Do Médio Oriente a Cascavel…

Penitenciária de Cascavel, Paraná, Brasil

A decapitação do jornalista James Foley às mãos de um súbito britânico sob o comando do megalómano ‘califa’ Abu Bakr al-Baghdadi, putativo chefe de um mítico Estado Islâmico, suscitou uma onda de indignação e levantou questões ainda por resolver no combate ao terrorismo. A conotação entre estes extremistas religiosos e o Islão na sua vertente sunita, facção wahabita (salafista) é fácil de estabelecer o que foi, de imediato, a conclusão no Ocidente, a reboque de ilações directas, mas superficiais.
O que não interessa é saber quem financia o trágico e pretensioso califado. A Arábia Saudita é um parceiro energético insubstituível e um ‘aliado’ do Ocidente e o Qatar um mediador silencioso e eficaz para a libertação de alguns prisioneiros (Theo Curtis, p. exº.) .

A bárbara e selvática execução do jornalista norte-americano mais do que indignou, chocou o Mundo, em termos humanitários e civilizacionais, modificou a sensibilidade e a tolerância dos cidadãos para com qualquer tipo de actos terroristas. Funcionou como uma espécie de vacina para todas as posições titubeantes.
 
O Terror foi um instrumento 'revolucionário' que vem do nosso longínquo trajecto histórico. Sem falar nas devastações e nos morticínios medievais interessa sublinhar que um dos seus pontos altos (do dito Terror) foi, exactamente, a Revolução francesa, incontestável precursora da Era Moderna. Embora de curta duração (1 ano) o terror jacobino (que decapitava na guilhotina) contou com vultos como Robespierre e Saint Just que a cultura ocidental não pode, nem consegue, ignorar. 

Mas nem toda esta onda de violência que passa por inconcebíveis e selváticas decapitações sucede exclusivamente no Médio Oriente ou se entronca em concepções e/ou práticas religiosas primitivas, radicais e intolerantes.

Na verdade, a violência pode ter múltiplas origens (raiva, desespero, paixão, miséria) que parecem conotáveis com a intolerância radical dos fanatismos religiosos (há muitos) à volta de proselitismo ou, como no caso do ‘Estado Islâmico’, projectos ‘divinos’ de poder (aparentados com o obsoleto absolutismo que no passado nos fustigou). 
O que parece ser um denominador comum de todos os tipos de fanatismos é uma gritante e aberrante irracionalidade que lhe está inerente (com causas múltiplas), a consequente e omnipresente desumanidade, subsidiária de uma infindável intolerância e sistemático recurso à violência.

A notícia ontem divulgada sobre distúrbios na Penintenciária de Cascavel, Estado de Paraná, Brasil, referindo a decapitação de 2 seres humanos link, provavelmente às mãos de cristãos, levanta questões humanas e civilizacionais ao Ocidente que convinha não escamotear ou disfarçar por detrás do nome de um réptil venenoso…

Comentários

Manuel Galvão disse…
Um inglês decapita um americano. Uns brasileiros decapitam 2 brasileiros.

Aqui parece haver gato... acho decapitações a mais. A mania de manipularem a opinião pública é o que me sugerem estas notícias.

O decapitado estava com um ar tão calminho! parece uma versão barata da reportagem das torres gémeas...

Mensagens populares deste blogue

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido

Nigéria – O Islão é pacífico…

Macron e a ‘primeira-dama': uma ‘majestática’ deriva …