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Só há liberdade entre iguais

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Notas Soltas – junho / 2020

EUA – A morte do negro, George Floyd, por polícias de Minneapolis, foi a repetição da crueldade policial no caldo de cultura de um país incapaz de lidar com as diferenças. Trump, com insensibilidade e racismo, acirrou a violência das manifestações. Portugal – A banalização da tortura e assassinato do negro G. Floyd terá levado o MP a não recorrer da ausência de prisão efetiva para qualquer dos 18 agentes da esquadra de Alfragide, acusados de racismo e tortura, e o deputado fascista a justificar a violência? Brasil – Tudo o que podia correr mal, correu efetivamente mal e da pior maneira (lei de Murphy), e os brasileiros não mereciam que a incompetência, corrupção e cretinismo do PR atingissem grau tão elevado, nem que o seu Governo fosse tão nocivo. Donald Trump – A péssima atuação na pandemia e política externa e a leviandade com que reagiu aos protestos e à violência, surgidos após o assassinato de George Floyd, não o derrotam. Ganhou as eleições com menos 3 milhões d...

76.º aniversário do seu nascimento

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Todos lhe devemos tanto e tão poucos o recordam, como merece. Há políticos que lhe devem tudo o que foram, e todos somos devedores da liberdade de que gozamos. Uns permanecem eternamente gratos, outros só querem esquecê-lo. Cavaco Silva foi o mais claro exemplo de quem tudo lhe deveu, sem nunca agradecer, e não sendo o único, foi o mais ingrato, na sua insensibilidade de salazarista reciclado. Entre a grandeza do homem que arriscou a própria vida ao serviço de todos e um sujeito videirinho, que se serviu de muitos para tratar da vida, há a imensa diferença entre um herói e um oportunista. Há, na amnésia coletiva, a vergonha da cobardia e a ingratidão dos escravos libertados. Obrigado, Salgueiro Maia, Capitão de Abril. Todos os dias. Sempre.

O bom e o mau

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O réptil

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O réptil tem a pele grossa e respira por pulmões. Não controla a temperatura. Aquece-se nos média e foge do calor para o ar condicionado do escritório ou da AR. É exímio na arte de se camuflar, mas é um carnívoro que não larga as presas. Põe um cravo na lapela quando lhe convém, e abomina-o se o beneficia. Defende os Direitos Humanos para ter um diploma e serve-se desse diploma para os combater. O réptil é viscoso e repelente, e consegue atrair as presas. O réptil não tem passado, tem fome de futuro. E adapta-se muito bem ao ambiente terrestre. O réptil passa pelas pessoas e parece normal. Psicopatas, marginais e cadastrados veem no réptil a luz que os ilumina, o arauto da nova ordem que germina no ódio à liberdade, o aríete contra as minorias e a democracia. O réptil foi, em Portugal, o primeiro animal a conquistar um lugar na casa da Liberdade, para a combater, fazendo jus à história evolutiva, em que os répteis foram os primeiros vertebrados a conquistarem o ambiente terres...

Zé Vitória *– 81.º aniversário

Quando um homem de invulgar gabarito intelectual e cívico, se torna a referência ética e afetiva de qualquer grupo de amigos, estamos na presença de um excelso cidadão que honra todos os que privam com ele. Zé Vitoria, com inteligência rara, sentido de humor inexcedível e simpatia cativante, é das personalidades mais fascinantes que conheci, pela cultura ímpar, inexcedível bondade e irritante modéstia. É um privilégio ser amigo de um homem assim. No dia do seu aniversário fica a mágoa de não o abraçar como merece, de não o estreitar como devia, de não lhe tributar o público testemunho da consideração que granjeou. Deixo-lhe o magoado abraço virtual, o toque de cotovelo a que o coronavírus reduziu as manifestações de afeto. Coimbra, 28/06/2020 * José da Silva Lourenço Vitória é catedrático jubilado do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra

O Banco de Portugal e as eleições presidenciais

Quando se tornaram previsíveis os candidatos às próximas eleições presidenciais sem o aparecimento de alguém com o perfil de Sampaio da Nóvoa que, nas anteriores eleições, mereceu o meu voto, decidi que, no caso de não surgir um candidato idóneo na mesma área, votaria em Marisa Matias. Para um social-democrata sem ligações partidárias, era uma forma de votar na esquerda, resignado a perder uma vez mais as eleições, sem preocupação de escrutinar a excelente eurodeputada, culta, simpática e politicamente bem preparada, e indiferente a que fosse, ou não, social-democrata, trotskista ou maoísta. A coligação do BE com a direita, para impedir Mário Centeno de ser governador do Banco de Portugal, a pressa na criação de uma lei ‘ad hominem’ contra a nomeação do mais competente ministro das Finanças da II República (a ditadura foi uma autocracia), levou-me a enjeitar a intenção que consolidara. Pode alegar-se que a competência, probidade e qualificação que atribuo ao ex-ministro das Finan...

