Mensagens

Eleições em Espanha – Consummatum est

De eleição em eleição até à derrota final da democracia, com a indiferença dos eleitores moderados e o aproveitamento dos franquistas, o Estado esboroa-se. A Espanha não teve um processo revolucionário, nem a madrugada sem sangue seria ali possível. Não foram os militares que ofereceram a democracia aos espanhóis, foram as negociações difíceis entre Adolfo Suarez, com visão de futuro e sentido do possível, e franquistas liderados por Fraga Iribarne, a aceitarem uma constituição pluripartidária. As sondagens davam larga preferência à República, e os falangistas não consentiam que as últimas vontades do ditador fossem contrariadas. Comunistas, socialistas, centristas e o PP aceitaram, como chefe de Estado, o Bourbon saído das madraças franquistas. As Forças Armadas, os Tribunais e a Igreja católica, solidamente franquistas, ficaram incólumes. Aznar, ligado ao Opus Dei e aos sectores mais reacionários, conseguiu, por eleições, ser primeiro-ministro, o que Fraga não conseguia. Reforç...

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

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                                         Exmo. Senhor Ministro da Educação                                                            Prof. Dr. Tiago Brandão Rodrigues                                                         ...

Factos e documentos

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Quando se julgava que apenas o cónego Formigão, agora em defunção e com o processo de santidade a decorrer, era o 4.º pastorinho, apareceu documentada a cumplicidade do patriarca de Lisboa no lançamento da empresa da Fé, na Cova da Iria. O eminente cardeal Cerejeira, que elogiou os jovens que a ditadura enviou para a guerra colonial, dizendo numas jornadas da juventude católica que iam defender a civilização cristã e ocidental, foi outro cúmplice que o recorte do jornal «O Século», de 1956, documenta.

Miguel Albuquerque e a grotesca imitação de A. J. Jardim

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O novo sátrapa pretende ser um novo Jardim, e não passa de medíocre avatar. O louvor do Governo Regional ao major-general Cardoso Perestrelo, afastado do Comando Operacional da Madeira pelo EMGFA, por ter mandado transportar, para um torneio de golfe, o canhão que um civil disparou, foi uma afronta à decisão da hierarquia militar do País. A Madeira vive ainda do confronto com o Governo de Lisboa, que atura os desmandos dos sobas autóctones. O louvor, vindo de onde vem, é a pena acessória ao afastamento do militar que fez do material de guerra brinquedos para divertimento da elite local. As exigências dos governantes da Madeira que não mudam de partido, nem na ditadura, que apoiaram, nem na democracia, que contestam, tornam-se intoleráveis. O pomposamente designado XIII Governo Regional da Madeira faz exigências a Lisboa que o elementar bom senso devia obrigar a recusar. Os excessos autonómicos vacinaram o Continente contra a Regionalização e os sucessivos governos nacionais sub...

No centenário de Sophia

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Sophia de Mello Breyner Andresen faria hoje cem anos. A melhor forma de celebrar a data do seu nascimento é ler-lhe os versos, sentir a sensibilidade, o ritmo e o conteúdo da poética que celebra a liberdade, o amor, a vida e o mar, onde a beleza da autora se confunde com a das palavras que se fizeram versos. Sophia amou a liberdade e sentiu o 25 de Abril na pele de quem sempre o desejou, nas palavras certas, na emoção contida e eloquente de quem respirava a liberdade e a vida no conteúdo da sua poesia e na beleza formal dos versos.

Marques Mendes, bruxo de Fafe_2 – Quando a intriga se torna notícia

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O oráculo de Delfos, do templo de Apolo, numa das encostas do monte Parnaso, foi um dos mais conceituados e fiáveis da antiga Grécia. A própria pitonisa, foi respeitadíssima pelas suas profecias, e a invulgar importância dessa mulher, num ramo dominado pelos homens, deveu-o ao facto de ser igualmente vista como inspirada por Apolo. Ignoro se Marques Mendes se fez dono do oráculo da SIC através das formas cruentas dos deuses gregos, e pode acontecer-lhe, que os deuses o não permitam, que o próprio Apolo queira o lugar do oráculo e lhe faça o que fez à Pitonisa. O oráculo de Delfos exerceu o múnus durante doze séculos e foi registada a sua última profecia quando o imperador Teodósio ordenou o encerramento dos templos pagãos, a impedir a concorrência ao cristianismo que, desde Constantino, ascendia nos negócios da fé, em regime de exclusividade, por necessidade de aglutinação do Imperio Romano. Desgostar-me-ia ver o virtuoso Marques Mendes silenciado por perseguição à bruxaria, as...

Jurisprudência

Supremo absolve juiz que a Relação condenou por violência doméstica devido a “ameaças veladas” e “provocações de cariz sexual”. Nota:  Se o agressor era juiz, não foi violência doméstica, foi a execução da sentença pelo marido.

