Os convites pios dos Magníficos Reitores da Universidade de Coimbra (Texto não aconselhado a crentes, sobre a missa de hoje na U.C., na capela de S. Miguel)
Quando, há seis anos, tomei conhecimento do primeiro convite, julguei que o reitor era o pároco da Sé Velha e a Universidade uma madraça de eventual monarquia teocrática. Afinal, era o convite para a missa do dia 8 de dezembro, na Universidade de um Estado laico e republicano, oriundo da mais alta figura institucional de uma escola secular. O que não esperava era que se convertesse em tradição, no ano seguinte e nos vindouros. Quando a Constituição e a República são assim agredidas, sem respeito pela separação do Estado e da Igreja, vemos a cidadania desprezada por quem julgávamos ser a reserva intelectual da neutralidade religiosa e da ética republicana. Perante o silêncio cúmplice de quem devia zelar pela CRP, o Reitor da Universidade de Coimbra converteu-se no muezim romano. Depois do antecessor ter iniciado a pia tarefa, o atual reitor começou as funções ungido com a missa integrada na cerimónia de posse, e nunca mais abdicou de ser o almuadem católico, a convidar docentes ...