Passos Coelho e a festa do Pontal

O Pontal é, na liturgia do PSD, a Festa do Avante dos pequeninos, de sinal contrário, e uma espécie de Chão de Lagoa continental, sem poncha, porque o fígado dos líderes nacionais não tem o tirocínio de Coimbra e quatro décadas de experiência madeirense.

Hoje não tem o esplendor de outros tempos, nem um orador que entusiasme os devotos com o fulgor de outros líderes e os resultados de outra governação. Se não faltou gente é porque os devotos foram supridos por avençados, a vida está difícil, e os empregos são cada vez mais raros.

Passos Coelho a falar de ética parece a honorável Cicciolina a perorar sobre a castidade; a pronunciar-se sobre a governação, a Maia a predizer o futuro; a evocar os chumbos do Tribunal Constitucional, um delinquente a invetivar os tribunais.

O putativo PM fez birra e ameaçou desistir de governar, como se soubesse o que isso é, sem sugerir a demissão ou assustar, dessa forma, os favoritos das sinecuras que reparte. Apelou ao consenso com a sinceridade de Cavaco, sobretudo com o PS, a quem dedica o afeto do inquilino de Belém, sem deixar de o incriminar na sua má governação.

Numa monótona e lúgubre encenação, como corolário do melancólico declínio, ainda ameaçou com mais quatro anos de governo depois da maçada das próximas eleições. O cantor lírico frustrado, ex-gestor do curso de técnicos de aeródromos, que não obtiveram certificação, é um homem sem rumo, sem programa e sem tino, à espera de que o PR se emancipe e saia do telemóvel e do faceboock para dissolver a AR e marcar eleições.

Passos Coelho não foi à Quarteira para convencer os portugueses, esteve lá porque sim.

Comentários

Bmonteiro disse…
Passei adiante nas TV, uma questão de saúde mental.
Por uma imagem fugaz que vi, o rapaz não teria antes de subir ao palco, tomado uma passa?
Quem o viu a criticar o anterior Premier e o vê agora evocar o que evoca.
Nada a fazer.
e-pá! disse…
Há um pormenor que é bastante relevante na actuação deste Governo.
A intervenção externa, dita de 'resgate', foi justificada (pelos 'credores') pela existência de uma dívida soberana elevada.
Ultimamente, somos bombardeados diariamente com aquilo que são as consideradas as 'boas estatísticas', mas este Governo deixou de falar no 'sustentado' aumento da dívida pública o que nos coloca mais uma vez à mercê dos insondáveis mercados.

Uma outra questão:
No ano transacto tentou este Governo junto da Troika (pelo menos anunciou isso na comunicação social) que o défice público fosse 4,5% em vez dos 4% o que permitia aligeirar algumas medidas de austeridade.
A Troika não o permitiu invocando a confiança dos mercados.
Este ano, a cavalo do 'crise do BES', o défice real vai disparar alguns pontos percentuais. Mas como se trata do sistema financeiro, a UE apressou-se a anunciar que não há problema e que o dinheiro metido pelo Estado no Fundo de Resolução não conta (é a 'brincar aos feijões').

O que começa também a escassear é a pachorra. E um povo completamente 'descalço' dispensa o 'calçadão'.
A Europa está cheia de Passos Coelhos.

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