Factos & documentos

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Previsão do bruxo de Fafe

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«Ministro das Finanças estará descontente por ter sido despromovido e deverá sair no próximo ano para o lugar de Carlos Costa no Banco de Portugal.» (Astrólogo da SIC) Há de acertar algumas vezes.

Há 109 anos – Lei do divórcio

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Há 109 anos foi decretada a primeira lei do divórcio, logo publicada no dia seguinte, no Diário do Governo n.º 26, de 4/11/1910, pág. 282. O decreto de 3 de novembro decidiu no seu Artigo 1.º que o casamento se dissolve: 1.º - Pela morte de um dos cônjuges; 2.º - Pelo divórcio. O segundo ponto foi o avanço civilizacional que agitou mitras, báculos e sotainas. Sob as tonsuras ferveram raivas e rangeram dentes, enquanto a acidez gástrica aumentava e o ódio à República crescia. «Marido e mulher terão desde então o mesmo tratamento legal, quanto aos motivos de divórcio e aos direitos sobre os filhos». Não bastava o divórcio pôr em causa a ordem divina interpretada pelo clero, veio ainda a igualdade de género a contrariar preceitos pios que a Igreja defendia há séculos. A paz e a ordem voltariam com Salazar, graças à Concordata, que eliminou a ofensa ao sacramento do matrimónio e satisfez os celibatários avençados do divino. Viva a República!

Pior do que um homem de saias, só uma mulher de calças.

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Por isso passo ao lado do histerismo coletivo. Em 1969 era assim:

Portugalidade, o que é?

Há textos que pela oportunidade e importância merecem ser recordados e divulgados. É o caso do texto de António Valdemar, grande jornalista, académico, investigador e homem de cultura, então publicado no DN, na coluna do jornalista «Avenida da Liberdade». Aqui fica, a seguir, para memória futura: António Valdemar  «Políticos e intelectuais de esquerda, nas mais diversas circunstâncias, incorporam no discurso falado e escrito, portugalidade ignorando a verdadeira origem do termo e quais os seus fundamentos ideológicos. Por seu turno, dicionários de uso corrente não registaram portugalidade, enquanto mencionam latinidade, ocidentalidade e outras designações relativas à história, à tradição de um povo ou de vários povos e suas afinidades sociais e culturais.      Uma das referências obrigatórias nesta matéria é Alfredo Pimenta que se orgulhava, aliás, de ser o doutrinador da portugalidade, «do nacionalismo integral, do autoritarismo contra - revolucionário, d...

1 de novembro - Dia aziago

1431 – Morreu Nuno Álvares Pereira; 1755 – Terramoto e maremoto destruíram grande parte da cidade de Lisboa e mataram um terço da sua população; 1946 – Karol Wojtyla foi ordenado padre. 1993 – Morreu Salgado Zenha, advogado brilhante, político, antifascista e referência ética da democracia.

Notas Soltas – outubro/2019

Freitas do Amaral – Faleceu o grande jurista e último líder dos partidos que fizeram a Constituição do regime democrático que os capitães de Abril nos legaram. Conservador e democrata-cristão, foi o fundador do CDS, partido que se radicalizou e o maltratou. PR – O funeral de Freitas do Amaral, ex-presidente da AG da ONU, evitou a Portugal a vergonha de ver Marcelo ajoelhado em Roma no dia emblemático do regime que dá o nome ao órgão a que preside. Prestou, assim, o seu último serviço ao País. Jurisprudência – O acórdão da Relação confirmou que parte substancial do terreno que a Selminho reclamava é propriedade municipal. Está de parabéns a Câmara, que ganhou a ação contra o seu presidente e família, proprietários da empresa usurpadora. Lula da Silva – A Câmara de Paris, ao conceder o título de Cidadão Honorário ao ex-PR, em reconhecimento do seu combate à pobreza e à discriminação racial, censurou a sua prisão iníqua e o golpe de Estado do juiz Moro e de Temer contr...

Política e solidariedade

Há momentos em que minguam as palavras e sobra indignação, em que apetece esgotar os adjetivos e desabafar em vernáculo, quando os elementares deveres de solidariedade são postergados, a civilização de que nos orgulhamos é posta em causa e os valores que tínhamos por adquiridos são grosseiramente feridos. Álvaro Amaro (PSD) e Nuno Melo (Movimento pró-vida + CDS) não são eurodeputados de um país solidário e fraterno, são casos patológicos de indivíduos capazes de matar os pais para terem entrada no Baile do Orfanato, limitando-se a condenar ao afogamento os que preferem morrer no mar do que na terra de onde fogem.