São josemaria – 45.º aniversário do seu passamento

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Há 45 anos faleceu monsenhor Josemaria Escrivá, indefetível apoiante do genocida Francisco Franco e fundador do Opus Dei, apoiante dos negócios políticos de João Paulo II, que levaram à falência fraudulenta do banco Ambrosiano e à criação de centenas de santos em Espanha, todos mártires do mesmo lado da guerra civil. Teve uma vida ao serviço de Deus e do fascismo, acompanhou as tropas sediciosas a Madrid, e os seus devotos, a quem indicou o caminho, levaram à falência os impérios Matesa e Rumasa, para maior glória da prelatura e benefício dos desígnios do Monsenhor. Mal refeito da defunção, fez três milagres, mais um do que era necessário para a santidade. O primeiro foi no ramo da oncologia, a uma freira, prima de um ministro de Franco, que morreu curada. Está nos altares e deixou um exército de prosélitos, apto a enfrentar o Islamismo e a subsidiar o Vaticano, onde, depois de dois pontífices amigos, o Espírito Santo iluminou mal os cardeais do consistório e lhes negou o terceir...

O padre António Vieira e a iconoclastia

O padre António Vieira, cuja vida percorreu quase todo o século XVII (1608/97), numa época em que a longevidade era rara, é um dos mais lídimos paladinos da língua portuguesa. Os seus sermões constituem a apoteose do barroco na história da literatura portuguesa, o triunfo de um género a que o génio imprimiu a beleza, a coerência e a grandeza com que delicia os leitores, ainda hoje. Vieira usou as palavras como Bernini o mármore e cinzelou-as com o fulgor da erudição e a força das convicções. Quem nunca leu Vieira não entenderá a grandeza do orador e o brilho do pensador que estendeu ao labor epistolar. No campo das ideias, por mais difícil que seja entender como pensava um intelectual há quatro séculos, é consensual que foi defensor dos direitos humanos, na luta contra a exploração dos indígenas, e, mais tarde, contra a Inquisição, de que foi o alvo apetecido, salvo pela sorte e proteção pontifícia de que gozou. Trouxe hoje à colação a figura ímpar do padre António Vieira pela ...

Concurso de idiotas perigosos

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Apesar da quantidade e qualidade dos concorrentes só 3 puderam ficar no pódio.

OVAR – O azougado presidente da Câmara

O obscuro edil de Ovar, Salvador Malheiro, entrou na geografia mediática depois de se terem registado no concelho numerosos infetados com coronavírus. O seu incitamento à realização do Carnaval de Ovar esteve na origem da violência da situação, e a gravidade maior, fruto da leviandade, foi o anúncio do cerco sanitário no Faceboock, horas antes do anúncio governamental, violando a confidencialidade a que era obrigado e evitando a surpresa, o que permitiu a numerosos munícipes fugirem do concelho e, eventualmente, iniciarem novas cadeias de transmissão da COVID-19. As pessoas facilmente esqueceram estes antecedentes para se fixarem no ignoto autarca que, à falta de notícias, passou a ser presença habitual nos média. Normalizada a situação, passou a figura pública, perito em pandemias, um conselheiro voluntário da Direção Geral de Saúde e do Governo, um crítico que se julga especialista e um político que busca, através da exposição mediática e dos ataques ao Governo, fazer carreira no...

Valor da imagem

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A justiça histórica – 1 Há imagens que, no seu simbolismo, são a reparação da iniquidade, a sentença que não foi lavrada, a justiça tardia que as circunstâncias não permitiram em tempo oportuno. Esta imagem é a linha que separa a repressão da liberdade, a democracia da ditadura, o déspota ilegítimo dos governantes que se sujeitam ao escrutínio eleitoral. A foto de Eduardo Gajeiro regista, na apoteose do seu simbolismo, a justiça póstuma ao ditador, uma espécie de bálsamo para as feridas que dilaceraram o País durante décadas e cuja cicatrização se tornou impossível para as famílias dos perseguidos, humilhados, torturados, feridos e assassinados nas masmorras da ditadura ou mortos e estropiados na guerra colonial. A justiça histórica – 2 Em Espanha não foi possível julgar o genocida Francisco Franco e é difícil ainda julgar o rei que foi o rei da corrupção, o iniciador de uma dinastia não sufragada que o ditador impôs ao seu País, depois de formatado nas alfurjas do regime e ...

O sonho comanda a vida

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A mulher e as religiões

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Que demência misógina levou os patriarcas tribais da Idade do Bronze a impor a metade da Humanidade a subalternidade que castigou a mulher durante milénios e que, ainda hoje, 72 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos, persiste? Não lhes ocorreu que ninguém é livre se alguém for escravo. O que surpreende é a condescendência com a alegada vontade divina, a manutenção dos preconceitos que impuseram a infelicidade e indizível sofrimento das mulheres, como se os algozes não fossem filhos, irmãos, pais e avós das vítimas que querem perpetuar. O mais implacável dos monoteísmos é o paradigma do despotismo e do desprezo contra quem dá aos homens a vida e o amor, e lhes garante a eternização do ignóbil privilégio. 

