A Suíça e os minaretes

O resultado do referendo suíço, proibindo minaretes nas mesquitas, constitui uma tripla decepção. Em primeiro lugar, não se referendam direitos individuais, protegem-se. Depois, os suíços votaram contra os minaretes. Finalmente, converteram em lei uma violação grosseira dos direitos humanos. A liberdade religiosa é um direito que implica a liberdade de cada cidadão ter a crença, descrença ou anti-crença que quiser, cabendo ao Estado democrático o dever de neutralidade.

Em suma, na Suíça os direitos humanos foram violados com a democracia a aderir ao paradigma das teocracias.

O voto contra os minaretes foi um sinal de que a intolerância já contagiou a Europa e de que o respeito pelos direitos, liberdades e garantias vai cedendo ao medo. Em vez de se vigiarem os templos onde se prega o ódio e de se punirem os pregadores, impedem-se os minaretes às mesquitas.

Há quem pense que a democracia é a aplicação da vontade das maiorias. É muito mais do que isso, inclui o respeito pelos direitos das minorias.

O referendo suíço pôs em causa a democracia e a decência. O precedente de sufragar o direito de voto das mulheres, em cantões que não o concediam, foi a confirmação da democracia coxa e de uma cidadania frouxa.

Não basta usar métodos democráticos, urge impedir que os direitos individuais sejam postos em causa. A democracia não se referenda, tal como a fé não pode atentar contra os direitos humanos nem ser vivida à margem da lei dos Estados democráticos.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

André Pereira disse…
Democracia é o regime do respeito pelas minorias!
Recentemente, decorreu, no 'Sorumbático', um interessante debate sobre este mesmo assunto, que recebeu um vasto leque de opiniões, como era de esperar num assunto tão complexo - ver [aqui].
Anónimo disse…
Um artigo de opinião interessante a ler sobre o assunto:

Opinion
Swiss ban on minarets was a vote for tolerance and inclusion
The Swiss vote highlights the debate on Islam as a set of political and collectivist ideas, not a rejection of Muslims.

By Ayaan Hirsi Ali

from the December 5, 2009 edition

Washington - The recent Swiss referendum that bans construction of minarets has caused controversy across the world. There are two ways to interpret the vote. First, as a rejection of political Islam, not a rejection of Muslims. In this sense it was a vote for tolerance and inclusion, which political Islam rejects. Second, the vote was a revelation of the big gap between how the Swiss people and the Swiss elite judge political Islam.

[...]

Ler o resto aqui.

Trata-se da proibição apenas da construção de minaretes e não a proibição do culto islâmico ou de construção de locais de culto o que seria inadmissível e uma clara violação dos direitos humanos de uma minoria.
É claro que poderá ter havido "segundas intenções" por trás desta campanha pela proibição, principalmente da parte dos partidos de extrema-direita.
Julio Carrancho disse…
Os ditos “minaretes” são objectos de culto BARULHENTOS, perturbando a vizinhança que acaba por detestar tal abuso da tranquilidade pública.
Por isso, sim, a proibição foi uma medida adequada.
Além disso, o Islamismo é uma religião “invasora” que, uma vez obtido suficiente poder social e depois político, acaba por impedir [com medidas retaliatórias e perseguições violentas] que outras fés façam mais barulho que ele!
Anónimo disse…
Albania e Bosnia sa2 nações da Europa com maioria islamica...
Nunca vi 1 reclamação contra as 2!

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