Hollande, Montebourg e a ‘tempestade’ anunciada…

O Governo francês demitiu-se em consequência de duras críticas tecidas pelo (ex)Ministro da Economia, Arnaud Montebourg, acerca das políticas de austeridade que fustigam a França e a Europa.
Classificou os 'profetas da austeridade' (Merkel?) como os responsáveis pela crise económica europeia e os promotores de sacrifícios inúteis  link.
 
A esquerda do PSF está em polvorosa. Muita gente bate a porta a Francois Hollande que fica, cada vez mais, isolado e prisioneiro do ‘liberalismo socialista’ que poderá 'desbaratar' a actual maioria na Assembleia Nacional. Um dos mais virulentos ataques a Hollande partiu de Jean-Luc Mélenchon, antigo candidato presidencial, oriundo da área socialista e fundador do Partido de Esquerda que, em declarações proferidas há 2 dias em Grenoble, considerou o actual presidente ‘pior’ do que Sarkozy link.
 
A Direita, neste momento, liderada de facto pela FN de Marine Le Pen perdeu todo o respeito ao presidente francês e pede a dissolução da Assembleia Nacional e eleições antecipadas link .
Hollande resiste ancorado em Manuel Valls que sendo um expoente do ‘socialismo liberal’ não tem peso político para defender o Presidente da República deste ‘ensanduichamento’ (à Direita e à Esquerda), nem espaço de manobra social para proceder a reformas económicas e fiscais que sejam uma alternativa da austeridade diariamente emanada de Berlim.
 
A viragem protagonizada por Hollande ao deitar no caixote do lixo a maioria das promessas eleitorais levou-o a enveredar por um caminho suicidário. A relevação de um novo Governo, amanhã, com toda a probabilidade, não será uma boa solução para a crise política, nem vai ‘sossegar’ os franceses. Diminuirá ainda mais a já frágil base social de apoio que o actual Governo de França disfruta.
E por arrastamento a UE terá de somar à crise económica, uma grave instabilidade política que envolve a 2ª. potencia do espaço comunitário.
 
Começam a soprar ventos que parecem anunciar a eclosão de uma ‘tempestade perfeita’… que tudo indica não ficará circunscrita a Paris.

Comentários

Antevisão, em França, do que sucederia em Portugal, se vingasse o absurdo do inSeguro?
e-pá! disse…
Salvaguardadas a devidas distâncias e dimensões pressente-se que os acontecimentos a ocorrer em França não favorecem o PS português, qualquer que seja o António que lá chegue.
É que nada estanho seguro pode muito bem o barco dar à costa.
Enterrada que está a social-democracia na Alemanha só falta Hollande e Valls carregarem com a dita senhora ao colo (expressão santanista!)...
e-pá! disse…
Errata:

Onde se escreveu "É que nada estanho seguro..." deveria estar "É que nada estando seguro..."

As minhas desculpas.

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