A Igreja católica e o fascismo

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É ocioso repetir a participação decisiva dos bispos cristãos, católicos e protestantes, para a ascensão do fascismo na Europa, e a cumplicidade da hierarquia católica nas ditaduras ibéricas. O 25 de Abril obrigou os bispos portugueses à discrição que lhes impunha o vergonhoso silêncio perante a perseguição dos raros bispos democratas, António Ferreira Gomes, do Porto, e Sebastião Resende e Vieira Pinto, Beira, Moçambique. Em Espanha, a transição ‘pacífica’ de um genocida para um discípulo real, Juan Carlos, educado na ética e na honra pelos padrões das madraças franquistas, o clero permaneceu fascista e procriou sucessores da mesma estirpe. Nem um módico de pudor evitou que o Papa João Paulo II criasse santos franquistas, ao ritmo a que os aviários criam frangos, e bispos e cardeais com o olho esquerdo enevoado. Sem precisar do Opus Dei, implacável escola do fascismo espanhol, já com dois santos criados, com milagres certificados, bastam os bispos diocesanos para envergonharem ...

10.º aniversário da morte de José Saramago

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Há dez anos faleceu o Nobel do nosso contentamento, em Tias, nas Ilhas Canárias, onde o levou o azedume a Cavaco Silva, dando relevo a quem não o merecia, e aos 85 anos o aguardou a morte, com o desvelo de Pilar del Rio, o seu último e intenso amor.

A pandemia e os vendedores de ilusões

Ninguém imagina quando, como e em que situação nos deixará a crise em curso, e não faltam vendedores de ilusões sobre o futuro radioso, se outro governo substituir o atual. Habituei-me a não deificar pessoas, mitificar instituições e, sobretudo, a não mistificar a realidade para a adaptar aos meus preconceitos ou desejos. Admitindo que a pandemia terminará dentro de alguns meses, do que duvido, é difícil imaginar que o nível de vida regresse a padrões anteriores, com uma recessão e níveis de desemprego de dois dígitos, seja qual for o governo que vier. Não faltará quem se aproveite da força para exigir a maior fatia possível de proventos, nem quem, com legitimidade, se sinta maltratado em termos relativos, e a justiça social passa mais pela divisão de sacrifícios do que pelo aumento dos benefícios. Se não aproveitarmos a catástrofe natural para tornar mais verde a economia, o trabalho mais dividido e menos desigual a retribuição, não haverá mudanças tranquilas nem paz social dur...

Efemérides - 17 de junho

1789 – Paris a caminho da Revolução. Na sequência dos Estados Gerais, juramento na Sala do Jogo da Pela, pelo Terceiro Estado, do compromisso de não abandonar o local até à elaboração da Constituição; 1885 – Chega a Nova Iorque a Estátua da Liberdade, oferecida pela França para comemorar os 100 anos da Independência dos EUA (1776/1786); 1922 – Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegam ao Rio de Janeiro, completando a primeira travessia aérea do Atlântico Sul; 1940 – O cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, contraria as ordens do ditador Salazar e começa a emitir vistos de entrada em Portugal aos refugiados de guerra que o solicitaram; 1944 – É constituída a República da Islândia; 1991 – O Governo sul-africano elimina a última lei do apartheid; 1992 – É atribuído o prémio da Associação Portuguesa de Escritores ao romance de José Saramago “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, obra notável, vetada pela iliteracia e espírito censório do Governo de Cavaco Silva, atravé...

José Luis Mendoza Pérez (JLM) – A fé e a superstição de mãos dadas

Quando pensamos que a Idade Média terminou há muito, que os espíritos retrógrados se encontram apenas na população inculta ou na demência mística dos talibãs, aparece um reitor de uma universidade católica, embrutecido pela fé e incontinente nas palavras. JLM, empresário, pai de 14 filhos, presidente da Universidade Católica de Múrcia , com a ordem Civil de Afonso X, venera que premeia o contributo social no âmbito da docência, investigação, cultura e desporto, é um troglodita saído do Concílio de Trento, o primata néscio, em delírio, a debitar inanidades. Mendoza garante que a COVID-19 é obra do anticristo, seja quem for tal ser, que povoa a fé do primata que encharcou os mediadores químicos dos neurónios numa pia de água benta. Como Bill Gates previu há cinco anos que a maior ameaça para a humanidade não eram como pensara, as ogivas nucleares, mas os vírus e bactérias, o talibã católico atirou-se ao benemérito patrocinador de uma vacina como a Santa Inquisição a Giordano Bruno,...

A COVID-19 e a intervenção cívica

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Por mais anómalas que sejam as atuais circunstâncias e por maior prudência que exijam os nossos comportamentos, não podemos abdicar da intervenção cívica e da luta pelos direitos humanos, sob pena de renegarmos séculos de progresso que moldaram a nossa civilização. O que não podemos é arriscar a nossa vida e a dos outros, alheios às medidas sanitárias recomendadas, como se um novo vírus, que veio para ficar e destruir muitas das nossas conquistas, não fosse um perigo iminente para os nossos direitos e liberdades. Temos de descobrir como conciliar a defesa da cidadania e o cumprimento das medidas sanitárias.