A monarquia espanhola – 30 de outubro de 1975

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Há 44 anos, o maior genocida da História da península Ibérica impôs Juan Carlos como chefe de Estado interino de Espanha, sob o pseudónimo de príncipe. O ditador, com amplo cadastro na eliminação de centenas de milhares de espanhóis em campos de concentração, execuções extrajudiciais ou na prisão, decidiu a natureza do regime e a pessoa a quem endossaria a chefia do Estado. O sinistro ditador morreu confortado com todos os sacramentos, rodeado de padres e de outros cúmplices, com lágrimas de falangistas que lhe perpetuariam a memória, como se um criminoso merecesse ser cultuado, e com instituições à medida dos seus desejos. A ditadura clerical-fascista finou-se com Franco, mas a Constituição foi uma construção erguida sob o medo, com os poderes de Estado nas mãos de empedernidos franquistas e o poder económico intocado e intocável a manter-se nas mãos dos cúmplices, que passaram a ostentar títulos nobiliárquicos. O grotesco general foi sepultado no mais sombrio e sumptuoso sí...

Tarrafal – o Campo da Morte Lenta (83.º aniversário)

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Há 83 anos, era mês outubro e 29 o dia em que ao Campo de Concentração do Tarrafal chegaram 152 presos políticos, onde era mais doce a morte do que o Inferno da vida que os torturadores lhes reservavam. Foram 11 dias de viagem, de Lisboa ao Tarrafal, que a primeira leva de vítimas levou a chegar, grevistas do 18 de janeiro de 1934, na Marinha Grande, e alguns dos marinheiros que participaram na Revolta dos Marinheiros de 8 de setembro desse ano. O Tarrafal foi demasiado grande no campo da infâmia e do sofrimento para caber num museu. Salazar teve aí, no degredo da ilha de Santiago, Cabo Verde, o seu Auschwitz, à sua dimensão paroquial, ao seu jeito de tartufo e de fascista. Ali morreram 37 presos políticos desterrados, na «frigideira» ou privados de assistência médica, água, alimentos, e elementares direitos humanos, alvos de sevícias, exumados e trasladados depois do 25 de Abril. Edmundo Pedro, o último sobrevivente, chegou ali, com 17 anos, na companhia do pai. Como foi possí...

Marques Mendes e as suas homilias semanais

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Nunca sabemos se o bruxo de Guimarães é ele próprio, o militante de uma das fações do PSD, o conselheiro de Estado ou o alcoviteiro de Belém, mas qualquer um dos avatares é suficiente para que os jornais, televisões, emissoras de rádio, televisões e redes sociais façam eco da sua homilia do “Jornal da Noite” da SIC. Há anos, quando tinha acesso à agenda do Conselho de Ministros, nos tempos lúgubres de Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís, era certeiro a predizer o futuro e a acertar no que se discutia em S. Bento, incluindo as reuniões que se faziam por telemóvel, onde os SMS podiam ser a ata para a resolução do grupo GES/BES e outras decisões graves. A fama de pitonisa privilegiada do regime vem desses tempos. No início da legislatura do anterior governo, que o PS, BE, PCP e PEV sustentaram, já se enganava mais vezes do que o que nunca tinha dúvidas, seu antecessor na liderança do PSD. Na última homilia, no domingo, como convém aos pregadores, no dia seguinte à tomada...

Ser de esquerda, hoje

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Quem diz não ser de esquerda nem de direita é, sem dúvida, de direita, truísmo que não me canso de repetir, mas as transformações rápidas e as agressões ao Planeta, para o qual não há alternativa, exigem a procura de novas soluções, a contenção da explosão demográfica e a alteração dos comportamentos, se quisermos sobreviver. No que diz respeito à justiça social, é bem mais importante lutar pela redução do leque salarial do que apoiar as exigências dos que têm mais poder reivindicativo ou pertencem a mais fortes corporações. Entre a gula dos privilegiados e o silêncio dos fracos, ser de esquerda é dar voz a quem não é ouvido. 

O CDS e Assunção Cristas

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No pungente ocaso do CDS, com sedes a fechar, funcionários a sofrerem cortes salariais ou despedidos e os 5 deputados, saídos do táxi, obrigados a darem passagem ao do Chega, há dívidas superiores às luvas dos submarinos. Nas eleições autárquicas, a Dr.ª Cristas elegeu três vereadores, em Lisboa, contra dois do PSD, e tomou a nuvem por Juno, sem ver que nessas eleições, de 2013 para 2017, incluindo Lisboa, perdeu mandatos, votos e percentagem de eleitores. Não percebeu que os votos de Lisboa, que a beneficiaram, eram votos do PSD contra os seus próprios ativos tóxicos, Passos Coelho, Maria Luís e Cavaco. Julgou-se destinada a grandes voos, líder da oposição, alternativa ao PM. Exultou ao ver passar o CDS de 5 para 6 câmaras, aumento de 20%, em concelhos de parca população, num partido que já tivera a presidência dos municípios de Lisboa, Viseu e Aveiro, entre outros de grande dimensão. Não percebeu que o grupo parlamentar do CDS foi a cedência ruinosa de Passos Coelho a Paulo P...