Burkíni – uma lamentável coincidência

Um mês depois do massacre de Nice, perpetrado por um demente fascista islâmico, foi uma infeliz coincidência que as mulheres islâmicas, sedentas de sol e água, procurassem as praias locais para estrear fatos de banho adequados às normas do Corão.

E houve quem, malevolamente, visse na pudica manifestação lúdica de fé uma provocação e não uma coincidência.

Há quem veja política em tudo e confunda a piedade com a provocação, quando as vítimas já levam 1 mês de defunção. Podiam lá lembrar-se as muçulmanas de uma tragédia tão antiga!

Comentários

Manuel Galvão disse…
Já percebi: em vez de se criminalizar o piropo deve proibir-se a utilização de leggings, mini-saias, decotes generosos... por causa do alarde social...

Ainda não percebi que parte da ideia "liberdade religiosa" certas pessoas não entendem.
e-pá! disse…
O 'comportamento cívico' em sociedade que deve ser exigido a todos cidadãos, não é - como todos percebemos - regulamentável.
O problema é que as religiões tentaram, sempre, regulamentá-lo. Alguns diktats religiosos, 'pseudo-moralistas', caíram, ou pelo ridículo, ou pelo incumprimento generalizado, que levou a simples e pura revogação.
Isto sucedeu em todas as religiões - nomeadamente as do 'livro' - mas elas tendo um tronco comum, regem-se por códices diferentes.
Não parece preocupante a permanência destes preconceitos ou reminiscências no que diz respeito aos fiéis islâmicos que têm um códice simultaneamente abrangente e restritivo, regulando a prática religiosa, a vida social e até a conduta militar. Aos poucos e paulatinamente estas 'normas' cairão, exatamente pela mesma ordem de razões que levaram à sua derrogação tácita por todo o lado.
Agora, quando se contestam e questionam os diktats religiosos (e bem) devemos ter a mesma conduta quanto aos ditames da moda. As convenções sociais e as suas vanguardas estilistas ou, no polo oposto, os baluartes moralistas, não conseguem escapar a um continuo processo de renovação e mudança.
Na época contemporânea os dogmas e os mitos são resquícios de crenças (mesmo sob o ponto de vista filosófico) e vão tendo cada vez menos espaço. Os que pretendem resistir à erosão social e cultural das suas crenças serão diariamente confrontados por novas vivencias e inexoravelmente ultrapassados por novas realidades e outros factos.
Trata-se de uma caminhada natural e sucessiva (progresso, para muitos) que tem de ser percebida (tolerada para alguns) e não deve causar alarme social (porque basicamente é um atributo natural e humano).
e-pá! disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel Galvão:

Não posso exigir que partilhe a minha convicção de que se trata de uma conspiração política do Islão político. A partir daqui a nossa troca de argumentos torna-se repetitiva.
Manuel Galvão disse…
Carlos Esperança, concordei aqui, há dias, que se tratava de uma mistificação, uma espécie de manifestação do orgulho de ser muçulmano (tão conhecida por nós nas cenas gay). Uma manifestação de força também. Pois uma mulher muçulmana não convive com homens e mulheres pelados, em praias algumas. Se elas vão a Nice é porque eles deixam.

Portanto a sua resposta foi do tipo; ataca-se o mensageiro, pois a mensagem não agrada (ou quando não temos contraditório à altura).

É caso para dizer: Também tu, Brutus?
Manuel Galvão:

Habitualmente até estamos de acordo. Abraço. E obrigado pelos seus comentários,

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