Passos Coelho e Pires Veloso

O falecimento do general Pires Veloso deu origem a alguns comentários sobre a personalidade deste militar e o 25 de Novembro de 1975 link; link .

Vasco Lourenço, no DN, definiu o papel de Pires Veloso – nesse período conturbado no desenvolvimento do 25 de Abril - como “muito controverso” link o que está de acordo com a vivência dos acontecimentos e revela um ‘saber de experiência feito’ .

Continua a faltar, contudo, o necessário distanciamento histórico para uma descrição rigorosa e objectiva dos acontecimentos colectivos, ou de ‘grupos’, actuantes no 25 de Novembro, apesar da abundante ‘literatura’ já publicada, facto que condiciona o avaliar de comportamentos e desempenhos individuais e a expressão utilizada pelo actual presidente da Associação 25 de Abril e, na altura, recém-nomeado comandante da Região Militar de Lisboa, demonstra isso mesmo.

Por outro lado, o actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho que, na altura dos acontecimentos era um imberbe rapaz com 11 anos, não tem dúvidas sobre estes ‘controversos’ assuntos.
Avança peremptório e antecipando-se à análise objectiva e rigorosa da História declarando que o falecido general terá desempenhado um “papel importante na consolidação democrática” link.

Na verdade, sem querer reescrever a história que, como foi referido, não está cabalmente redigida, e despido de preconceitos apriorísticos sobre factos que estão ainda mergulhados em densa obscuridade reinante à volta dos acontecimentos do 25 de Novembro que, tendo sido cruciais na definição da natureza do actual regime democrático (isso é claro), o desaparecimento físico deste militar decisivamente envolvido no período fundador (do actual regime), levou o actual primeiro-ministro a revelar uma confrangedora leviandade político-histórica, supostamente movido por pouco esclarecidos preconceitos ideológicos e possesso de uma infindável verborreia oficiosa. 

Passos Coelho, nada tendo acrescentado ao conhecimento ou ao esclarecimento sobre este período não foi – mais uma vez - capaz de cultivar o bom senso e a humildade democrática mantendo o decoro institucional que a nossa História merece e as funções que desempenha, aconselhavam.

Uma coisa são as condolências formais e devidas, outra será incluir nessa mensagem um precipitado (antecipado) julgamento histórico.

Comentários

O Coelho, a única coisa que sabe é bater com os cocos numa pedra e lamber o leite que está lá dentro.
Mais tarde ainda aprendeu a apropriar-se duns fundos, e a gerir uns devolutos aeródromos remotos.
Consta que o fizeram governante desta coisa, mas é mentira. Mandaram-no desimpedir o caneiro de Alcântara, e lá vai andando.
Não se esqueçam que o revisionista Rui Ramos é o professor de historia do Coelho.

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