O PSD, o Chega e o Tribunal Constitucional (TC)
O PSD, o Chega e o Tribunal Constitucional (TC)
A aliança
explícita com o Chega é legítima. A censura que merece não retira licitude ao
contubérnio, há muito evidente, nem significa mudança de rumo da AD, essa
ficção que permitiu aos média asseverar que Montenegro ganhara as eleições ao
PS antes de tomar posse como PM no seu primeiro governo.
Não vale a
pena repetir que a atual correlação de forças partidárias resultou do golpe de
7 de novembro de 2023, sem o qual o PS seria ainda governo, com maioria
absoluta, até ao Outono. As coisas são o que são. É inútil chorar sobre o leite
derramado.
Ainda bem
que termina essa duplicidade de ser o Chega simultaneamente um partido do
Governo e o maior partido da oposição. O “não é não” resistiu ao Governo Regional
dos Açores onde a aliança com o Chega permitiu substituir o Governo do PS, o
partido mais votado. Continuou ignorado quando na Madeira o Chega foi preciso
para o PSD formar governo. Só a aliança explícita e anunciada por André Ventura,
com o CH, que combate a CRP, denunciou a hipocrisia e ver soçobrar a desfaçatez
épica de Montenegro.
O divórcio
entre os dois partidos que aprovaram a CRP com os partidos à sua esquerda, os
únicos que acordaram todas as revisões entre si, ameaça a democracia, mas esse
é o ónus do regime, a vulnerabilidade do sistema que defende os seus adversários.
O efeito
Trump chegou ao PSD através do Chega. Não sendo fácil substituir a CRP após a eleição
presidencial, nada melhor do que reduzir-lhe o alcance, afrontando o PR com o
esvaziamento do poder normativo da Constituição, através da jurisprudência,
nomeando para o TC, à semelhança dos EUA, juízes capazes de a subverter.
Montenegro,
oriundo da madraça de Passos Coelho, Miguel Relvas e Marco António, não
esqueceu que os cortes em prestações sociais, subsídios de férias e Natal, bem
como a alteração dos direitos dos trabalhadores, que ele defendeu como líder
parlamentar do PSD, e que só não se tornaram irreversíveis porque o TC o
impediu.
O ajuste
de contas chegou. É um direito. O que o Luís não pode, é continuar a ludibriar,
e a chantagear o PS, com ou sem cumplicidades de muitos dos seus dirigentes,
sob pena de abandono dos eleitores se o partido continuar a muleta do PSD.
Montenegro
sente-se bem a executar ideias do antigo companheiro do PSD, com quem conspirou
para apear Rui Rio, mas deu um passo maior que a perna, ao afrontar o PR e pôr
em causa o regime. Até Cavaco, um homem que divide a democracia entre PSD e forças
de bloqueio, mas, ao contrário do PM, decidiu votar em Seguro, lhe aconselha o
divórcio do conúbio contranatura que definitivamente assumiu. E já é tarde!
Resta
saber se o PR engole a afronta e se o PS continuará, depois de traído, a apoiar
um PSD a quem permitiu o lastimável presidente da AR acordado com o Chega e o salvou
da rejeição à terceira tentativa de Montenegro para o impor.
O conclave do PS, em Viseu, já tem motivos de reflexão para decidir se quer continuar a apoiar o PSD de Montenegro enquanto Ventura finge ser oposição.


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