A economia, os partidos e a felicidade

Surpreende-me a fé de muitos, que acreditam nos partidos em que votam para salvarem o país e, alguns, a própria Humanidade.

Seria trágico se a confiança se desvanecesse em todos e se os partidos, essenciais para a democracia, fossem enjeitados, mas seria prudente que os militantes procurassem novos paradigmas para o futuro.

O comunismo ruiu com a falência da URSS e alimenta a fé de vários devotos, um pouco por todo o lado, com a mera conservação do rótulo e o mais despudorado capitalismo ou quando se fecha em regimes obsoletos e concentracionários.

Por sua vez, o capitalismo atinge o paroxismo da demência, incapaz de refrear a gula ou de manter um módico de humanidade. Para agravar a vergonha em que se atolou, a mais despudorada insensibilidade e a exoneração da ética, não se importa de semear a fome, a guerra e o desemprego, enquanto banqueiros se dedicam à lavagem de dinheiro, a burlas  e ao tráfico de todas as influências e indignidades. O capital financeiro tornou-se o dono do poder político que os seus servos dirigem, às vezes, com gente incapaz e, outras, com gente capaz de tudo.

O capitalismo joga com a sobrevivência das pessoas como se o mundo fosse um casino e a vida humana um jogo de apostas na bolsa de futuros. Destrói tudo onde poisa, do ar à água, dos combustíveis fósseis ao ambiente, da liberdade aos direitos individuais. Até os sacrifícios pedidos são uma forma de transferir riqueza dos mais pobres para os mais ricos.

Não é com o aumento do horário de trabalho que reconstrói a economia que o sistema se encarregou de destruir, é com a redução e redistribuição. Se o trabalho é cada vez mais raro, a solução não é aumentar o horário e o ritmo aos que o têm, mas distribuí-lo pelos desempregados. Não é intensificando o esforço dos que trabalham e o desespero dos que não conseguem aceder-lhe que a sociedade pode sobreviver.

O trabalho, bem como a educação, a saúde e a satisfação das necessidades básicas, deve ser um bem a redistribuir numa sociedade harmónica, onde todos os que nascem tenham direito a viver. O aumento do fosso entre ricos e pobres, de pessoas ou de países, é um detonador de guerras onde os ricos podem perder a fortuna e a vida.

Não me parece que os bancos possam continuar a dominar o mundo, com o clamor dos deserdados abafado. Sem o aprofundamento da democracia económica, social e política, sem a redução dos fossos salariais e uma mais ampla justiça social, a insurreição levará inevitavelmente à catástrofe que se avizinha.

Comentários

e-pá! disse…
"...Sem o aprofundamento da democracia económica, social e política, sem a redução dos fossos salariais e uma mais ampla justiça social, a insurreição levará inevitavelmente à catástrofe que se avizinha."
É difícil saber se a insurreição levará (inevitavelmente) à catástrofe.
O percurso histórico da Humanidade diz que (só) as insurreições, sempre violentas (e por isso temidas), podem mudar radicalmente (e qualitativamente) o curso dos acontecimentos.
Quanto ao avizinhar não é permitido adivinhar... e todos nós, ao longo da vida, já assistimos a muitos (falsos) anúncios. Embora a sensação de que 'a fruta está madura' esteja cada vez mais presente.
A fruta já começou a cair das árvores!

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