11 de março de 1975 – 51.º aniversário
11 de março de 1975 – 51.º aniversário
Há 51 anos
a extrema-direita ainda não tinha desistido de regressar à ditadura. Apenas lhe
fugira o «nosso ultramar infelizmente perdido», que o próprio Marcelo, o outro,
o Caetano, já dava por perdido, ainda sem saber como sair da guerra que herdou
e da qual só sairíamos derrotados.
Os salazaristas
e outros reacionários foram derrotados no 28 de setembro de 1974 na primeira
tentativa de subverter a processo democrático, sob o pretexto de uma alegada
maioria silenciosa, e não desistiram de interromper o curso da democracia e impedir
a elaboração da Constituição da República Portuguesa.
A
composição da Assembleia Constituinte, com os deputados eleitos no 1.º
aniversário do 25 de Abril, nas primeiras eleições livres em meio século,
deixou a direita inquieta e desejosa de evitar o desmantelamento das estruturas
fascistas e o rumo democrático.
António de
Spínola, o general que na Guiné se deu conta da iminente derrota das Forças Armadas
portuguesas, tornou-se então adversário da manutenção da guerra e ganhou aí o
prestígio que lhe permitiu, contra a vontade maioritária do MFA, assumir a
presidência da Junta Militar da República, depois de Marcelo Caetano ter pedido
a sua presença no Quartel do Carmo, já tomado por Salgueiro Maia, para se
render.
Spínola
era um antigo membro nomeado em 1947 para uma missão de estudo junto da Guarda
Civil Espanhola e foi depois observador na batalha de Estalinegrado durante a
2ª Guerra e foi o primeiro PR depois do 25 de Abril. É destas contradições que
se tece a História.
Derrotado
em 28 de setembro tentou um golpe militar depois de ter tentado obter armas e
caído no logro de negociar a aquisição com o jornalista alemão Günter Wallraff que
o enganou e desmascarou.
A 11 de
março de 1975, Spínola fez um golpe de Estado e teve de fugir para Espanha. Acabaram-se
nesta data, que a direita e a extrema-direita se esforçam por esquecer, as ilusões
golpistas para o regresso ao Estado Novo.
Foi graças
a esta derrota de Spínola, infligida pelos militares de Abril, que Portugal, no
dia em que o ora PR, António José Seguro, comemorou 13 anos de idade, que a CRP
se tornou possível e a democracia sobreviveu.
Na foto: o saudoso capitão de Abril, Dinis de Almeida, sereno e corajoso, a obrigar à rendição dos sediciosos spinolistas, enquanto o general fugia de helicóptero para Espanha.

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