Missas tecnológicas (2)

Durante este ano de 2026, as quatro maiores empresas globais: Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft, planeiam investir mais de 650.000 milhões de dólares em IA, o que corresponde à maior verba investida num só ano em qualquer outro desenvolvimento tecnológico; nem a expansão dos caminhos de ferro em finais do séc. XIX, e os programas da NASA para conquistar o espaço e desembarcar na Lua no séc. XX, consumiram tantos recursos em tão pouco tempo.

Shumer (que citei no artigo anterior) aponta um futuro próximo frenético, e explica como nos últimos anos os modelos da informática criados por algoritmos conseguiram avanços exponenciais, de tal modo que os novos modelos não correspondem a melhorias graduais… pelo contrário, são “algo completamente diferente”.

Conclui-se que a Inteligência Artificial (IA) não é um “substituto de trabalhos humanos específicos”, mas sim “um substituto de trabalho geral dos humanos”.

E é neste ponto, quando os humanos são substituídos em larga escala por máquinas, que a minha reflexão ganha sentido. As transformações sociais conseguidas pelo uso da IA, autorizam-me a dizer que quem recorre a tal ferramenta corre o risco de se habituar a não pensar, porque tem uma máquina que o faz por si! E isto não é mau… é péssimo!

A IA também é usada para criar desinformação política e científica, entre outras desinformações. É que a IA não pensa… dá respostas conforme modelos armazenados, sem competência para pensar! Estou a lembrar-me daquele sujeito que perguntou ao ChatGPT: “preciso de lavar o carro e o posto de lavagem fica a 100 metros de onde estou. Vou de carro, ou a pé?”. A resposta imediata influenciada pelo manual de economia armazenada no programa, foi esta: “Dada a pouca distância, é aconselhável ir a pé”!

Com as novas tecnologias já nada é como era dantes. Nem na fé… aliás, na fé parece estar tudo doido!… Relata o jornal espanhol El País que, em Julho de 2023, uma jovem assumiu a sua religiosidade e decidiu casar-se no Vaticano, tendo o Papa Francisco como celebrante e a cerimónia divulgada pela Internet. Ela tinha 30 anos quando redescobriu a sua fé e agora factura com isso usando o Instagram com mais de 56.000 seguidores!

O Vaticano acolheu, nos dias 28 e 29 de Julho de 2025, mil criadores de conteúdos informáticos. Pela primeira vez na História da Igreja se celebrou um jubileu com um milhar de influenceres católicos de 46 países.

A Igreja deu-se conta de que os jovens não estão nas paróquias, mas sim nas redes sociais. “Temos a melhor mensagem do mundo, mas é preciso saber vendê-la”, disse a jovem que o Papa casou, que descobriu a “fé digital” e vai fazer dela o seu modo de vida.

A verdade é que a sociedade é, cada vez mais, menos crente; e das pessoas que se dizem católicas, só cerca de 18% se confessam praticantes; os outros, ninguém sabe o que são… nem eles próprios.

Uma das crentes que encontram na “fé digital” uma porta de entrada no reino do céu para falarem com Deus, diz que “as missas já não atraem os jovens, nem sequer a mim” como se ela fosse o exemplo acabado do que é ser-se religioso na fé de um deus!

E não se fica por aqui, diz ela que “é preciso oferecer a mensagem de Jesus numa linguagem renovada”, como que se tivesse descoberto a pólvora e não tenha estado atenta às práticas das seitas evangélicas brasileiras que crescem como cogumelos em estrumeira, passando as mensagens que diz serem de Jesus… mas em ritmo de samba…

(Continua)

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