BRASIL: da ‘open ceremony’ à ‘tempestade tropical’…

Michel Temer, o ‘presidente-interino’ brasileiro, foi ‘olimpicamente’ ignorado por Thomas Bach, presidente do Comité Olimpico Internacional, e, massivamente, vaiado pela multidão presente na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, quando fugidiamente usou da palavra – sem anúncio prévio – durante 10 segundos. link .

A imprensa internacional deu pouco relevo a este ‘incidente’. Todavia, para além da folia dos cariocas, perante uns jogos olímpicos pensados para projectar a imagem brasileira no exterior e ‘atenuar’ misérias internas, tal atitude é relevante.

As reacções dos brasileiros a este evento são um barómetro da situação política e social. O impasse político que se prolonga alimentado por um Senado que está entretido em afastar Dilma Roussef e, do outro lado, a continuada depreciação do sistema político partidário, há muito tempo em franca decomposição e onde todos os quadrantes políticos brasileiros estão envolvidos, a começar pelo PT, parece, inexoravelmente, conduzir a um beco sem saída.

Embora não prevista constitucionalmente, a 'solução democrática' não deixará de passar por eleições antecipadas. Dilma Roussef, embora colha múltiplos apoios para esta ‘solução’, quer no seu partido, quer na sociedade civil, esbarrou com o aparelho do PT link  que pretende rapidamente ‘esquecê-la’ e já tratou do seu isolamento político link  .

Na realidade, o ‘impeachment’ de Dilma aparece como uma situação inevitável. Com ele, também, parece difícil de afastar um ampla cisão no PT. A Esquerda do PT está em polvorosa. A recente constituição como arguido de Lula da Silva link veio acelerar a decomposição do partido.
O movimento ‘Fora Temer’ já está ameaçado por contradições internas. O grupo ‘Mensagem’ uma importante facção do PT, liderada por Liliane Oliveira, não perdoa o facto do presidente do sindicato dos Metalúrgicos ter reunido com o Ministro do Trabalho (Ronaldo Nogueira) que integra o Governo do ‘interino’ Michel Temer link.

As eleições municipais estão na ordem do dia e mostram-se incapazes de unir o partido. Outro facto que veio aumentar a confusão é Lula da Silva ter apoiado Rodrigo Maia (um ‘golpista’). Não basta ser opositor do meu principal inimigo (Eduardo Cunha) para ser meu aliado.

Pior do que o silêncio ensurdecedor do presidente-interino na abertura dos Jogos Olímpicos é o ruído do que está na forja. A corrupção, a insensatez, os ‘contragolpes’ e a deriva ideológica tratarão da ‘implosão’ do PT.
A Direita liberal (sob múltiplos heterónimos) governará, à sua maneira e segundo o seu estilo e regras, o Brasil, durante largos anos.

Esta a ‘tempestade tropical’ (em ‘enchimento’ ao largo do Maracanã) a que o Brasil parece não conseguir fugir e que avança intempestivamente pelo espaço federal.

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