Divagando 35
No falecimento,
o enorme António Lobo Antunes merecia que fosse dia de celebração da sua obra
ímpar, onde, a par dos romances, deixou crónicas saborosas a zurzir as Tias de
Cascais, oriundas da sua classe social, quiçá da família, condenadas à
irrelevância, à prática da caridade e aos tiques aristocráticos. Depois de
Fialho foi talvez o nosso maior cronista, pese embora algum desprezo do autor por
este género literário. Teve direito a mais uma venera, das maiores, que Marcelo,
a quatro dias de perder o alvará, podia outorgar-lhe. Foi um orgulho para o outorgante
perante a indiferença do galardoado.
As
tropelias de Trump e Netanyahu, com o Planeta em guerra e as economias a tremer,
o País implicado na invasão do Irão e o PM acossado pela Spinumviva e Passos
Coelho, impediram que o escritor tivesse nos média o tempo e a relevância que merecia.
O excesso
de notícias poupou a Durão Barroso maiores críticas à entrevista à RTP onde o
homem da CIA prestou patriótica vassalagem ao perigoso e desequilibrado PR dos
EUA sem se aperceber da repulsa que provoca e da náusea que merece. Nem sabia que
Trump não quer mudar o regime iraniano, só que participar na eleição do novo
Aiatola.
Finalmente,
Marcelo, que a respeito da invasão do Irão, aos costumes disse nada, pôde falar
sobre a sua presidência ao Conselho de Ministros, a oportunidade que Montenegro
lhe concedeu após de dois anos de desprezo e de ingratidão a quem deve ter sido
PM.
No ocaso da presidência falhada, Marcelo escolheu o retrato oficial, metáfora de uma década em Belém, recortes de jornais que alimentou com a verborreia e necessidade de intriga.

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