Pedro: uma liturgia neoliberal ou um pungente vaguear entre a anunciação e a revelação …

Em Setembro vem aí o diabo…link, foi o grito de alerta lançado pelo líder da Oposição, Pedro Passos Coelho. 
No domínio do transcendental surge a dúvida se tal rugido deve ser interpretado como uma anunciação ou uma revelação. Não é indiferente esta destrinça.

Vista como uma ‘anunciação’, e como não se trata de célebre obra de Fra Angélico onde se divulga 'afresco' a natividade de um novo profeta, só pode ser – para se manter na área da adivinhação e do misticismo – mais uma derradeira tentativa de um indigente regresso ao palco (político) do ‘filho pródigo’. 
Depois de ter andado entretido, durante o primeiro semestre de 2016, a ‘montar’ e ‘desmontar’ cenários apocalípticos será compreensível que, na perspectiva da sua sobrevivência política, na recta final do ano, anuncie que: ou vem o diabo, ou está tudo tramado!
Sendo assim – e diferentemente do clássico painel tardo gótico do pintor romano – nada de novo é ‘anunciado’ para além do explícito reconhecimento de que, para o líder do PSD, o tempo esgotou-se.

A ‘revelação’, por outro lado, é o fundamento de um permanente e negro cenário apocalíptico. Na verdade, etimologicamente, Apocalipse é, em termos bíblicos, o ‘livro da revelação’. Como nada do que o incansável vendedor de desgraças (no passado carrasco de um País a soldo dos ‘credores’) se tem confirmado, é de supor que o paroquial serventuário do Partido Popular Europeu (PPE) tenha informação privilegiada (e antecipada) de mais uma ‘plantice’ congeminada por Bruxelas no seguimento da indecorosa e frustrada pretensão de aplicar sanções sobre as metas do deficit.
Como este Pedro não é propriamente um conceituado profeta (durante os 4 anos de governo falhou todas as ‘profecias’) a sua revelação pouco mais poderá ser do que uma medíocre traição.

Na realidade, este anúncio de ‘tempos demoníacos’ está em consonância com as ameaças de Bruxelas depois de ultrapassada a rábula das sanções. 
A nova fase da chantagem em curso sobre o Governo português é o corte dos fundos do 'Portugal 2020', procurando por caminhos ínvios manter a pressão sobre os portugueses (e espanhóis), e de acordo com o comissário europeu alemão, Günther Oettinger, que afirmou: “Este acordo não está morto, porque há ainda a opção de cortar os fundos estruturais que os dois países (Portugal e Espanha) recebemlink .

Não será muito difícil conhecermos os contornos da ‘revelação’ de Passos Coelho.
Em Setembro (como se apressou a ‘revelar’ Passos Coelho) a Comissão Europeia pretende debater no Parlamento Europeu a aplicação do Programa Nacional de Reformas enviado pelo XXI Governo Constitucional a Bruxelas. Finda esta ‘via-sacra do financeirismo’, onde as revelações e intenções dissimuladas do PPE serão expostas publicamente, tudo indica que, a partir daí, vai expirar o tempo para o inconformado líder da Oposição manter-se escondido sob o manto diáfono da hipocrisia. E, então, será o 'diabo'.

Nada de grave. Para o vidente político luso continuarão a existir, por esse Mundo fora, muitas ‘janelas de oportunidade’ à sua espera e onde o desorientado servo do neoliberalismo poderá passar dos anúncios e/ou revelações a uma prestimosa azáfama colaboracionista que foi descrita por Lloyd Craig Blankfein (presidente da Goldman-Sachs) como “doing God’s worklink (...'uma obra de Deus').
 
Ámen!

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