Uma visão 'shakespeariana' da Festa do Pontal…

O líder do PSD aproveitou as festividades estivais do Pontal link para alimentar um novo 'bitaite'. 
Ao Governo do PS que conta com o apoio parlamentar do BE, do PCP e Partido os Verdes, a partir de uma posição conjunta assumida para uma solução governativa, resolveu baptizá-lo (os crentes não fazem a coisa por menos) de ‘Troika’. 

Primeiro, revelou estar mal de contas. Em aritmética PS + BE + PCP + Verdes perfazem um conjunto de quatro entidades. Quando muito, esta associação seria, se estivéssemos num circo romano (como desde Dezembro de 2015 foi desejado pela Direita), uma quadriga (mas não aquele símbolo prussiano que está implantado sobre a porta de Brandemburgo, em Berlim).
 Dirão alguns (novamente a Direita) que os Verdes, não contam, porque são um satélite do PCP. Em questões de ‘satélitose’ temos várias nuances e bastantes exemplos. Não será preciso recuar muito para discernir quem no anterior Governo era o apoderado e quem lhe servia de satélite. Ou, no plural, de satélites. Ficou sempre por esclarecer – no Pontal e nas recorrentes intervenções de Passos Coelho – quem, de facto, governou na anterior legislatura. Para muitos o cenário não andará distante de um governo efectivamente liderado pela Troika à volta do qual orbitavam os ‘satélites’ geoestacionários PSD e CDS (alinhados pelo paralelo de Berlim). 

Em segundo lugar, a lembrança de reintroduzir a ´Troika’ na presente legislatura tem motivações do domínio do inconsciente colectivo. Alguns desejaram (como sempre se soube) a governação da Troika porque se reviam programaticamente nas soluções da mesma, porque lhes servia de ‘bordão’ para impor medidas restritivas e confiscadoras e, essencialmente, porque lhes abria caminho para executar políticas que tentaram manter publicamente obscuras ou mesmo negar. 
O difícil para esses ‘prestigiadores de praia’ é revelar uma fantasia ‘social-democrata’ escondida dentro de uma persistente opção neoliberal. Esse dualismo acaba sempre por conflituar com a realidade. Na verdade, os portugueses - à custa de um saber de experiência feito - tem a clara noção que se, para sua desgraça, a Troika, ainda estivesse por cá, o PSD estaria, de certeza, no Governo.

A festa de Quarteira (o Pontal é mais o alimentar de uma figura mitológica) mostrou outra coisa: O PSD não está no Governo, nem na Oposição. Está entretido em re-encenar a conhecida comédia de Shakespeare ‘Sonhos de uma noite de Verão’ onde pululam duendes, fadas, elfos e outros seres encantados. 
Isto é, a partir de um passado ensombrado (por uma doentia austeridade) quer exibir aos portugueses a ilusão de um futuro radioso e feliz, tendo por base uma inovadora revelação: a associação de reformismo com inconformismo (como vincou na prelecção de ontem).

De concreto, o PSD, com a liderança de Passos Coelho, mostra-se prisioneiro de um terrível inconformismo. De facto, ainda não digeriu que os eleitores - maioritariamente - rejeitaram estas concepções em Outubro passado. 

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