Salve, Margarida Maldonado Freitas! Parabéns, cidadã!

Salve, Margarida Maldonado Freitas! Parabéns, cidadã!

Margarida Maldonado Freitas, farmacêutica, empresária, da excelsa família republicana das Caldas da Rainha, com os mesmos apelidos, é a mulher do Presidente da República. Mas é muito mais do que isso, é uma mulher com vida própria, sagaz e republicana, que denuncia a inexistência de enquadramento jurídico no ordenamento constitucional, para o estatuto de “primeira-dama”, e recusa ser objeto decorativo.

Uma mulher assim merece uma saudação especial e o tributo de homenagem e respeito. Parabéns, Margarida Maldonado Freitas por ser como é, por honrar uma família que foi referência democrática durante a ditadura. O avô Custódio, que cedeu o casarão na Foz do Arelho para filhos dos presos de Peniche gozarem as “férias da liberdade” e  sofreu a perseguição da ditadura, transmitiu-lhe a coragem, a honra e o amor à liberdade.

A figura de primeira-dama é um anacronismo republicano, talvez uma reminiscência da monarquia ou um hábito que a incúria dos cidadãos e a comodidade dos presidentes da República perpetuam em diversos países.

A emancipação da mulher é um direito inalienável e a existência de uma primeira-dama perpetua um paradigma perverso, a dependência da mulher, e não, como aparenta, uma distinção. É uma forma ínvia de exclusão das mulheres da função presidencial.

É pena não ter havido ainda uma mulher na Presidência da República, o único órgão que resistiu ao acesso feminino, o que nos dois últimos mandatos teria sido uma bênção. Por discriminação de género têm sobrado primeiras-damas, título sem legitimidade, com o direito informal a secretária e a gabinete, para funções que o erário público suporta.

Quando for eleita a primeira PR não se sabe se terá direito a levar o companheiro como mordomo, adereço doméstico para lhe dependurar os vestidos ou engomar as camisas de noite. Se hoje não está previsto o título de primeira-dama, por não ser eleita e ser mera cidadã, não se vê, no futuro, como tratar o/a cônjuge da primeira PR.

Não afigura saudável para a ética republicana que o órgão unipessoal se transforme em conjugal. A tradição não justifica o que quer que seja, da escravatura à pena de morte ou da rainha à primeira-dama. Só as boas tradições merecem ser preservadas.

A recusa do título e da função decorativa por Margarida Maldonado Freitas, mulher do PR, faz dela uma notável cidadã republicana que a honra e à família que me respeito há mais de seis décadas.

Viva a República!




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