O Governo português e a política externa
O Governo português e a política externa
Com a
maior parte dos americanos convencidos de que Trump ensandeceu, o governo
português compromete-se nas aventuras em que o PR dos EUA se envolve, quiçá,
para desviar atenções das numerosas referências que constam dos ficheiros
Epstein.
O silêncio
perante a invasão, sequestro e rapto do PR da Venezuela não é pragmatismo, é a prática
de um governo sem política externa clara, que se limita a seguir políticas de
outros países, independentemente dos interesses nacionais.
Não tarda
que os 5,3 mil milhões de euros do empréstimo para compras militares sejam
contestados pelos eleitores, antes de se iniciar o pagamento de juros e a
amortização da dívida contraída para agradar ao sr. Mark Rute, capataz de Trump
na Nato.
Podia ser
coerente na defesa do direito internacional e das relações multilaterais, mas
não é essa a linha de conduta. Logo no início do primeiro governo de
Montenegro, o MNE censurou Guterres pela condenação feita a Israel pelos
massacres em Gaza. Nas invasões à Cisjordânia e a Gaza o governo português
prima pelo silêncio ou pelo apoio ao invasor, assim como em qualquer violação
de fronteiras por Israel.
Agora, face
à invasão do Irão, Portugal cumplicia-se na aventura de Trump e o MNE afirma
que o uso da Base das Lajes pelos EUA consta do acordo entre os dois países.
Paulo Rangel sabe que o uso, nestas condições, carece explicitamente de
autorização prévia nacional. Não usa uma desculpa, mente descaradamente.
Os
indefetíveis apoiantes do governo dizem que não se pode opor e que o PS faria
igual, o que é verdade, mas Trump usaria a Base e a oposição de Portugal mostraria
o repúdio à violação da soberania do Irão. Há, aliás, o precedente do Reino
Unido, ao não permitir aos EUA atacar o Irão a partir de bases britânicas.
O MNE devia
lembrar-se de que Portugal participou na invasão do Iraque, o crime que envolveu
Durão Barroso e dessa vez o PR, Jorge Sampaio, impediu as Forças Armadas de participar.
Seguiu a GNR para nossa vergonha. Agora, o PR que nunca se cala, cala-se. EUA e
Israel invadiram o Irão… e Portugal condenou os ataques do Irão 😊 😉.
A Rússia
invadiu a Ucrânia, o que é inaceitável; os EUA invadem o Irão e é correto. Até
Zelensky se regozijou com a invasão do Irão que, tal como a da Ucrânia, a do
Iraque ou da Líbia violaram o direito internacional e Portugal ora apoia
vítimas, ora os agressores.
É ocioso
dizer que havia ditadores nos países invadidos e que não há piores ditaduras do
que as teocracias islâmicas, nem mais repulsivas, mas não justificam bombardeamentos
e assassinatos de cientistas, generais, clérigos e quem quer que seja para
cumprir ordens oriundas de um sítio mal frequentado em Mar-a-Lago, violando o
direito internacional.
Resumindo, dois terroristas assassinaram outro terrorista e as consequências sobram para todo o mundo.

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