Notas soltas: julho/2014

Luís Montenegro – «No primeiro debate do Estado da Nação pós-troika, é caso para concluir que o País está melhor, as pessoas começam a sentir mais futuro e mais esperança». Eis um caso de autismo e estultícia de um deputado que desconhece o País.

Conselho de Estado – A reunião fortuita a que o PR procedeu, destinava-se a aprovar o comunicado final que levava escrito. Foram precisas seis horas para ser contrariado e ter de o negociar, tal como já tinha acontecido em maio de 2013.

Banca – A lembrar a D. Branca, um grupo de banqueiros foi a imagem da decadência moral do país. O BPN, BCP, BPP, Banif e BES, foram incubadoras de sinecuras onde se acoitaram ex-governantes e tornaram-se o paradigma da degenerescência do regime.

Juan Carlos – Em França, Sarkozy, ex-presidente da República, foi detido e poderá ser julgado por corrupção. Em Espanha, o ex-rei resignou e surgiu uma lei que lhe garante a imunidade permanente, ou seja, a impunidade perpétua. Tradições monárquicas!

Carlos do Carmo – O notável fadista foi galardoado com um Grammy, o maior e mais prestigiado prémio mundial da indústria discográfica, nunca atribuído a um português.
Felicitado por Eanes, Soares e Sampaio, teve de Cavaco tratamento igual a Saramago.

Cultura – No dia seguinte à trasladação da grande poetisa, Sophia de Mello Breyner, para o Panteão Nacional, com a presença do PR, presidente da AR e PM, o Ministério da Educação confirmou que a sua obra deixará de constar do programa obrigatório a partir do ano letivo 2015/2016.

Vaticano – Quem imaginou que o papa Francisco ia trazer a Igreja para a modernidade, desiluda-se. “Atento à presença de Satanás e à necessidade de o combater”, reconheceu a Associação Internacional de Exorcistas. A superstição e o embuste persistem.

BES – Já ninguém atribui ao Banco de Portugal, nem à troika, incúria na supervisão do banco do regime, que aprofundou o caos nacional. A família Espírito Santo foi trocada por gente da confiança de Belém e de S. Bento e a dimensão da tragédia está por apurar.

Espanha – Em 18 de julho, aniversário do golpe de Estado contra a Segunda República, em Madrid, na missa de homenagem ao ditador Francisco Franco, o celebrante suplicou “novo levantamento militar” para salvar Espanha. A Conferência Episcopal calou-se.

Reis de Espanha – A visita a Portugal obrigou à exposição do casal presidencial e foi demolidora para a imagem do PR cuja fragilidade ficou documentada. A saúde do PR não é um problema particular, é assunto nacional a causar apreensão.

CDS/PP – O jantar de aniversário baniu os ex-presidentes, Freitas do Amaral, Adriano Moreira e Manuel Monteiro e, só por pudor, acabou convidado Ribeiro e Castro. Já foi o partido conservador, hoje é uma associação pouco recomendável e pior frequentada.

França – A solidariedade para com a Palestina é legítima, mas a violência manifestada em Paris é intolerável, tal como o antissemitismo, a sharia e o terrorismo. A democracia laica tem superioridade moral para impedir as pulsões totalitárias de índole religiosa.

Ucrânia – Ninguém explicou aos responsáveis da U E que a Rússia nasceu em Kiev e a Crimeia a integrou tradicionalmente. A falta de cultura e provocações iniciais atiçaram a guerra civil onde a razão se perdeu e a informação se confunde com a propaganda.

Palestina – A fúria de gente sitiada, vítima da espoliação e delírio sionistas, explode em manifestações de ira e de apoio desesperado ao terrorismo do Hamas. O lançamento de rockets contra Israel foi o pretexto de quem impõe a sharia para a violência sionista.

Política – Os partidos estão mais empenhados nas lideranças que agradem ao aparelho do que em líderes onde se reveja a área política do seu eleitorado. Eis mais uma causa para a abstenção, que não para de crescer, e para as surpresas eleitorais.

CPLP – A adesão da Guiné Equatorial, onde existe um dos regime mais desumanos do continente africano, será sempre uma aberração e uma indignidade. Não é a língua que nos une, é a decadência ética. Dos países da CPLP.

Conflitos bélicos – A comunicação social e, sobretudo, as centrais de contrainformação, dirigem os interesses para a Ucrânia e Faixa de Gaza enquanto esquecem hecatombes de que são vítimas, por exemplo, os povos da Síria, da Nigéria ou do Iraque.

Ricardo Salgado – Detido, após deixar a presidência do BES, os casais que jantaram na sua casa, Marcelo, Barroso e Cavaco, para prepararem a 1.ª candidatura do último a PR, vão esquecer quanto lhe devem, mas os portugueses recordá-lo-ão amargamente.

Nuno Crato – O ministro agravou os erros da sua antecessora, esqueceu os ataques que lhe dirigiu, descredibilizou qualquer avaliação e a deslealdade para com os professores, num processo à sorrelfa, culminou a decadência ética do seu percurso político.

Madeira – A. J. Jardim fez o discurso de adeus, de líder do PSD-M, no Chão da Lagoa, local tradicional do circo político. “A Madeira recusa (…) fazer parte de um Portugal que se diz unitário”, disse o autocrata, envelhecido e envilecido, no habitual desvario.

Iraque – Os jihadistas do Estado Islâmico (EI), exigiram a todas as mulheres de Mossul o véu integral, roupas largas e as mãos e pés sempre cobertos, para evitarem “castigos severos”. As mulheres, entre os 11 e os 47 anos, serão submetidas à mutilação genital.

Demografia – Os incentivos fiscais desconhecem que a natalidade não é a uma solução em euros, alvitrada no ministério das Finanças. O mistério da vida e a alquimia do amor são inacessíveis aos burocratas e dependentes da criação de emprego.

Ébola – Com a Serra Leoa e a Guiné-Conacri a não conseguirem deter a infeção letal, a Libéria fechou fronteiras e a Nigéria teve o primeiro caso mortal. O vírus do medo abateu Umar Khan, o heroico médico responsável da luta contra o ébola na Serra Leoa. Contagiado.

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