogo nas eleições de Junho de 2011 com o ‘assalto ao pote’. Na verdade, perpassa a sensação de que importantes peças do tecido empresarial português como a PT, a Mota-Engil, Tecnovia, Riopele, Jerónimo Martins, Qimonda, Grupo Pestana, Ongoing, Martifer, etc. podem ter problemas (de financiamento ou até de solv...

A ministra das Finanças e a dívida pública

Anteontem, após ouvir a senhora ministra das Finanças, senti-me ao nível de Passos Coelho, com o mesmo grau de conhecimentos, depois de ela ter sido sua professora. Quando falou de mim, sob o nome genérico de contribuintes, e afirmou que estávamos a salvo dos danos provocados pelo BES, fiquei com a tranquilidade dos palestinos sempre que o Hamas e Israel decidem tréguas. Já não bastava a sua palavra, ainda acrescentou que os outros bancos se voluntariaram para capitalizar o BES BOM, que precisou de capitalização, talvez por não ser ótimo. Só me surpreendeu o entusiasmo generoso de instituições que são facilmente roubadas pelos administradores e dificilmente pelos depositantes. O empréstimo de mais de 4 mil milhões de euros feito ao Fundo de Resolução, o único acionista do BES BOM, a avaliar pelas suas palavras na AR, não é dinheiro público nem contabilizado na dívida pública. Deve ser dinheiro da caixa das almas da igreja do Santo Condestável. Aliás, no mínimo de 3 meses e no máx...

Paulo Mota Pinto, um pilar da ética

Se tivesse um módico de pudor, não seria preciso esperar pela sinecura no BES para Paulo Mota Pinto renunciar a todos os lugares políticos. Um ex-conselheiro do Tribunal Constitucional que, segundo creio, usufrui uma reforma vitalícia, superior ao vencimento de ministro, não viu inconveniente em tornar-se CEO do BES, sendo presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP). A indicação feita por um ex-ministro da Propaganda, como Sá Carneiro designou esse maquiavélico ideólogo da direita portuguesa – Proença de Carvalho –, teria alertado um homem cuja ética não variasse na razão inversa do peso corporal. Paulo Mota Pinto não viu incompatibilidade entre as sensíveis funções que ocupava e as que aceitava, apesar de, no dia em que foi conhecida a sinecura, ter votado um período de nojo para que um colaborador dos serviços secretos possa aceitar uma relação laboral com uma empresa privada. A confiança de Ricardo Salgado bastava para se s...

Não me matem a burra, por amor de Deus! (Crónica)

(A Beira Alta e a fé, nos verões de outrora) Na mitologia grega havia um deus que necessitava de mergulhar as mãos na terra para recuperar as forças. Eu, que não sou deus, nem crente, sinto a necessidade dos mitos e vou procurar nos sítios que agonizam o resto de vida que ali jaz e encontrar no húmus das minhas origens as forças de que careço. Abalámos muitos dessas terras que eram viveiros de gente e são hoje a antecâmara da morte dos que regressam para ficar. Já não se discute a água da presa com a sachola nem se guardam alfaias religiosas com a escopeta carregada e a navalha, de ponta em mola, à mão. A fé esvaiu-se, não se mede em decibéis, oferendas ou novenas, nem em quantidade de dias de exposição do Senhor. Em tempos, quando o estandarte da igreja dormia nas fragas que separavam o Freixinho do Lamegal, a anexa que disputava à sede de freguesia a glória de exibir o seu pendão para proteger as searas, com moços possantes a defenderem a crença e o estandarte, que os costume...